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     TEATRO

TEATRO CROWNE PLAZA

Manufactura Suspeita da Meia-Noite
leva o Grand Guignol ao Crowne Plaza


O ciclo de peças Manufactura Suspeita da Meia-Noite estreou no dia 4 de março, no Teatro Crowne Plaza, à meia-noite, sob direção de Maurício Paroni de Castro. O projeto reúne um repertório formado por comédias de horror (do gênero francês Grand Guignol), que explora emoções suscitadas nos espectadores por situações escabrosas de dramas realistas, exageradas ao extremo. Várias temporadas - todas com a Cia. Atelier de Manufactura Suspeita - estão programadas até o final do ano e a primeira peça a ser encenada é Farsas Libertinas, que tem no elenco Bruno Kott, Cássio Santiago, Cris Perón, Diego Ruiz, Elisa Band, Fernanda Moura, Roberta Youssef e Ziza Brisola.

O espetáculo Farsas Libertinas é o resultado de um estudo teatral sobre sadomasoquismo, realizado no Dungeon (masmorra) de um clube fetichista, o Clube Dominna, em São Paulo, em 2004. Maurício Paroni concebeu o espetáculo a partir de anônimos textos fetichistas. A peça re-visita situações e papéis vivenciados dentro do Dungeon; é construída como uma comédia histórica com quadros encenados, cronologicamente, sobre a liberdade da criação erótica através do tempo. Esses quadros são carregados de ironia e de práticas fetichistas diversas: bondage (amarração), spanking (chicotes), inversão de papéis, travestimentos, masoquismo, tortura psicológica etc.

O enredo de Farsas Libertinas parte da Pré-História e chega até o Século XIX com as seguintes abordagens: uma apreciação pseudocientífica das origens da sexualidade humana a partir do emprego do jogo e da transferência do poder erótico; as atribulações de um comerciante de escravos grego (homossexual) às turras com prostitutas e escravas cristãs convertidas e corrompidas por um senador romano; uma louca história de nobres espanholas, raptadas e seduzidas por terríveis e irresistíveis piratas dos mares do Caribe; uma encenação fetichista da Revolução Francesa e da luta pelos direitos dos homens a partir da visão do Marquês de Sade; um sonho visionário do progresso do feminismo e da superioridade da mulher, através da luta pelo Sufrágio Universal, da derrocada de visões românticas e da afirmação da sociedade industrial.

Os próximos espetáculos a serem apresentados, a partir de maio, são: A Amante do Gorila, A Lâmina Final, Volúpia Cruel e Delito no Manicômio. Outros títulos estão em fase de tradução e criação.

O Grand Guignol

O gênero nasceu na sala de Rue Chaptal (final do séc. XIX), espalhou-se por vários países da Europa e foi uma das grandes inspirações do cinema de horror britânico, americano e do cinema expressionista alemão. Guignol era um fantoche, criado em Lyon (França) no final do século XIII. Em pouco tempo, a popularidade alcançada o transformou em sinônimo de teatro de bonecos. O termo Grand Guignol foi escolhido por Max Maurey, que com ele batizou o Théatre-salon de Paris, em 1899. O teatro já era a oficina das experiências de Oscar Métenier, do Théatre-Libre, que defendia a abolição dos limites impostos pelas convenções cênicas em voga, na busca de maior autenticidade na ficção. Isso era a principal premissa para uma concepção do espaço teatral baseada numa reorganização da realidade das cenas, até aquele momento, concebidas em relação diretamente frontal ao publico. Os atores podiam desvincular-se da imposição de postar-se ''teatralmente''e agir como se estivessem em suas próprias casas (entrar e sair de cena queria dizer entrar e sair de um quarto ou sala, e não mais de uma cenografia que ''representava'' o lugar). Paralelamente às inovações estruturais da direção recém-surgida, mudavam também os próprios conteúdos das representações, influenciados pela poética do teatro realista.

