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     TERCEIRO SETOR

Um excelente caminho pode ser aprender com as ações dos diversos setores sociais, transferindo e adaptando suas lições a outros lugares, e saber somar esforços, apoiando atividades já em curso nas áreas e regiões de atuação da empresa

Por Ilka Camarotti*

Os governos subnacionais (governos estaduais, municipais e organizações indígenas) têm assumido um papel importante no cotidiano das ações locais e, também nas ações bem-sucedidas de redução da pobreza. Entretanto, as administrações que sinalizam avanços e inovações no apoio e implementação de iniciativas de interesse público, demonstram um maior entendimento e vontade política em realizar um trabalho sinérgico com a população local, lideranças comunitárias, organizações não-governamentais e, em alguns casos, empresas privadas nacionais e transnacionais. Para muitos governos locais, de formação político-partidária variada, a busca de estratégias para a redução da pobreza está diretamente relacionada à construção de novos espaços públicos que possam agregar diversos atores sociais dentro de uma lógica cooperativa.

Nessa nova arquitetura institucional, a compreensão de uma visão mais ampliada em torno da pobreza, suas várias faces e caminhos a serem percorridos para sua superação, não somente está despontando como um reconhecimento à ausência, sobretudo de direitos (e, não unicamente à ausência de renda), mas também à ausência de conhecer e de valorizar demandas e saberes populares. Com isto, as populações empobrecidas, objeto das iniciativas dos governos locais, estão sendo assimiladas, pouco a pouco, como interlocutores e co-gestores na formulação, implementação e acompanhamento das ações. Sob esta trilha de visão ampliada em torno das pobrezas, seus possíveis enfrentamentos, e a importância de valorizar e de incorporar saberes e demandas populares às estratégias e práticas locais, a Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas, por meio do Programa Gestão Pública e Cidadania, vem demonstrando um interesse renovado em gerar conhecimento a partir de oficinas e seminários temáticos que privilegiem análises, linguagens e aprendizagens múltiplas e ancoradas à realidade do território (aqui, entenda-se território como fonte de informações, espaço de articulações horizontais e verticais e campo de ações concretas).

Nesta trilha de múltiplos olhares e aprendizagens, há o reconhecimento sobre a importância de todos os atores públicos, não-governamentais e privados se unirem frente ao agravamento das condições de vida da maioria da população brasileira. Assim, pretendendo contribuir com essa sensibilização ampliada, o Programa Gestão Pública e Cidadania juntamente com o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, somaram esforços e publicaram no ano passado, um manual intitulado: "o que as empresas podem fazer pela erradicação da pobreza". É preciso esclarecer que não se trata de um manual com regras e modelos prontos, perfeitos e acabados. Na verdade, é uma contribuição singela - face à dimensão do problema a ser enfrentado - mas que ao nosso ver, é um estímulo para a participação do setor empresarial no processo de mudança da sociedade brasileira, numa perspectiva de desenvolvimento econômico com justiça social. Somos utópicos? Certamente, viva! Mas, também somos realistas ao apresentarmos, nessa publicação, exemplos concretos da variedade de ações possíveis que vêm sendo implementadas, pelas empresas, nos mais distantes pontos geográficos do nosso país. Buscar as ações dos diversos setores sociais e aprender com elas, transferindo e adaptando suas lições para outros lugares e, saber somar esforços, apoiando atividades já em curso nas áreas e regiões de atuação da empresa, pode ser um excelente caminho para a erradicação da pobreza. E isso, não apenas pelo aumento dos recursos humanos e materiais envolvidos, mas, sobretudo, pela construção da solidariedade e de um agir cívico e coletivo responsável. Certamente a erradicação da pobreza está vinculada ao desempenho da economia nacional e, por isso, depende fortemente da ação dos diferentes níveis de governo (federal, estadual e municipal). Mas as múltiplas iniciativas empresariais que podem ser implementadas para a redução das desigualdades, como também, a participação ativa de outros setores da sociedade, terão papel decisivo para reabilitar a nossa utopia de termos um país com desenvolvimento econômico aliado à justiça social.


* Ilka Camarotti é uma das coordenadoras do Programa Gestão Pública e Cidadania da FGV -EAESP. Artigo publicado no jornal Valor Econômico em 27 de fevereiro de 2004.


Fonte: http://integracao.fgvsp.br/opiniao.htm