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     TERCEIRO SETOR
Parceria entre Senac São Paulo e Universidade Johns Hopkins (EUA) promove Programa de Formação de Multiplicadores do Terceiro Setor

Por Daniele Próspero (23/9/2003)

O Senac São Paulo traz para o Brasil, em parceria com a Universidade Johns Hopkins, o Programa de Formação de Multiplicadores do Terceiro Setor, que já é desenvolvido pela instituição norte-americana em outros sete países, como Rússia, Polônia, Hungria, Bulgária, Eslováquia, Eslovênia e República Checa. A primeira fase do programa teve no último dia 22/9 com a visita de Carol Wessner, diretora-assistente do Programa de Educação e Treinamento de Organizações Sem Fins Lucrativos do Centro de Estudos da Sociedade Civil da Johns Hopkins University.

A proposta foi analisar quais são as principais necessidades do Senac relacionadas a capacitação de multiplicadores para potencializar o trabalho das organizações parceiras e também apresentar as dificuldades enfrentadas pelas ONGs no dia-a-dia de seus trabalhos.

Segundo Jorge Duarte, gerente da unidade do Senac especializada em Terceiro Setor, a intenção é desenvolver em conjunto uma metodologia própria e sistematizada, tendo como diferencial dois temas: o desenvolvimento local e o investimento social para as organizações não-governamentais em rede. Ele explica que a partir deste levantamento, a universidade irá adaptar o seu programa de acordo com os anseios apresentados no Brasil e apresentará uma proposta de trabalho ao Senac.

O curso, que está dividido em seis módulos, está previsto para acontecer entre maio e junho de 2004, e irá fortalecer técnicas de treinamento e aprofundar temas relevantes ao Terceiro Setor.

Para tomar contato com a realidade das organizações brasileiras, Carol participou de um reunião com as 25 ONGs que tiveram seus projetos selecionados para a última fase (incubação) do Formatos – programa que capacitou 500 representantes de organizações de base comunitária da cidade de São Paulo e tratou de temas relacionados à gestão dessas ONGs.

Durante o encontro, Carol pôde conhecer quais as principais ações que essas organizações estão desenvolvendo, suas dificuldades e projetos futuros. A representante da Johns Hopkins confessou que ficou impressionada com a paixão, o comprometimento e a determinação demonstrados pelas organizações sociais brasileiras. "Há uma intensa boa vontade das pessoas em acatarem novas idéias e o empenho que todos parecem dispor para seus trabalhos no país é enorme". Para a diretora, a capacitação aparece como elemento fundamental na ampliação destas atividades. "A organização precisa ter habilidades administrativas para saber desenvolver um planejamento estratégico, construir parcerias dentro e fora do setor e ser capaz de avaliar seus trabalhos", comentou.

Relato de experiências

Os representantes de organizações sociais falaram sobre o processo de capacitação do Formatos e a aplicação desse conhecimento na prática. José Carlos Moura, da Associação Bereana, disse que conquistou novas parcerias, pois agora sabe como desenvolver um projeto e apresentá-lo corretamente aos financiadores. "O desafio maior é reunir a diretoria e montar um planejamento estratégico. Falta trabalhar ainda essa cultura", apontou. Na opinião de Julio Roberto Lima, do Instituto Beneficente Casa da Passagem, a experiência do formatos foi o primeiro passo para a profissionalização da ONG. "O conhecimento não estava disseminado. O curso permitiu uma série de ações que não tínhamos visão. Hoje temos um roteiro a seguir".

Quanto aos procedimentos utilizados para a avaliação das atividades, os dirigentes das organizações acreditam que houve um salto da informalidade para ações efetivas. Na Comunidade Indígena SOS Pankararu, por exemplo, a avaliação, que antes era feita pelos pagés, foi atualizada e agora segue critérios financeiros e de desenvolvimento do público atendido. A Associação Eco Pontos, que trabalha com formação de cooperativas de reciclagem, mudou a sua comunicação visual e procedimento logístico para otimizar o serviço após um resultado negativo da avaliação feita junto aos moradores atendidos pelas cooperativas.

Para Carol, é preciso, além de levantar estes dados, que a organização utilize as informações e resultados para melhorar ainda mais a sua atuação. Além disso, a americana acredita que a formação de colisões e redes de contato, entre ONGs, empresas e governo são de grande relevância na busca de soluções sustentáveis para os problemas da sociedade.

"O primeiro passo vem justamente por meio desse contato. Temos muito para nos auxiliarmos e fazermos ações em conjunto. É a possibilidade de aprendermos e ampliarmos os recursos", opinou Patrícia Cenacchi, da Associação Novo Encanto de Desenvolvimento Ecológico. Para Patrícia, as dificuldades enfrentadas pelas organizações são parecidas. "As entidades mais jovens têm de enfrentar o problema da sustentabilidade, da estruturação. Já as mais antigas, precisam descobrir como ser uma nova voz para mudar velhos conceitos e estigmas".

Desta forma, Carol acredita que a maneira para superar os desafios do trabalho, já que o Terceiro Setor é ainda uma área nova a ser explorada, seria utilizar modelos que estejam funcionando bem em outros países e que possam ser aplicados no Brasil. Ela disse também estar surpresa com o grande número de ONGs mantidas por trabalho voluntário. "Isso é um sinal de que o Terceiro Setor não está tão avançado no Brasil como imaginava. Os voluntários são importantes, mas é preciso equilibrar. É necessária a atuação de profissionais especializados para promoverem um suporte e apoio a esse grupo de pessoas".

O Programa de Formação de Multiplicadores irá oferecer treinamento para 10 educadores do Senac e mais 10 vagas para organizações, empresas e fundações que tenham interesse em realizar parceria com o Senac para a capacitação de seus profissionais. Informações com Sérgio de Oliveira e Silva: (11) 6647-5151.


Fonte: www.setor3.com.br