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     TERCEIRO SETOR

Doações na Inglaterra e no País de Gales somam R$ 35,5 bilhões

Por Adriana Stock da BBC Brasil

Europeu teria 'sentimento de culpa' com ex-colônias

Instituições de caridade da Inglaterra e do País de Gales arrecadaram cerca de 7 bilhões de libras (R$ 35,5 bilhões) em doações individuais no ano passado, segundo dados da Comissão de Caridade, que regula o setor nos dois países. O valor é o equivalente a cerca de 3,2% do PIB brasileiro.

A forma mais comum de levantar fundos foi por meio de coleta nas ruas, pedidos de porta em porta, compra de rifas ou bilhetes lotéricos, e aquisição de produtos em lojas de caridade.

A média mensal das doações foi de 13,5 libras (R$ 68,50), sendo que as mulheres contribuíram mais do que os homens.

A receita total das 186 mil entidades registradas nos dois países foi de 31 bilhões de libras (R$ 157,5 bilhões). Parte dos recursos provém de bolsas do governo e de retornos de investimentos no mercado financeiro.


Concentração

Sush Amar, porta-voz da Comissão de Caridade, diz que a maioria das entidades registradas tem uma receita anual de 10 mil libras ou menos (R$ 51 mil). Elas representam em torno de 60% das instituições registradas, mas têm menos de 1% da receita total.

As 463 maiores entidades (apenas 0,28% das registradas) atraem acima de 45% da receita total.

Também ocorre uma concentração em relação às doações. Um terço dos doadores dá cerca de 5 libras (R$ 25,50) por mês, o que gera menos de 4% do total de contribuições.

Já um pequeno número de doadores (7,6%) coopera com 50 libras (R$ 255) por mês, 60,5% do total de contribuições.


'Compensação'

O apoio é dado a diferentes causas, mas entre as principais estão pesquisa médica (24,1%), ajuda a crianças e adolescentes (20,5%) e proteção de animais (10,9%).

Há um grande auxílio para países pobres e locais onde ocorreram desastres naturais, como enchentes e terremotos.

Alexandre Menezes, responsável pelo programa do Brasil na Christian Aid, em Londres, afirma que os europeus reagem "muito positivamente" a esses apelos.

"Nós vemos muito disso aqui. Há muitos apelos para países pobres da África e da América Latina. Essa reação é, em parte, uma forma de devolução ou compensação financeira a países que foram colonizados por eles no passado", comenta.

A Kanitz & Associados, que presta consultoria na área social para empresas (o chamado Terceiro Setor), lista algumas razões para que os países ricos arrecadem mais: pressão dos grupos para que as pessoas façam doações, culpa e obrigação para retribuir as melhores condições de vida e prazer em ajudar o próximo.


Brasil

De acordo com a Kanitz & Associados, o Brasil é um dos países que menos doa recursos filantrópicos no mundo. A média de contribuições é de R$ 23 ao ano.

Rubens Naves, presidente da Fundação Abrinq, diz que a capacidade contributiva do brasileiro é muito pequena em comparação com os países mais desenvolvidos.

Além disso, a tradição de responsabilidade social também é muito recente no país, segundo Naves.

"As questões sociais eram consideradas obrigações do Estado e a tradição, desde o tempo colonial, era que a elite se utilizasse dos meios públicos para se beneficiar."

Para a Kanitz & Associados, as doações são poucas porque as entidades brasileiras simplesmente não pedem dinheiro. Há também o receio da população sobre a idoneidade das instituições.

Não é para menos. Em 2001, uma operação pente-fino do governo revelou diversas irregularidades em organizações filantrópicas brasileiras, como, por exemplo, o desvio de dinheiro para remuneração de diretores.

As investigações envolveram uma das maiores instituições do Brasil, a Legião da Boa Vontade.

O escândalo resultou no Marco Legal do Terceiro Setor, uma tentativa de regulamentar as instituições e controlar os fluxos financeiros.

Atualmente, a fiscalização dessas entidades beneficentes é feita pelo Ministério da Previdência Social e pela Receita Federal.


Transparência

"Inexiste uma profissionalização das entidades no Brasil, com estratégias de captação de recursos e divulgação dos retornos e prestação de contas. Se você tem uma forma clara de engajamento, você tem uma resposta por parte da sociedade e dos empresários bastante satisfatória", afirma Naves. Mas Menezes vê uma melhora na transparência das instituições filantrópicas brasileiras. "Hoje quase todas fazem auditoria externa e são fiscalizadas pelos órgãos competentes. Há rigor para o cumprimento da lei. Muitas até publicam o balanço em jornais."

"Na medida que houver mais visibilidade das ações das entidades na área social, a tendência é que as doações aumentem", prevê Naves, da Fundação Abrinq, que tem 6 mil doadores entre pessoas física e jurídica.

De acordo com a Kanitz & Associados, a maioria das entidades é séria e eficiente.

A consultoria faz uma pesquisa anual de títulos protestados e ações judiciais contra todas as entidades registradas no país.

Apenas 2% apresentam problemas, o que, segundo a empresa, é um risco com que a sociedade precisa "conviver".

A consultoria aconselha que as pessoas não façam doações por impulso e que se certifiquem que a entidade é auditada por uma empresa conhecida e respeitada.

É possível fazer uma consulta no site do Ministério da Previdência ou no portal da Kanitz & Associados, que tem um banco de dados com as melhores instituições filantrópicas no país.

O ideal é começar doando uma pequena quantia e, então, ir aumentado os valores.

"No Brasil, na medida que houver mais visibilidade das ações das entidades na área social, a tendência é que as doações aumentem."
Rubens Naves, presidente da Fundação Abrinq