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     MÚSICA

História da Música
Tchaikovsky


Por Luiz Lobo

Piotr Ilitch Tchaikovsky (1840 - 1893) é uma glória permanente da música russa. Não foi um autodidata, como os Cinco. Estudante de Direito e depois, para sobreviver, funcionário do Ministério da Justiça, ele estudou piano com Nikolaus Rubinstein no Conservatório de Moscou.

Sua vida, relativamente curta, foi marcada por desastres, maledicência e sofrimento. Seu casamento, em 1877, foi desfeito em menos de um ano. Ele teve depressão, colapso nervoso, tentou matar-se e sua ex-mulher afirmou a amigos que ele era "sexualmente desviado"..

Com mania de doença, "patologicamente infeliz" (segundo o testemunho de Rimsky-Korsakov) foi uma mulher que fez com que se dedicasse exclusivamente à música. Madame de Meck, durante muitos anos, sustentou-o generosamente, permitindo que ele trabalhasse e criasse sem preocupações de ordem material. Há uma extensa correspondência entre os dois, que nunca se encontraram pessoalmente porque "o contato pessoal poderia decepcioná-los", segundo Otto Maria Carpeaux.

Na sua morte correu o boato do suicídio, mas na verdade ele morreu de cólera.

Amigo pessoal de Rimsky-Korsakov e de Balakirev, desprezava a música que produziam e suas fontes folclóricas. Criticava Mussorgsky pela facilidade de seus temas e a Cui pelo seu "nacionalismo infantil". Mas a boa crítica não era um dos seus pontos fortes, porque de Bach ele dizia ser um "bom compositor mas não um gênio",; quanto a Handel seria "um compositor de quarta categoria"; de Beethoven só reconhecia as obras da juventude, tudo o mais era "caótico e sem sentido",; Brahms era "de uma mediocridade arrogante"; e Wagner provocava nele "um tédio infinito".

Mário de Andrade não gostava dele e, em seu livro, só uma vez se refere ao seu nome, de passagem. Em artigo na revista Paulicéia, escreveu: "de Tschaikovski (como ele grafava) o que se pode dizer de bom é que seu ídolo era Mozart".

Segundo Carpeaux, Tchaikovsky foi "um eclético sem profundidade" que "ignorava por completo a polifonia". E "daria um bom compositor de ópera à maneira antiga".

Para a crítica russa as óperas são mesmo as suas obras-primas, a começar por Eugenio Onegin (1877), inspirada em um romance em versos de Pushkin mas com a atmosfera musical dos romances de Turgeniev, da vida ociosa da culta aristocracia russa. Escreve Carpeaux: "A música é de nobre melancolia, reunindo da melhor maneira elementos russos, italianos e franceses; é um ecletismo que se adapta perfeitamente à cultura daquele ambiente aristocrático." Por isso mesmo, provavelmente, tem seu lugar no repertório internacional.

Pique-Dame (1890) não é inferior.

"Mas a maior parte da obra de Tchaikovsky é música instrumental e não pode ser julgada tão favoravelmente", na opinião de Carpeaux. O compositor escreveu dez óperas, seis Sinfonias, três Concertos para Piano, um Concerto para Violino, várias overtures que ficaram famosas como as de Romeu e Julieta e de 1812 (que termina com sinos tocando e tiros de canhão), três balés e muita música instrumental, principalmente lieds.

Sua obra instrumental é, geralmente "música de salão", alegre, para divertir, sentimental, para gente educada mas frívola. Hoje seria classificada como "música de nov ela" ou chamada de "trilha sonora" Mesmo assim, o Quarteto para cordas em ré maior (1872), famoso pelo tema melancólico do seu movimento lento, comoveu Tolstoi às lágrimas. Também merece destaque o Trio para piano e cordas em lá menor (1882) para homenagear Nikolaus Rubinstein em sua morte.

Sem dúvida, o mais conhecido e amado de Tchaikovsky é sua obra para o balé. O Lago dos Cisnes (1876) e o Quebra-nozes.(1892) são os mais famosos de todos os balés, embora Carpeaux diga que "essa música só deve ser ouvida acompanhando a exibição de bailarinos de primeira ordem em cenário feérico". Para ele, o valor musical é pequeno. Mas a verdade é que a popularidade é excepcional (Carpeaux diz que isso é "lamentável") e faz a glória do compositor (que, ainda segundo Carpeaux, com isso "prejudica a educação do gosto musical")

O crítico diz mais, os apreciadíssimos poemas sinfônicos Francesca da Rimini (1876) e Manfred 1886), assim como as aberturas de Romeu e Julieta (1876) e 1812 (1886) é "música para ser executada por bandas, ao ar livre, para divertir ou emocionar um público pouco atento".

A Serenata para orquestra de cordas (1881),a Suíte nº 3 1884) e a Suíte nº 4 (1886), para Carpeaux, "são agradáveis contrafações do estilo mozartiano", mas reconhece que os virtuoses têm o direito de manter no repertório os concertos de Tchaikovsky e que o Conserto para violino e orquestra em ré maior (1878) é "irresistível, pelas melodias bem inventadas e pela verve rítmica".

Quanto às sinfonias, elas não são verdadeiras sinfonias, no sentido clássico, mas são poéticas e relativamente bem trabalhadas, têm forte colorido russo e a atração do exótico. A crítica prefere a Sinfonia nº 4 em fá menor (1878) e a Sinfonia nº 5 em mi menor (1888), mas o público sempre preferiu a Sinfonia nº 6 em mi menor (1893) denominada Patética que os críticos condenam por ser rapsódica e pela efusão de sentimentos. No público que aplaude queiram incluir Tolstoi, Thomas Mann e o crítico Tovey.

Veementemente emocional, Tchaikovsky conhecia a fundo a arte de dramatizar e encenar, com o máximo de efeito, sua tristeza, sentimentos e desespero, seu pessimismo, seu sentimentalismo melancólico, com intervalos de apaixonada revolta contra o destino. O problema é que suas sinfonias não são trágicas, na verdade são melodramáticas e realmente patéticas em sua retórica.

Para o crítico e professor Alfredo Khoury, Tchaikovsky "comprometeu sua arte como compositor pelos maneirismos típicos do comportamento sexual desviante".

Com tudo isso o sucesso de Tchaikovsky foi enorme e não se limitou à Rússia: ele conquistou todo o Ocidente e foi aplaudida como autor da melhor música russa. O compositor ficava à época, na mesma altura que os escritores Tolstoi e Dostoiewski, que também faziam muito sucesso. Só na França ele sofreu alguma restrição dos críticos, contra o aplauso, por exemplo, de Stravinsky.

Nem a Revolução Comunista fez diminuir o prestígio de Tchaikovsky, provavelmente por sua grande aceitação popular. Ele continuou como o Grande Compositor Nacional, título que lhe foi concedido, oficialmente, pelo Soviet Supremo.



Fonte: www.tvebrasil.com.br/agrandemusica