:: institucional           :: projetos           :: serviços           :: sala de imprensa          :: parcerias          :: loja          :: contato     

CANAIS WOOZ

artigos
agenda cultural
artes visuais
cultura
cinema
dança
entrevistas
fotografia
internet
literatura
música
teatro
terceiro setor


Roseli Pereira
Valmir Junior



clique aqui e faça um cadastro para receber informações Wooz
     MÚSICA

Os Verdianos
Por Luiz Lobo

Verdi teve muitos discípulos e seguidores, entre os quais Carlos Gomes, Arrigo Boito, Mascagni, Leoncavallo, Puccini, Giordano, Zandonai. Ninguém no seu nível nem com a capacidade de repercutir do mestre.

Carlos Gomes (1836 - 1896), brasileiro, nasceu em Campinas, fez sucesso no Rio, triunfou na Itália, ficou na miséria e no fim foi amparado pelo governo do Pará. Conquistou fama com Il Guarany (1870) com libreto tirado de um romance de José de Alencar, apresentado no Scala de Milão e nos maiores teatros de todo o mundo. A Protofonia ainda é ouvida na Europa, em concertos.

Para quem dizia que o sucesso da ópera devia-se ao exotismo dos índios, o reconhecimento da qualidade musical de Carlos Gomes veio com a Tosca (1873), que os críticos reconhecem como a obra-prima do autor.

Depois vieram Salvator Rosa (1874) e Lo Schjiavo (1889), óperas muito aplaudidas. Durante algum tempo o compositor foi idolatrado, na Itália como o Brasil. Mas o movimento modernista no Brasil acusou-o de escrever todos os libretos em italiano, inclusive os que tinham assunto nacional. E de fazer música italiana. Chegou a ser classificado como "operista imbecil".

Mário de Andrade, depois, baixou o tom da crítica, embora, continuasse dizendo que Carlos Gomes "se manifestava mais nacional pelo texto escolhido que pela invenção musical". E chamou a atenção para o fato do compositor haver escrito, pela primeira vez na história, uma ópera para ser cantada em português. Aliás, duas: Noite no Castelo e Joana de Flandres , apresentadas na Ópera Nacional.

Na Pequena História da Música Mário escreve: "Carlos Gomes está entre os grandes melodistas do século XIX. Gênio dramático de força, ele concentra a expressão na melodia, como era costume na escola oitocentista italiana em que se cultivou." Ele continua criticando o compositor, afirma que suas obras são inexeqüíveis, que suas óperas têm muitos enchimentos mas reconhece que "isso não embaça a grandeza do gênio dele" E acrescenta: "Muitos dos seus cantábiles são perfeitos de equilíbrio plástico de linha...", embora "cheios daquela doçura peguenta". Também recomenda as "árias magníficas, sem grande profundeza, mas dotadas dum movimento dramático exato e impregnante".

Mário saúda Carlos Gomes como "o verdadeiro iniciador da música brasileira" e afirma que os moços devem abolir da nossa música os traços de Carlos Gomes, embora, dentro da nossa realidade ele tenha "uma colocação alta e excepcional".

Arrigo Boito (1842 - 1918) foi o último libretista de Verdi, bom poeta e bom músico. Escreveu pouco e em intervalos enormes: Mefistofele é de 1868 e Nerone de 1916.. Segundo Otto Maria Carpeaux "são menos óperas do que grandes oratórios, embora representados com cenários". E conclui: "Obras para festivais."

Pietro Mascagni (1863 - 1948) ganhou, em 1890, o prêmio da casa editora Sonzogno para a melhor ópera em um ato com a sua Cavalleria Rusticana , com libreto tirado de um conto de Verga. O compositor viveu mais 58 anos, depois desse êxito, sem conseguir sucesso igual, embora na Itália ainda se represente Íris e L'ami Fritz. Mas a Cavalaria continua sendo uma das peças mais populares e queridas, segundo Otto "graças à brutalidade dos efeitos dramáticos e graças à vivacidade das melodias folclóricas".

Ruggiero Leoncavallo (1858 - 1919) teve um grande sucesso com I Pagliacci (1892) e foi só. É uma ópera sangrenta, de muito efeito teatral, mas a pantomima de Colombina é elaborada com arte musical mais fina do que qualquer coisa de Mascagni, segundo Otto. Os dois compositores sobrevivem juntos, porque I Pagliacci também é uma ópera curta, que faz bom programa com a dimensão reduzida da Cavalleria Rusticana.

Giacomo Puccini (1858 - 1924) tem uma biografia que é um romance: um começo modesto, triunfos fabulosos e lucros inacreditáveis, e um triste fim na solidão, muito doente. Foi um músico altamente dotado, genial inventor de melodias, com fina cultura musical e uma linguagem muito pessoal. Mas, diz Otto Maria Carpeaux, "traiu sua arte. Sacrificou tudo ao sucesso comercial. Teve castelos, mulheres, milhões, porque vendera a alma. Tratou a orquestra com finura e sensibilidade "mas tornou-se um fornecedor de melodias para a boate e para o bar do hotel de luxo. Mas Tosca (1900) é um sucesso permanente, pela brutalidade melodramática e pelo brilho de três grandes árias. Mais qualidades tem La Boheme (1897). As o seu sucesso popular vem de óperas menos importantes, como Manon Lescaut (1892) e Madame Butterfly (1904), com sentimentalismo e exotismo falsos.

Depois de La Fanciulla Del West (1910) escrita para público norte-americano e que não fez sucesso, Puccini revelou-se grande com a curta ópera cômica Gianni Schichi (1918), para muitos críticos a sua obra-prima. Turandot ficou incompleta e foi completada por Alfano, em 1924. No futuro, um dia, restará pouco de Puccini.

Umberto Giordano (1867 - 1948) sobrevive apenas pela memória de Caruso interpretando Andréa Chénier (1896).

E, finalmente, Ricardo Zandonai (1833 - 1944), um músico sério mas que, de tudo o que escreveu, só conseguiu sucesso (que permanece no repertório) com Francesca da Rimini (1914).. E assim termina o verdismo.


Fonte: www.tvebrasil.com.br/agrandemusica