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     TERCEIRO SETOR

Congresso aponta formas inovadoras de captar recursos para organizações sociais

Por Laura Giannecchini

Pensar na captação de recursos como algo que vai além de arrecadação de dinheiro foi o recado deixado por Célia Cruz, diretora da Ashoka para o Brasil e Paraguai, durante a palestra Idéias Inovadoras de Mobilização, que aconteceu no dia 2 de outubro, durante o II Congresso de Captação de Recursos e Sustentabilidade para Organizações Ligadas a Instituições Religiosas, promovido pelo Instituto Presbiteriano Mackenzie.

A consultora disse que traçar alianças estratégicas, obter apoio da mídia, realizar parcerias com empresas privadas, outras organizações sociais e também com o poder público, além de mobilizar voluntários para que se comprometam com a causa da organização, e conquistar a doação de serviços e materiais pode ser mais eficiente para uma organização do que pedir dinheiro diretamente a doadores individuais.

Célia exemplificou a teoria, citando o caso da própria organização que dirige. A campanha de mídia da Ashoka custaria R$ 12 mil. Graças a uma parceria estabelecida com uma agência de comunicação, a campanha foi feita gratuitamente. A entidade mantém ainda parcerias com duas assessorias - uma jurídica e outra contábil -, com experiência no Terceiro Setor. Para ela, o ideal é conseguir parcerias comprometidas com a causa da organização, porque isso garante que elas perdurem no longo prazo.

A diretora da Ashoka avalia que uma das alianças mais estratégicas é obter o apoio dos meios de comunicação. Ela explica que conquistar a mídia para divulgar eventos e causas é importante para educar a sociedade em geral. "Essa talvez seja a aliança mais estratégica que uma organização pode conseguir, já que a mídia pode disseminar o conceito da ONG e gerar um impacto muito mais amplo. Além disso, quando você diz a um determinado parceiro que já conseguiu o apoio da mídia, é mais fácil conseguir novas parcerias", afirmou.


Exemplos inovadores
Nos últimos dez anos, de acordo com Célia Cruz, as organizações sociais brasileiras deram um salto qualitativo em seu trabalho. No entanto, em termos de geração de renda, as organizações ainda precisam se desenvolver muito.

Ao contrário do que acontece em países como os Estados Unidos, onde as organizações obtêm muitos recursos através de doações, no Brasil, as ONGs não são grandes geradoras de renda.

Dado o contexto social do país, a consultora acredita que as organizações precisam se tornar cada vez mais inovadoras no que diz respeito à geração de renda. E que, ao invés de serem dependentes dos doadores, devem procurar formas alternativas de se auto-sustentar. Ela ainda considera importante que as organizações ajudem as comunidades nas quais estão inseridas a gerarem renda.

Alinhar o projeto de geração de recursos com a missão da organização não-governamental, segundo Célia Cruz, é fundamental. E esse é um grande desafio. Como exemplo de organizações que conseguiram isso, a consultora citou o caso do Projeto Quixote, que trabalha com adolescentes em situação de vulnerabilidade social, na zona Sul de São Paulo.

Por meio do grafite, a ONG promove o resgate da auto-estima desses jovens. Para gerar renda, os meninos e meninas atendidos grafitam tapumes, que são vendidos para construtoras. Parte da renda é revertida para a organização e o restante fica com os próprios adolescentes.

Outro exemplo é o caso da Associação Rodrigo Mendes, que atende deficientes físicos, oferecendo cursos de pintura com a boca. O material produzido pelas pelos portadores de deficiência são transformados em capas de cadernos, além de estampas de xícaras e outros produtos. 20% da renda obtida é destinada para o autor; e 80% fica com a organização.

Um outro caso bastante curioso de geração de renda apresentado pela consultora foi o desenvolvido pela Obra do Berço, uma organização que apóia crianças e adolescentes em São Paulo. Em parceria com grandes empresas, a ONG promoveu um bingo beneficente. Cada uma das empresas que patrocinava do evento "comprava" um número ou uma letra do bingo por R$ 1000,00. Durante todo o evento, a cada número cantado, anunciava-se o nome da empresa associada. Em uma noite, a organização arrecadou R$ 300 mil.

O interessante é que essa técnica foi adaptada para uma organização de base comunitária do Jardim Ângela, também na zona sul da cidade. A organização conseguiu o apoio de comerciantes locais, inclusive dos donos de botecos, que passaram a compreender o papel da organização. O valor das cotas de patrocínio era bem mais baixo. Mas o evento funcionava da mesma forma.

Talvez o resultado mais importante não tenha sido tanto a geração de renda, mas o fato de o dono de um dos botecos ter desistido de vender bebidas alcoólicas à comunidade para contribuir com a redução dos índices de criminalidade. A partir do evento, ele trocou seu principal produto, as doses de cachaça, por marmitas.



Fonte:www.setor3.com.br