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DIÁRIO DO GRANDE ABC
BORELLI KAFKIANO

16 de maio de 2003

Mauro Fernando

Passado, presente e futuro do personalíssimo trabalho do coreógrafo e bailarino é o que se verá somente hoje no Teatro Municipal de Santo André.

O inconformismo do bailarino e coreógrafo andreense Sandro Borelli, diretor artístico do Grupo FAR-15, com a sociedade contemporânea. É isso o que expressa Kasulo, em cartaz somente neste sábado, às 21h, no Teatro Municipal de Santo André, com entrada a R$ 8. O espetáculo engloba cenas de coreografias anteriores de Borelli e a próxima, inspirada em O Processo, de Franz Kafka, que estréia no fim do ano. "É o passado, o presente e o futuro", diz Borelli.

Kasulo contém montagens da companhia baseadas na literatura de Kafka (A Metamorfose), Augusto dos Anjos (Sr. dos Anjos - O Lamento das Coisas) e Ismael Nery (33 - O Eu e o Outro). Não se trata, porém, de reprodução - o jogo cênico é outro. "Juntos, esses trabalhos viraram outra encenação, diferente das originais. Ao se olhar de cima, vê-se uma selva de homens, de corpos que dançam em solos e duos. Tem-se a impressão de que eles colidirão", afirma.

O título da coreografia se relaciona "ao palco fechado (o público se posiciona na forma de uma arena, sobre o tablado) e ao interior de cada intérprete". "Há uma espiral que parte do centro e vai se abrindo. As pessoas entram em cena e não saem mais, fazem o caminho da espiral. E voltam ao casulo interior, onde não há saída, quando o espetáculo termina," diz.

O casulo, portanto, se refere a um estado de alma: "É a situação interior do homem". "O mundo atual", repressor em vários sentidos, "gera uma angústia profunda, e surge a vontade de se recolher". "O ser humano se fecha, e a única saída é procurar o interior", afirma.

A dança contemporânea de Borelli revela, pois, uma oposição às coisas estabelecidas. "Talvez o que me deixa mais desgostoso com a situação seja a globalização. Você acaba perdendo sua identidade. A cada dia que passa é mais um dentro do sistema, mais uma peça da engrenagem. É um mundo cada vez mais kafkiano. A sua voz não tem altura", diz. E o que predomina na sociedade consumista é o individualismo na uniformidade, não na diversidade. Além de "íntimo", o espetáculo é "místico". Esse misticismo, porém, não guarda semelhança com aquele explorado por autores como Paulo Coelho: "Kasulo é místico porque aponta para a morte diária do ser humano. De uma forma ou outra, em minha obra a morte sempre está presente.

O nascimento como morte, e vice-versa". Kasulo nasceu de um convite que o grupo recebeu, em 2002, para o Festival da Nova Dança, no Peru. "Apresentaríamos Jardim de Tântalo, mas não conseguimos passagens para todos. Como o curador quis nos levar de todo jeito, fomos em quatro pessoas e colocamos cenas do nosso repertório. Deu certo, e nos animamos. Mas Kasulo está mais encorpado", afirma. Marcos Suchara, Renata Aspesi, Roberto Alencar, Sonia Soares e Veridiana Zurita dançam com Borelli.

Após a apresentação, Borelli pilota "um bate-papo sobre o processo de criação e a atual política cultural". Kasulo chega a Santo André por meio da ONG Cuca (Centro Unificado de Cultura e Arte). A montagem aporta no Centro Cultural São Paulo, juntamente com A Metamorfose, em junho.