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     MÚSICA
A Nova ÓPera Italiana
Por Luiz Lobo

Rossini

O que faz os compositores do século XVIII parecerem mais numerosos e excepcionais que os polifonistas do quinhentos ou os monistas do século XIX romântico é, segundo Mário de Andrade, o equilíbrio do classicismo, o conceito estético da música com a realidade dos elementos sonoros e o efeito deles nos organismos humanos. Eles não são pessoas mais geniais do que as pessoas de outros séculos, a música é que se tornara mais perfeita e obrigava os compositores a uma perfeição maior.

No romantismo, "os preconceitos e a falsificação estética da música", diminuem o valor, tornam muito irregular a produção musical do século XIX, "a tal ponto que os compositores menores do Romantismo nos parecem, quando não insuportáveis, no geral destituídos de interesse", escreveu Mário de Andrade na sua Pequena História da Música.

Para ele, no entanto, o drama musical, o melodrama, já então chamado de ópera (abreviação do italiano opera in musica ou opera scenica atingiu a melhor expressão de música pura por meio da ópera cômica (opera buffa). Motivo: a dor, o sofrimento humano, a tragédia, são uma contradição com a música, que se dá melhor com a alegria, com o amor, com o riso, com o prazer. Para Mário, "a ópera cômica é a única solução esteticamente perfeita da arte dramático-musical". E quanto mais cômica, mais artística. Diz ele que "a comicidade sonora se transporta do teatro para o sinfonismo, (e) penetra o campo da própria música orquestral".

Já na segunda metade do século XVII a ópera cômica vinha se desenvolvendo no sul da Itália. Parece que a primeira ópera cômica foi Quem sofre, espere!, de 1639, um texto do cardeal Rospigliosi com música de Vergílio Mazzochi e Domingos Marazzoli, representada no palácio Barberini, em Roma. Mas logo os napolitanos se apossaram dela, com Francesco Provenzale à frente, e com seu aluno Alessandro Scarlatti.

A "música dominante da época", segundo Otto Maria Carpeaux é a nova ópera italiana. Já não é a ópera barroca de Scarlatti e Hasse, nem a ópera classicista de Cherubini e Spontini. Às artes do bel canto acrescentou-se um forte elemento histriônico e começa a importar muito o intérprete, que deve emocionar e divertir o público com artes de ator. O enredo torna-se mais importante e a grande área ainda é o centro da arte dramática mas é preciso apresentar música de qualidade e não enchimentos entre as árias.

É a época de Gioachino Antonio Rossini (1792 - 1868), que durante 15 anos (entre 1816 e 1830) subjugou a Europa, a ponto de ser comparado com Napoleão (é a mesma época da Restauração, entre Waterloo e a Revolução de Julho).

Uma verdadeira febre rossiniana percorreu toda a Europa e quem acabou com a epidemia foi o próprio Rossini, retirando-se no apogheu da fama.

Sua formação musical foi muito boa, estudando a música de Haydn. (Ele chegou a escrever alguns quartetos à maneira de.) E m 1813 ele faz o seu primeiro sucesso com a ópera Tancredi, do Teatro Fenice, em Veneza. A ária Di tanti palpiti ficou imediatamente famosa.

Curiosamente, O Barbeiro de Sevilha, no Teatro Argentina, em Roma, foi um fracasso vaiado pela platéia. Mas logo era o maior sucesso da história da ópera, em Paris, Viena, Londres, São Petersburgo, Madri e... em Roma.

Rico, Rossini mudou-se em 1823 para Paris e assinou contrato com a Academia de Música, sob o patrocínio do próprio Rei de França.

Em 1929, novo grande sucesso: Guillaume Tell.

No auge do sucesso, Rossini anunciou sua retirada do teatro, para onde nunca mais voltou, mesmo assediado por convites de todas as grandes cidades do mundo. Ainda viveu mais 39 anos dedicado aos prazeres da cozinha e da mesa e voltou a fazer um sucesso internacional como o inventor do Tournedos Rossini.

