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     TERCEIRO SETOR
Programa Igual Diferente do MAM promove inclusão social de jovens portadores de deficiência por meio da arte

Por Daniele Próspero

Escultura, fotografia, xilogravura, entre tantas outras técnicas artísticas, ganham novos significados e formas pelas mãos de mais de 200 crianças, jovens e adultos, muitos deles portadores de deficiência mental atendidos por instituições de saúde e de educação, que passam pelos cursos promovidos pelo "Programa Igual Diferente", desenvolvido pelo Departamento Educativo do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM). Seja no ateliê, na biblioteca ou na sala de exposições, que recebe mostras de diversos artistas, o aluno é estimulado a produzir e a apreciar a arte. Esse conjunto de atividades contribui para a inclusão social desses jovens.

"O diferencial é que não estamos propondo uma extensão de nenhum tratamento de saúde. Não é arte-terapia. Estamos encarando a arte em si, oferecendo um curso da mais alta qualidade que somos capazes de produzir. Mas, por sermos uma instituição fora do sistema de saúde, isso cria uma atmosfera interessante e rica, o que causa uma melhora na vida do indivíduo. Desenvolvemos o percurso criador pessoal de cada um dos alunos nos cursos", explica Ana Maria Caira Gitahy, coordenadora de projetos especiais. Ela afirma que a proposta é fazer com que as pessoas se aproximem cada vez mais da arte e percebam os benefícios que isso pode trazer.

Desde 1996, quando foi inaugurado, o Departamento Educativo planejou sua ação com o objetivo de atingir todos os setores e segmentos da sociedade, com a idéia de criar um museu de portas abertas a todas as pessoas, sem distinção. Um dos primeiros projetos desenvolvidos foi o curso "Prática Artística Paratodos", que trabalha com pessoas portadoras de deficiência mental integradas com os demais alunos do curso. A partir de 2002, o Museu estabeleceu um contato mais estreito com organizações não-governamentais da região, e passou a desenvolver projetos para o "Programa Igual Diferente".

"Traçamos alguns conceitos para o programa, como: construir e difundir esse conhecimento. O princípio que norteia o programa é criar grupos heterogêneos, onde pessoas com necessidades especiais tenham contato e convivam com todos", afirma a coordenadora.

Hoje são realizados nove cursos de artes em parceria com diversas ONGs e instituições que atendem pessoas portadoras de deficiência. Com a Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de São Paulo), o MAM promove o curso "As exposições como Eixo", e um outro de formação e aprendizagem de artes para os professores da instituição.

Neste ano, o curso terá um grupo misto de alunos adolescentes e do envelhecimento (idosos) atendidos pela Apae. Além de participarem das atividades, os jovens são multiplicadores da experiência na instituição. Na opinião de Ana Maria, a proposta é revolucionária, já que dificilmente as pessoas imaginavam que uma pessoa portadora de deficiência mental pudesse sair do papel de aluno e se tornar educador. "O interessante é que isso despertou a vontade e desejo neles para se tornarem professores de informática, dança...".

Os cursos e as parcerias foram se aprimorando ao longo do tempo e ganharam novo foco, como o trabalho desenvolvido em conjunto com a Casa de Saúde São João de Deus, que atende pacientes psiquiátricos. No início, a parceria previa um curso de cerâmica. Hoje, as atividades são para a produção de esculturas de grande porte. Com o Centro de Atenção Psicosocial Professor. Luiz da Rocha Cerqueira (CAPS), o curso de pintura deu lugar a um de produção de painéis. O grupo planeja, reflete e executa painéis de autoria coletiva. Um dos painéis realizados pelos alunos, por exemplo, foi exposto no ambulatório do CAPS e nas estações de Metrô em São Paulo.

A coordenadora relembra os diversos desafios enfrentados pelo grupo para a produção dos painéis. Ela relata que a realização de uma obra coletiva se torna um grande obstáculo a ser superado pelos pacientes psiquiátricos devido a suas dificuldades de relacionamento. "Mas o trabalho ficou maravilhoso e conseguimos torná-lo obra pública. Temos uma preocupação grande em conseguir espaços e a permanência desses trabalhos pela cidade. A partir do momento que você consegue endereçar essa obra para o mundo, estimula os alunos a continuarem a produzir".

O MAM promove ainda o curso de pintura, xilogravura e colagem para adultos e o de linguagens e técnicas alternativas em fotografia para os pacientes do CAPS do Butantã, além de aulas de gravura e pintura em parceria com o Hospital Psiquiátrico Juquery. Já o projeto "Prática Artística Paratodos" oferece curso que vão da pintura à escultura em conjunto com a Transformar - Associação para o Desenvolvimento do Portador de Deficiência.

A experiência de sucesso do "Programa Igual Diferente" será apresentada em junho deste ano na Conferência Educacional do evento "2004 Internacional VSA Arts Festival".


Serviço

Museu de Arte Moderna de São Paulo - Programa Igual Diferente
Endereço: Parque Ibirapuera, s/nº - Portão 03 - São Paulo
Telefone: (11) 5549-9688
E-mail: igualdiferente@mam.org.br
Site: www.mam.org.br


Fonte:www.setor3.com.br