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     TERCEIRO SETOR

Comunicação para o desenvolvimento sustentável


Por Joana Moscatelli

Conscientizar, educar e promover a cidadania da população ribeirinha da Amazônia Central Brasileira. Além disso, contribuir para a disseminação de uma cultura que valorize o desenvolvimento sustentável da região. São esses os objetivos do projeto-piloto desenvolvido pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM) e pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) nas reservas de Mamirauá e Amanã, localizadas no estado do Amazonas.

Utilizando oficinas de capacitação em comunicação popular, a iniciativa pretende oferecer instrumentos e informações para que a própria população local atue como agente das transformações da região e preserve de forma inteligente o meio ambiente onde vive.

A idéia é formar uma rede de comunicadores comunitários capaz de transmitir informações de interesse local, valorizando assim a cultura tradicional da região. Além disso, o trabalho fortalece a gestão e a organização comunitária para a produção de suas atividades econômicas.

Segundo Thiago Antônio Figueiredo, do Instituto Mamirauá, a comunicação tem um papel estratégico para a essa região, marcada pelas dificuldades de mobilização geográfica, sendo os rios as únicas vias de acesso entre as comunidades. Ele considera que a comunicação é de grande importância para interligar a população dessas áreas entre si e com o mundo. Assim sendo, nada melhor do que criar “redes de comunicação alternativas e/ou comunitárias para dar agilidade e continuidade aos trabalhos que são desenvolvidos por esses moradores, além de inseri-los como sujeitos ativos de um novo desenvolvimento mundial”.

Em novembro de 2004, teve início o primeiro curso, composto por quatro módulos com duração de uma semana, cada. Atualmente, a capacitação está em seu terceiro módulo, contando com uma média de 20 alunos. Nessa fase, os participantes assistem a aulas sobre comunicação comunitária.

Além dos moradores de seis comunidades diferentes da região, podem participar estudantes de escolas públicas da cidade de Tefé, no estado do Amazonas. As aulas são ministradas no Centro Itinerante de Educação Ambiental e Científica (Cieac), que fica no Lago Tefé, por professores e estudantes da Ufam e profissionais do Instituto Mamirauá. Segundo Figueiredo, existe uma proposta para transformar futuramente a iniciativa em um curso de extensão para os alunos do curso de Comunicação da Ufam.


Criação de meios de comunicação comunitários

O treinamento envolve ensino de linguagem adequada para jornal mural e linguagem radiofônica, além de técnicas para criação de vinhetas, matérias e pautas. O primeiro módulo de atividades contou com uma breve introdução à teoria da comunicação, bem como debates sobre a importância da comunicação para o desenvolvimento social e cultural da região. Com o fim dessa etapa, a turma promoveu uma ação de conscientização sobre o destino do lixo nas areias da orla da cidade de Tefé.

A segunda fase do curso aconteceu em fevereiro deste ano e buscou trabalhar a expressão escrita dos participantes, com elaboração de reportagens sobre temas importantes para a sociedade rural e urbana. As matérias, produzidas na íntegra pelos alunos, deram origem ao jornal mural e ao jornal impresso “O Comunicador”, além de dois programas de rádio para a Rádio Rural de Tefé. Nesse módulo, um dos principais desafios do projeto foi lidar com o baixo grau de instrução dos alunos, que em muitos casos têm apenas o ensino fundamental.

O jornal "O Comunicador", nome sugerido pelos participantes, tem o intuito de divulgar as informações de interesse da população das reservas Mamirauá e Amanã. Segundo o editorial da segunda edição do periódico, o objetivo é ser um meio de comunicação, entretenimento e ajuda para a população local. A publicação é trimestral e conta com informações sobre reuniões comunitárias, eventos, cultura e lazer. Além disso, busca difundir ações e informações de incentivo à preservação ambiental e ao desenvolvimento sustentável da região.

A criação de formas alternativas de comunicação é um dos principais objetivos da iniciativa. Através da criação de meios de comunicação comunitários como rádios e jornais, a luta dessa população passa a ser reconhecida de alguma forma. Esses veículos são uma maneira de divulgar todo um esforço que vem sendo feito em prol de uma conservação ambiental e da melhoria das condições de vida da população local.

Um exemplo disso é a Rádio Poste, criada na comunidade Boa Esperança, que fica na Reserva Amanã. A rádio funciona com duas "bocas" de ferro ligadas a um aparelho de som convencional com microfone. Ela divulga notícias de interesse local, como avisos sobre reuniões e informações sobre pesquisas desenvolvidas na região. Também retransmite notícias veiculadas em emissoras convencionais, como a Rádio Educação Rural de Tefé.

A fim de analisar o impacto do projeto, o último módulo do curso consiste em uma visita às seis comunidades onde vivem os alunos. A partir dessa avaliação, que deve acontecer em setembro, a intenção é transformar os alunos formados em instrutores e multiplicadores para as novas turmas a serem formadas.


Fonte: www.rits.org.br