Extremamente espirituoso, bem falante e irônico, fazia sucesso também nas rodas sociais que freqüentava, principalmente falando mal dos outros.

Stendhal colocava Rossini no mesmo nível de Mozart, opinião que o filósofo Schopenhauer assinava em baixo. E.no entanto, não há como confundi-los:Mozart é um aristocrata; Rossini é um plebeu que serviu à aristocracia decadente da Restauração e à nova burguesia que se esforçava por imitar os costumes aristocráticos. Não é à-toa que a imitação é um dos elementos da mentalidade romântica.

Rossini já estava bem distante de Haydn e não havia qualquer traço da música clássica vienense na sua música não-trabalhada e que se limitou à inspiração bem anotada. Como escreve Carpeaux, "é brilhante, mas sem nenhuma seriedade moral, sem ambição artística". É que o compositor procurava o ponto de menor resistência do público e mergulhava fundo, explorando-o com facilidade..

Na verdade, Rossini foi um grande autor cômico e o Barbieri di Siviglia é seu maior título de glória, a "apoteoso jocosa da Itália piccola, humilhada pelos dominadores estrangeiros", como escreve Carpeaux. Uma Itália que, se não pode se defender, zomba dos outros.

Para Carpeaux "é música de uma verve inédita, nos pizzicati e nos famosos crescendi; simbolizando musicalmente os gestos dos cantores que, sendo italianos, são atores natos. É a mais operística de todas as óperas;a obra-prima da música de facilidade."

Das óperas ditas sérias de Rossini (Tancredi, Otello, Mosè in Egitto, Semiramide) todas sucessos internacionais, ficaram, os títulos e, quando muito, as aberturas. E o problema é que Rossini parecia um autor cômico, mesmo quando o enredo era trágico.

Beethoven, em 1824, ao receber Rossini, pediu-lhe que escrever "mais Barbieris e mais outros Barbieris, pois para a ópera séria seu talento não presta".

Se a segunda metade do século XIX deu razão a Beethoven, os críticos contemporâneos começam a rever essa posição, encontrando qualidades antes insuspeitadas na chamada obra séria do compositor. Mas sem exagerar.


Donizetti

Gaetano Donizetti (1797 - 1848) foi rival e sucessor de Rossini. Na verdade, foi um sub-Rossini, melhor adaptado ao ambiente francês. Teve uma vida cheia de sucessos retumbantes e depois enlouqueceu.

Ele era capaz de escrever três ou quatro óperas por ano, com facilidade, mas não foi capaz de evitar frases-feitas musicais, música trivial e a repetição de truques bem sucedidos.

Lá fille du règiment, de 1840, até hoje é representada nos teatros de província na França. Chegando a ser excelente nas óperas-cômicas L'Elisire d'amore e Don Pasquale (que Mário de Andrade classifica como "deliciosas"), acertou, uma ou outra vez, em grandes momentos trágicos, como em Lucia di Lammermoor e em Anna Bolena.


Bellini

Vincenzo Bellini (1801 - 1835) é o oposto de Rossini na nova ópera italiana. Apesar de ter estudado música, parece ignorar os elementos da profissão musical. Seu acompanhamento orquestral é de um simplismo desconcertante. Não existe, para ele, a harmonia. Tudo se reduz à melodia cantada. Carpeaux o chama de "o compositor mais monódico de todos os tempos".

Mas sua melodia, que parece surgir espontaneamente das palavras, é de rara nobreza, tendo influído decisivamente sobre Chopin. Morreu moço, antes de ter dado o que poderia dar.

Quatro de suas óperas sobrevivem: I Montechi e i Capuleti, I Puritani, Sonnambula e sua obra-prima, Norma, "a ópera italiana mais ricamente melódica antes de Verdi", segundo Carpeaux, com um lirismo puro e simples. Norma é uma dessa operas que devem ficar para sempre.

Segundo Mário de Andrade "o açúcar de Belline sempre fez muito sucesso em São Paulo e no Rio".



Fonte: www.tvebrasil.com.br/agrandemusica