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     TERCEIRO SETOR

Desenvolvimento sustentável:
especialista avalia que empresas não sabem seu papel


Por Daniele Próspero

"Desenvolvimento sustentável é aquele que é capaz de suprir as necessidades da geração atual sem comprometer a capacidade de atender às necessidades das gerações futuras. É o desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro". Essa é a visão de desenvolvimento sustentável, conceito que tem se espalhado por todo o mundo, para Gro Harlem Brundland, uma das principais líderes mundiais em questões envolvendo este tema e a saúde pública.

Além de ter sido a primeira mulher eleita Primeira Ministra da Noruega, cargo que ocupou de 1986 a 1996, e ter sido também Diretora-Geral da Organização Mundial da Saúde de 1998 a 2002, Gro presidiu a Comissão Mundial sobre o Desenvolvimento e o Meio Ambiente, que ficou conhecida como a Comissão Bruntland. O relatório final da Comissão, "Our Common Future", publicado em 1987, serviu como base para a realização da Eco92, no Rio de Janeiro, e para a criação da "Agenda 21" pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Em visita ao Brasil, para participar da entrega do Prêmio ECO 2005 (leia mais abaixo), Gro discutiu as principais questões sobre o tema de desenvolvimento sustentável. A partir de uma breve reflexão sobre os principais acontecimentos nos últimos anos em relação a este tema, a especialista lembrou que muitos países se preparam para a Eco92 levando propostas, num clima de ambição para progredir nas discussões sobre a questão da sustentabilidade, mas houve muitos desapontamentos nos outros 10 anos seguintes. "As dificuldades de realmente se fazer as mudanças necessárias propostas na época têm se revelado imensas nos países. Apesar da compreensão da importância de se agir, o ritmo dessas mudanças continua muito lento", garantiu Gro.

Ela acredita que o conceito de desenvolvimento sustentável está bem entendido pela sociedade, mas, porém, quando cada ator busca entender qual o seu papel nisso tudo, a compreensão fica difícil, e isso não ocorre. "Não está muito claro ainda para as instituições, empresas e pessoas o que fazer para se enquadrar neste processo e avançar. Há um processo ainda de ficar olhando para o lado, para ver o que os outros estão fazendo, ou esperando o governo agir".

No entanto, Gro destacou que, aquelas instituições que conseguiram entender o conceito e praticá-lo, estão procurando liderar as ações e motivar novas propostas. Ele acredita que alguns avanços já foram dados com acordos estabelecidos, como o Protocolo de Kyoto, recentemente, o que mostra uma abertura dos países para decretos internacionais sobre desenvolvimento sustentável, com efeitos positivos já estabelecidos. No entanto, é preciso ainda avançar para que países que exercem grande poder mundial, como os Estados Unidos, também assinem estes acordos. "Acredito que em 100 anos teremos mais ações que transpassem essas barreiras dos países", avaliou a especialista.

Gro acredita que, para um país chegar de fato há sustentabilidade, é preciso que um real processo democrático seja instalado nesta nação, com leis, acordos e políticas publicas efetivas. Quanto ao Brasil, por exemplo, devido a sua grande extensão e diversidade, ela acredita que seja importante o país não olhar somente para dentro, mas ter em mente o papel que desempenha frente aos seus países vizinhos, e verificar qual o impacto de suas ações. Alguns aspectos urgentes a serem considerados no Brasil, segundo Gro, seria a questão da Amazônia, a poluição, as formas alternativas de energia e a própria emissão de gases.

Outro ponto a ser considerado, na opinião de Gro, não somente no Brasil, mas todas as nações que buscam um desenvolvimento sustentável, é o estabelecimento de parcerias. A especialista destaca que, quando governo e empresas trabalham em conjunto, as ações são otimizadas, os resultados finais são muito mais positivos, com impactos maiores do que ações isoladas. Nesse cenário, ela acredita que as organizações não-governamentais desempenham um papel essencial, pois observam, avaliam e transmitem as discussões para as comunidades.

Para Gro, ações de desenvolvimento local são importantes para alavancar o desenvolvimento sustentável e o governo precisa estar atento a isso, oferecendo subsídios para empoderar os cidadãos a fim de que o desenvolvimento aconteça a partir de suas potencialidades e riquezas locais. No entanto, a especialista acredita que, apesar do tema do desenvolvimento sustentável ser urgente, não há uma única resposta ou ação que irá convencer a todos da sua importância. Será necessário, portanto, um conjunto de atividades, pensando nos problemas de aumento populacional e formas de consumo e estilo de vida da população mundial.


Fonte: www.setor3.com.br