As audazes experiências do théatre libre começaram a ser metabolizadas - ainda que não compreendidas - por um público burguês, que, num certo sentido, começou a livrar-se das ilusões propostas e buscadas pela nova estética. Atingido o sucesso de publico, Métenier aproveita para ousar mais ainda; explora emoções suscitadas nos espectadores por situações escabrosas de dramas realistas, exageradas ao extremo. Surge a dramaturgia do Grand Guignol como nos chegou até hoje.

Involuntariamente, Métenier havia inventado o gênero Grand Guignol. Essa dramaturgia nasce, portanto, das premissas da poética realista. Era muito carregada, com situações levadas às extremas conseqüências e pontuada como representação exasperada de uma suposta degeneração moral e material de classes sociais pobres. Depois de uma fase realista inicial, o Grand Guignol passou a empregar elementos na insígnia da loucura, de fenômenos espíritas e de experiências paranormais. Trata-se de dramas cruéis e violentos, onde depravações se disseminam, além de torturas e delitos com predileção pelo horror. A última fase utiliza temas sádico-eróticos.

A proximidade entre a história do Grand Guignol e o projeto estético do Atelier Manufactura, com o apoio do Teatro Crowne Plaza, levou à criação do ciclo Manufactura Suspeita da Meia-noite. Nele, o diretor trabalha a comicidade inerente ao terror do Grand Guignol, utilizando ao máximo o artesanato interpretativo. "O pequeno palco do Crowne Plaza parece feito sob encomenda para esse projeto", comenta Maurício de Castro. Haverá também uma grande variedade de textos do gênero sendo encenados, o que estabelece um ciclo renovado em relação à programação original da sala de Paris. O espetáculo Farsas Libertinas, tendo nascido do estudo sobre o Grand Guignol, abre a programação.


Próximos espetáculos:

- A Amante do Gorila - Trata do tema da vingança dentro do contexto da gente de circo. A peça se passa na parte posterior de uma barraca, onde um estranho indivíduo fabrica "fenômenos da natureza" a partir de animais que ele mutila. Brilhante cirurgião transtornado por sua degeneração emocional, apaixona-se sem sucesso pela ex-amante de seu patrão. Procura resolver o revés amoroso com seus talentos científicos, desencadeando os acontecimentos que levarão a comédia a um funesto fim.

- A Lâmina Final - A coleção de um museu é enriquecida por uma guilhotina. A esposa de um dos funcionários arrasta seu amante para admirar a nova aquisição e procurar fortes sensações. Pede que ele apóie a cabeça na base-alvo da guilhotina, a qual entala dentro do mecanismo. Sente com isso uma estranha volúpia, ao abraçar seu amante assim, ameaçado pela morte. Mas o marido aparece no momento em que o amante não consegue tirar a cabeça da guilhotina. Neste caso, uma comédia é feita sobre um tema trágico.



Serviço
Projeto: Manufactura Suspeita da Meia-Noite

Espetáculo: Farsas Libertinas
Com a Cia. Atelier de Manufactura Suspeita
Dramaturgia, cenografia e direção: Maurício Paroni de Castro
Elenco: Bruno Kott, Cássio Santiago, Cris Perón, Diego Ruiz, Elisa Band, Fernanda Moura, Roberta Youssef, Ziza Brisola.
Diretor assistente: Mateus Parizi - Figurinos: Adriana Vaz Execução: Mário Hag
Projeto gráfico: Vincenzo Scarpellini - Trilha sonora/Luz: Maurício P Castro
Realização e produção: Atelier de Manufactura Suspeita
Estréia: dia 4 de março - sexta-feira - à Meia-noite - Até dia 30/04
Teatro Crowne Plaza - Rua Frei Caneca, 1360 - SP - Tel (11) 3289-0985
Temporada: sextas e sábados - à meia-noite - Duração: 1 hora
Ingressos: R$ 20,00 - Censura: 18 anos - Comédia do horror - 153 lugares
Estacionamento c/ manobrista: R$8,00 - Ar condicionado e acesso universal - Bilheteria: 3ª a 5ª. (16h às 21h), 6ª e sáb (16h à 0h) e dom. (16h às 20h)
Aceita somente cheque e dinheiro - Não faz reservas