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     MÚSICA

Hoffmann e Paganini


Por Luiz Lobo

O típico representante do romantismo fantástico (e demoníaco e burlesco) é o grande contista, pintor, crítico de música e compositor Theodor Amadeus Hoffmann (1776 - 1822). O grande narrador do romantismo, mozartiano entusiasmado, ele produz muita música sacra e obras instrumentais, todas na linha de Mozart.

Otto Maria Carpeaux diz que sua ópera Undine só tem de romântico o enredo e que "nada, antecipa a obra de Weber, pela qual Hoffmann não sentia entusiasmo: preferiu Spontini."

Excelente crítico musical, suas críticas da obra de Beethovem (publicadas entre 1810 e 1813) são, segundo Carpeaux "os primeiros comentários congeniais". Para ele, o único defeito desses "textos notáveis" é "a tentativa de romantizar demais o clássico de Viena e de considerá-lo como mensageiro de ´províncias misteriosas do espírito".

Hoffmann também romantizou Gluck em seu conto O Cavaleiro Gluck. Outro conto seu, bastante famoso, Don Juan, é a interpretação trágico-romântica do Don Giovanni de Mozart.

As obras literárias de Hoffmann estão cheias de inspiração musical e serviram de enredo a várias óperas: Tanhauser, de Wagner, Brautwahl, de Busoni, Cardillac, de Hindemith, e o próprio Hoffmann é personagem dos Contos de Hoffmann, de Offenbach.

Um personagem de Hoffmann, o músico Kreisler (meio gênio, meio louco) "influenciou profundamente o comportamento humano e artístico de Berlioz, Schuimann, Wagner, dos jovens Brahs, de Hugo Wolf e de Mahler", segundo Carpeaux, e "ofereceu aos biógrafos de Beethoven e para a lenda em torno do mestre surdo alguns traços característicos.

Muitas pessoas (inclusive alguns historiadores da música) acreditaram reconhecer em Paganini o maestro e violinista Kreisler. Romântico e genial até os limites da loucura, foi provavelmente o mais genial dos violinistas e um excepcional compositor para violino. Nascido em 1784, morreu em 1840. Segundo o maestro Edson Frederico, "desenvolveu os discursos musicais em cordas duplas, pizzicati com a mão esquerda, staccati, scordature e harmônicos (inclusive os duplos)."

Mário de Andrade (que não fala de Hoffmann), fala de Paganini apenas para dizer que ele é o "exaspero da virtuoside" e "o suprassumum do malabarismo". É evidente sua má vontade com os românticos e suas "orquestras monstruosas", seus "cumes de emoção", sua "exasperação patológica", o "entusiasmo pelo entusiasmo", sua "inadaptação à vida", seu "cultivo da dor". Ele não respeita nem mesmo Nicolo Paganini, a quem chama de "espetaculoso".

Seria mesmo espetaculoso o primeiro grande virtuose do romantismo. Heine o descreveu como um homem espantosamente magro, de fealdade fascinante, de gestos burlescos, fazendo caretas incríveis. Foi o maior dos violinistas mas ele mesmo incentivava as lendas fantásticas que corriam a seu respeito. Ele afirmava que sua arte devia-se aos exercícios intermináveis durante os anos que passou na prisão pelo rapto e assassinato da amante. Não há comprovação histórica. Mas seus amigos diziam que ele admitia ter feito um pacto com o diabo, com quem aprendera violino em troca de sua alma imortal.

Parte da sua arte (a acreditar-se nas testemunhas) perdeu-se com a sua morte. Outra parte, greaças aos progressos técnicos, tornou-se propriedade comum dos grandes violinistas. Do seu virtuosismo dão pálida idéia as suas obras, exibições técnicas que, mesmo assim, têm valor musical..

Certo é que o público, alimentado pela publicidade hábil de empresários judeus,, pelas lendas e mistérios que cercavam Paganini e pelo espetáculo pessoal das suas aparições, ficou estupefato e aplaudia entusiasticamente em Viena, Paris, Londres. Paganini morreu milionário e seu sucesso popular só foi igualado por Liszt, pela cantora Jenny Lind e pelos Beatles.



Fonte: www.tvebrasil.com.br/agrandemusica