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     SALA DE IMPRENSA
Montagem da Borelli Cia de Dança é inspirada na obra do pintor Lucian Freud e dilui as fronteiras entre teatro e dança
Nelson Sato
Folha de Londrina, Folha 2
24/08/04

Balé que agride e acaricia A Cia Borelli traz ao Festival de Dança de Londrina a inquietação da dramaturgia corporal

É o único espetáculo não recomendado para crianças. "Gárgulas" é uma exeção entre as atrações do 2º Festival de Dança de Londrina. A montagem que a Borelli Cia. de Dança apresenta hoje, às 20h, no Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85), tenta transportar para o palco o flagelo existencial do homem moderno.

A peça é inspirada na obra do pintor Lucian Freud, neto de Sigmund Freud, o pai da psicanálise. De suas telas figurativas, o diretor Sandro Borelli retirou o tema para desenvolver os movimentos dos bailarinos em mais uma criação destinada a diluir as fronteiras entre a dança e o teatro. No texto de apresentação, o coreógrado fala de uma montagem "nem sempre palatável".

"Ao mesmo tempo em que agride, acaricia o espectador que é afetado incondicionalmente pelo refinamento coreográfico dos bailarinos em cena" - salienta. "Gágulas" já descrito como denso trabalho de dramaturgia corporal, traz cenas de nudez sendo proibido para menores de idade.

Convém lembrar que Borelli erigiu sua reputação concebendo espetáculos fortes e polêmicos. No palco, já foi um homossexual perseguido pelos nazistas, um pintor visionário envolvido num triângulo amoroso e um militante na luta contra a aids.

Atuou em grandes companhias, mas as abandonou para se tornar um bailarino e coreógrafo independente. Com seus prêmios da Associação Paulista dos Críticos de Arte. "Sua companhia é uma das mais importantes no panorama da dança contemporânea voltada para a pesquisa e a experimentação de uma linguagem autoral" - ressalta Leonardo Ramos, coordenador geral do Festival de Dança.

Borelli nasceu em Santo André (SP). Teve de vencer tabus antes de escolher a dança. Por influência da irmã, que fazia balé, acabou se aproximando desse mundo. Deixou o serviço militar para virar bailarino. Em 1982, ganhou status profissional ao ser admitido no Balé Teatro Guaíra, de Curitiba. De volta a São Paulo, entrou em outra companhia de prestígio: o Balé da Cidade de São Paulo. Tornou-se um dos principais solistas e, cinco anos depois, abandonou de vez as grandes companhias para caminhar com as próprias pernas, trocando o papel de intérprete pelo de criador que busca uma linguagem própria, aberta a mixagem da dança e do teatro. O público londrinense teve contato com seu trabalho numa das edições recentes do Festival Internacional de Teatro de Londrina (FILO), quando veio com outra montagem.

Além de "Gárgulas", a programação de hoje destaca também o início do curso de Balé Clássico, que será ministrado por Jair Moraes, primeiro bailarino do Teatro Guaíra, O coreógrafo iniciou seus estudos na Escola Municipal do Rio de Janeiro, onde integrou a companhia oficial.

Foi solista de várias companhias do país, fez parte do Ballet Gulbenkian em Lisboa e ainda representou o Brasil no concurso internacional de Osaka no Papão. Está completando 35 anos de carreira. Por isso, foi homenageado no recente 16º Festival de Dança de Joinville.


Serviço
Hoje: "Gárgulas" com a Borelli Cia. de Dança.
Local: Cine Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85)
Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (para estudante e aposentados).
Produção executiva: Wooz, Arte & Cultura