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     TERCEIRO SETOR

Especialistas discutem em evento, a Educação para a Diversidade Cultural em São Paulo

Por Laura Giannecchini

A abertura do seminário "Educação para a Diversidade Cultural", organizado pelo Senac, em parceria com o Conselho Estadual Parlamentar das Comunidades de Raízes e Culturas Estrangeiras (Conscre) e a Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo no dia 25 de novembro contou com a presença de Claudia Costin, secretária de Estado da Cultura do Governo do Estado de São Paulo, Reskalla Tuma, presidente do Conscre, Cláudio Luiz de Souza Silva, gerente de desenvolvimento do Senac de São Paulo, e Alberto Mikewitz, do Conscre.

Durante o seminário foi anunciado o estabelecimento da Rede Educação para a Diversidade, da qual o Senac será o mediador. Essa rede representa um projeto ambicioso, na avaliação de Alberto Mikewitz, porque pretende melhorar a sociedade, promover o conhecimento das pessoas e estabelecer métodos para que cada criança brasileira conheça suas próprias raízes. De acordo com Alberto, a rede está aberta a todas as organizações que acreditam que o Brasil tem que ser melhorado a partir "da educação, do conhecimento e orgulho de nossas raízes, do auto-respeito e do respeito pelo outro". Ele afirmou que um dos primeiros passos da Rede deve ser a realização de uma apostila voltada para crianças das escolas públicas de São Paulo, para que aprendam a pesquisar suas próprias raízes e culturas.

Durante a abertura do evento, os convidados ofereceram ainda alguns conceitos para a reflexão durante todo o seminário. A secretária Cláudia Costin disse que, apesar de o Brasil ser um país rico culturalmente, o Estado de São Paulo corre um grande risco de desenraizamento.

Isso porque, de certa forma, o desenvolvimento destrói laços de pertinência das pessoas. "As pessoas consideram que para se inserirem no processo de desenvolvimento é importante romper laços com suas culturas de origem", avaliou. Mas quando o migrante ou estrangeiro chega ao Estado, ele precisa colocar "algo novo" no lugar de sua cultura de raiz. E, assim, a maioria das pessoas busca padrões de cultura que os meios de comunicação passam como "legítimos". Para Claudia, no entanto, é fundamental que as pessoas comecem a se reconciliar com suas origens culturais.


"Unidade na diversidade"

Outro ponto levantado pela Secretária em sua exposição foi o relatório Morin. Lançado no final dos anos 90, o relatório apresentava quatro pilares adotados pela Europa unificada como fundamentais para uma educação profunda. São eles: aprender a ser (a construir sua identidade em paz com suas raízes); aprender a fazer (pensar em que oferta você se constitui para a sociedade, como você pode contribuir); aprender a aprender (aprender a ser um aprendiz permanente); e aprender a viver junto, aprender a conviver.

Ela considera esse relatório muito importante e disse que o aprendizado da convivência é necessário em todo o mundo. Segundo Cláudia, a reposta mais fácil e menos correta para superar essa dificuldade seria "todo mundo ser igualzinho", abandonando as diferenças de vestimenta, ritos, religiões etc. Mas, ela considera que esse desenraizamento é "criminoso, é jogar fora a nossa história", pois "o desafio mais bonito que a humanidade tem na mão é aprender junto, sendo que somos diferentes. É aprender a unidade na diversidade".

A secretária considera que, para se alcançar esse desafio, é necessário fazer um trabalho forte com os educadores das escolas públicas e privadas, para que eles tragam elementos de tolerância e diversidade para sala de aula.

Nesse sentido, ela congratulou a iniciativa da criação da Rede Educação para a Diversidade porque acredita que pode ser um bom início. Mas lembrou que é preciso estar atento para trabalhar para a inclusão não apenas de todas as etnias, mas também de outras minorias, como os portadores de necessidades especiais.


Busca das origens

Reskalla Tuma, presidente do Conscre, atentou para a necessidade de se levantar a bandeira das "diferenças em um só lugar para o bem comum", ponto de partida do Conscre.

Na sua opinião, o Brasil pode ser definido como uma "epopéia de encontros de raízes de culturas" e afirmou que "a ingerência da imigração e de seus descendentes é que formam o espírito de brasilidade". Por isso, defendeu que ninguém abandone suas raízes, suas culturas e seus costumes.

Daqui para frente, ele disse: "não é possível admitir que alguma nação cometa crimes de lesa-humanidade". Mas alertou que os povos que já promoveram matanças não devem se envergonhar; devem entender esses fenômenos como períodos históricos, que já foram superados.

Nesse sentido, Reskalla disse que é fundamental promover o diálogo entre as diversas comunidades que vivem no Brasil e transformar esse diálogo em um modelo para o mundo. Na sua opinião, a educação para a diversidade cultural deve começar pelas crianças, mas deve ser assumida também como uma tarefa para os adultos. "Senão isso não frutificará", justifica.


Potencial da Rede Social

Cláudio da Silva, gerente do Senac, afirmou que o potencial das redes sociais é grande porque elas tendem a ser permanentes e promover o desenvolvimento sustentável integral - não só econômico e ambiental, mas inserindo também o conceito da diversidade cultural.

Ele traçou também um paralelo entre a diversidade biológica - fundamental para que se tenha ecossistemas saudáveis -, e a diversidade cultural, dizendo que ela é essencial para a existência de comunidades sustentáveis, "que possam se desenvolver e incluir nesse desenvolvimento a inclusão social, a busca da diminuição da pobreza, a justiça social e da relação das pessoas com mais harmonia". O gerente reforçou ainda o convite para que mais organizações interessadas fizessem parte da Rede



Fonte:www.setor3.com.br