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     TERCEIRO SETOR
ONGs de base com deficiência na gestão têm menos chances na hora de captar recursos

Daniele Próspero

Embora o investimento de institutos e fundações em projetos sociais tenha aumentado significamente nos últimos anos no Brasil , as organizações não-governamentais ainda enfrentam uma série de dificuldades para obtenção de linhas de financiamento junto à iniciativa privada. Falta de recursos humanos, infra-estrutura, capacitação, planejamento, são deficiências que as ONGs precisam vencer na hora de captar recursos para suas causas.

A situação se torna ainda mais crítica para as chamadas organizações de base comunitária - associações que geralmente são carentes de recursos de toda natureza - que permanecem na faixa das excluídas. A Associação Beneficente Família Unida Progressiva, instalada no Conjunto Habitacional Rincão, na zona leste de São Paulo, é um exemplo de organização de base que vive essa realidade. Apesar de já atuar há cinco anos na região, a ONG ainda não possui apoio financeiro de empresas e nem de parcerias com poder público. Atualmente, a associação promove recreação para crianças, aulas de alfabetização de adultos, grupo de terceira idade e tem alguns convênios com programas do governo, como o que prevê a entrega de leite.

Todas as atividades são realizadas por moradores-voluntários. Gilvanete dos Santos Silva Reis, presidente da Associação, diz que "disposição a equipe tem de sobra". Mas o que está faltando é capacitação e conhecimentos necessários para elaborar corretamente um projeto e apresentá-lo a um possível financiador. "A idéia nós temos, mas não sabemos colocar no papel. Agora, vamos contar com a ajuda de algumas pessoas para melhorarmos isso. Aí sim vamos bater de porta em porta".

A falta de conhecimento por parte dos voluntários não é o único problema vivido diariamente pela ONG. A infra-estrutura, segundo Gialvanete, é outro fator preocupante - a Associação possui um único salão para a realizar suas atividades. "Temos muita vontade de crescer, mas o governo não dá apoio. Se uma empresa ajudasse, as outras parcerias viriam mais rapidamente. Mas isso fica difícil porque somos pequenos", diz. O motivo para essa "exclusão" das entidades de base seria, na opinião de Gilvanete, resultado de más ações promovidas por outras organizações "sem índole". "Aí acaba gerando desconfiança e nós ficamos sem credibilidade".

Para outras organizações que já conseguiram capacitar seus profissionais, as dificuldades são outras. Apesar de terem um bom nível de informação sobre novos concursos de projetos- seja pela mídia, contatos com outras organizações reunidas em redes ou o famoso "boca boca" -, o difícil, no entanto, é conseguirem elaborar as propostas nos prazos estabelecidos pelos editais. "Eu tenho conhecimento técnico e várias idéias, mas não consigo dar conta de tudo porque, além de escrever os projetos, tenho diversas outras responsabilidades a cumprir", comenta Diane de Oliveira Pedial, presidente da organização Casa dos Meninos, localizada no Jardim São Luís, bairro da zona sul de São Paulo.

A Casa, que trabalha com o protagonismo juvenil, conta atualmente com quatro empresas parceiras e convêniois com os governos municipal e estadual para a realização de oficinas culturais, projeto Espaço Gente Jovem (EGJ), alfabetização de adultos, educação ambiental, entre outras ações. Segundo Diane, o que falta ainda para a Casa dos Meninos conquistar mais apoio é planejamento e organização interna, além de recursos humanos.

Saber definir claramente o que se quer e tentar driblar algumas burocracias dos editais de convocação dos agentes financiadores são algumas dicas da presidente da ONG. "Apesar disso tudo, temos um princípio ético de só participar de seleções e desenvolver projetos que tenham a nossa cara. Discutimos profundamente se vale a pena, procuramos saber quem são os patrocinadores, de onde vem o dinheiro e quais são os valores do apoiador", afirma Diane.


Contradição

Se para algumas ONGs o investimento em capacitação significa conquista de novas parcerias, para outras, que já trilharam esse caminho, a gestão profissional passa a ser um dificultador para atrair o financiador. A organização Gotas de Flor com Amor, que atende a mais de 300 crianças e adolescentes em quatro núcleos na zona sul de São Paulo, tem vivido isso de perto. A ONG conquistou um nível de excelência que lhe garante o apoio de 25 parceiros.

No entanto, recentemente, a Gotas de Flor tem deixado de receber apoio de algumas empresas, que preferem colaborar com organizações menos estruturadas. "Aqui nós trabalhamos muito com o belo e o estético, então tudo é sempre bem cuidado. Às vezes, eles querem ajudar um lugar que está com a 'casa caindo'. Mas existem outros que apóiam porque querem realmente melhorar ainda mais a qualidade", conta a presidente da organização, Denise Robles.

Para atrair o investidor a organização tem apostado no planejamento estratégico, que privilegia a visão de futuro e a definição de quais são os resultados esperados. "Toda verba é bem-vinda, mas tem que estar alinhada com a nossa filosofia. Não adianta pegar o dinheiro por pegar". A idéia é se aproximar dos colaboradores, trazendo as empresas para dentro da ONG, a fim de mostrar as ações e onde os recursos serão realmente aplicados, e ainda promover atividades também na empresa parceira, como palestras sobre trabalho voluntário. Com esta postura e contato direto, novas formas de parcerias têm se tornado possíveis.

Segundo a Denise, a Gotas tem conseguido trabalhar com a linguagem do parceiro e a transparência de informações, o que gera um diferencial frente as demais ONGs. Os técnicos e educadores dos projetos ganharam também autonomia para elaborar as propostas, a fim de contornar o problema de falta de pessoal e de uma área especializada, por exemplo, em Captação de Recursos ou Marketing Social . Na sua opinião, o resultado tem sido positivo, pois estes profissionais conhecem de perto a demanda e necessidades da comunidade e conseguem alinhar esses aspectos à filosofia da organização.



Fonte:www.setor3.com.br