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     TEATRO

Avenida Dropsie


Valmir Junior*

E a magnitude do espetáculo mais uma vez surpassa a qualidade. E eu ainda gostei de "Avenida Dropsie", encenada no Teatro Popular do SESI. Gostei sim, mas a graphic novel de Will Eisner transposta para o teatro tem ares de grandiosa, mas muitas vezes não passa disso.

Pra começar, Will Eisner é tido como o pai dos quadrinhos. Entre muitas obras, como "Spirit", Eisner criou "Avenida Dropsie", quadrinhos que retratam a cidade e seus mais diversos aspectos sob a ótica dos cidadãos e, muitas vezes, sob a ótica judia, pois Eisner era judeu. O diretor do espetáculo, Felipe Hirsch, e a Sutil Companhia de Teatro tomaram essa obra e passaram o universo de papel de Eisner para o universo do teatro. Daniela Thomas se encarregou da cenografia, Gianfrancesco Guarnieri narra, representando o próprio Eisner, e o que vemos é uma superprodução.

Aliás, é a superprodução e o elenco que cativam o público. A superprodução usa dos aparatos mais variados. Por exemplo, vemos o espetáculo através de uma fina tela onde são projetados pensamentos, títulos de cenas, textos e vinhetas do espetáculo. O cenário de Daniela Thomas é grandioso, com um prédio de 3 andares, de aproximadamente 10 metros de altura, cheio de janelas e escadas de emergência ao lado. Ainda há a super-comentada chuva no placo, parte da história que representa o Eisenshpritz, ou seja, a grafia estilizada de Eisner para a chuva, agora ao vivo.

E o elenco se desdobra muito bem em mais de 120 personagens, claro, alguns com traços caricaturais evidentes - e é lógico que essa representação cabe aqui, pois trata-se de um retrato da cidade - outros com um pouco mais de trabalho de interpretação. Mas mesmo com pouca profundidade, o elenco é afinado, executa a tarefa muito bem e cativa o público.

Infelizmente, o espetáculo não resiste muito. Apesar dos efeitos da superprodução serem colírio para os olhos, ainda mais tratando-se de diversão grátis como essa, o ritmo do espetáculo começa a decair, principalmente com as vinhetas e frases de Eisner projetados na tela, que geralmente cobrem hiatos entre uma cena e outra para que haja tempo dos atores trocarem de figurino ou outros ajustes acontecerem. São quase 2 horas de peça e, a certa hora, cansa.

A própria tela faz o papel de quarta parede, ou seja, encerra o contato do público com a peça. O público se vê como espectador, distanciado demais de toda a parafernália, (e me parece que esse não é objetivo do espetáculo - não era nada brechtiano) o que me faz pensar se era realmente necessário e se não havia outro dispositivo. Às vezes chega a ser incômodo, pois, na hora da chuva, com os passos dos atores, era possível ver os respingos na tela, o que traz o espectador de volta para a poltrona com uma velocidade incrível. Se o espectador olhar atentamente, vai ver alguns detalhes a mais na estrutura cênica que... bom, vão conferir por vocês mesmos, existem vários detalhes. Engraçado ver que o TODO foi uma preocupação, mas a PARTE se valeu de pouco caso.

Com toda essa grandiosidade, eu digo aos leitores que "Avenida Dropsie" é um espetáculo legal de ser assistido, descontados os equívocos; vale as 4 horas de espera na fila, principalmente pelo quesito "show" do espetáculo. Entendo que Felipe Hirsch queria encenar os quadrinhos no palco, reverenciando o trabalho majestoso de Will Eisner e transmutando a linguagem "quadrinista" para a linguagem cênica. Mas ainda acredito que menos é mais.


"Avenida Dropsie" - Com a Sutil Companhia de Teatro - Dir.: Felipe Hirsch. Texto: Will Eisner (com adaptação de Felipe Hirsch). Elenco: Erica Migon, Guilherme Weber, Joelson Medeiros, Leonardo Medeiros, Magali Biff, Maureen Miranda, Paulo Alves e Roney Fachinni. Onde: Teatro Popular do SESI, Av. Paulista, 1.313, Metrô Trianon-Masp. Até 5 de Junho. Ingresso:Grátis.



*Valmir Junior
"Paulista, 23 anos, virginiano e doido por chocolate. Esse é Valmir Junior, um ator amador (ou amador ator?), fã de teatro (claro), filmes, exposições e outros assuntos relacionados à Arte (além de ser um bom garfo também). É a primeira vez que resenha para um site e dá medo nele, mas o desafio já foi aceito, então: "Merda!!!" (Não levem a mal! É "Boa Sorte" no Teatro)."