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     MÚSICA

Mozart


Por Luiz Lobo

João Crisóstomo Wolfgang Amadeus Mozart foi influenciado por todas as correntes musicais de sua época, mas não pertenceu a qualquer delas. Por sua vez, sua influência fez-se sentir apenas sobre o começo da carreira de Beethoven e foi bem menor que a de Haydn e mesmo menor que a de Weber. Como escreveu Otto Maria Carpeaux "a admiração que se lhe dedica tem como objeto uma arte extratemporal e supratemporal".

Do ponto de vista historiográfico, Mozart é um episódio e sua vida tampem foi episódica e dolorosa.

Mozart nasceu em 1756. Começou a aprender os elementos da harmonia aos 4 anos de idade, com o pai, Leopold Mozart, violinista na corte do Arcebispo de Salzburgo. E o menino devia tocar, no piano e no violino, avançados exercícios.

Aos 5 anos o pequeno Mozart já compunha, embora os contemporâneos e mesmo os biógrafos afirmassem que ele tinha a colaboração do pai. Não importa, porque essas composições não contam na sua obra.

Em 1762 ele foi levado pelo pai para Munique e logo depois para Viena, onde fez um sucesso estrondoso e imediato. Sucesso que repetiu em Paris e em Versalhes em 1764. Em 65 e 66 o sucesso do menino foi em Londres, mas já parece mais maduro, tendo assimilado, conscientemente, a influência de Johann Christian Bach.

Em 67 está em Viena e em 70 na Itália, onde consegue a consagração definitiva

Em 1771, adolescente, é nomeado maestro da Corte de Salzburgo, então uma arquidiocese soberana. O arcebispo, conde Colloredo, era uma aristocrata soberbo e estúpido, que trata Mozart mal e como se fosse um lacaio.

Em 77 está novamente em Paris e, no caminho, faz contato com a orquestra de Mannheim. Só em 78 consegue desligar-se da corte de Salzburgo, que odiava, fixando residência em Viena. Aí começa o seu calvário. Tem prestígio mas não tem emprego, um cargo que garanta sua sobrevivência. Ganha a vida dando concertos, nem sempre bem freqüentados, ou dando aulas mal remuneradas. Suas composições rendem algum dinheiro mas não o tiram da pobreza humilhante, da miséria permanente e preocupante.

Sua mulher, Constanza, é uma gastadeira. Seus filhos morrem, pouco depois de nascidos e ela gasta cada vez mais, pedindo empréstimos que sabe que o marido não vai poder pagar. Mozart se dá a noitadas alegres e ao deboche e é caluniado pelos rivais, principalmente os italianos. Sua saúde fica ruim e por fim vem a uremia e a morte dolorosa em 1791, aos 35 anos.

Foi enterrado em vala comum, como indigente, que depois não foi possível identificar. O túmulo no Cemitério Central de Viena é um cenotáfio. Quer dizer que é um monumento erguido em sua memória mas que não contém os seus restos mortais, perdidos para sempre.

Suas biografias foram muito romanceadas (como se fosse preciso). Uma das histórias mais freqüentes é a de um Réquiem que um aristocrata desconhecido encomendou-lhe já no final da vida e que ele, "sacudido por acessos histéricos", teria dito que era para os seu próprio funeral. O episódio é verdadeiro, mas foi pintada com cores mentirosas, até porque Mozart referia-se ao epísódio com graça, dizendo que se não fosse pago e morresse antes, não desperdiçassem tão boa música.

Outra lenda é o episódio do seu envenenamento pelo rival Salieri. Apresentado como um anjo estabanado e fútil,. perseguido por demônios implacáveis em várias biografias e no filme Amadeus, o retrato não é bom. Mozart foi um homem do seu tempo, um dandi, um rococó aristocrático, honesto, sério mas com princípios morais não muito rígidos. Jogava muito, teve muitos romances, passou fome. No pior momento da sua vida (logo após a morte dos filhos) escreveu o Divertimento para trio de cordas (K 563) e o Quinteto com clarinete (K 581). Como diz Carpeaux, "sua aparente alegria é a polidez do aristocrata que não quer, pela exibição dos seus sofrimentos, importunar outras pessoas".

No entanto, mesmo nas suas obras mais alegres o observador atencioso vai perceber um fundo de melancolia, porque Mozart foi um homem muito infeliz. Menino prodígio, com um sucesso retumbante, dele ninguém esperava menos que milagres diários. E, quando produziu esses milagres em sua música, pareceu que ele fosse um revolucionário, um tipo perigoso que ameaçava as boas tradições musicais e que era desrespeitoso com as regras estabelecidas pelos grandes mestres.

Criticado, no tempo dele, por ser "expressivo demais", seus adversários diziam que a pureza da sua linha melódica era "prejudicada pela comoção". Mozart é acusado de fazer "música só para se escutar" e de escrever danças que ninguém dança, canções que ninguém canta, serenatas sem amor.

Chamado por Mário de Andrade de "o mais musical de todos os músicos" e de "protótipo da musicalidade humana", Mozart, como ele disse é "a música antes de mais nada" e a expressão mais característica do Classicismo. "Não possui a religiosidade nem a ciência polifônica de João Sebastião Bach. Não possui a profundeza de Gluck ou de Beethoven... Em vão a gente despojará Mozart de muitos valores e reconhecerá maneirismos e pressa em muitas das obras dele; Mozart persevera música só, e de posse de tudo quanto é exclusivamente música."

Chamado muitas vezes de "divino" e de "universal", Mozart foi bem humano e bem austríaco. Como anotou Mário de Andrade: "A música dele é austríaca, refletindo um gosto pela vida gozada, uma espontânea e epicurista substituição do sofrimento pela melancolia, possuindo tal maleabilidade de manifestação que é quase inconstância até..

"Mozart deixou obras-primas em quase todos os gêneros musicais", escreve Mário, acrescentando: "uma série maravilhosa de sinfonias, suítes, concertos pra piano, quartetos, , quintetos, trios, o Réquiem, sonatas pra piano, pra violino, pra órgão. E no meio dessas obras-primas ainda óperas que são monumentos incomparáveis."

O problema é que o povo aceita mal a música pura, porque a artre popular tem sempre uma função social, interessada. Os românticos, depois, fazem sucesso porque exageram isso. Para a maioria é impossível conceber a música pura, ela deve ser sempre uma expressão dos estados da alma. Essa não é a de Mozart, ele é um músico e talvez por isso tenha sido tão amado por Chopin.

Mozart escreveu 50 sinfonias, 17 óperas sérias e bufas,25 concertos para piano, 7 concertos para violino, 18 missas e incontável música religiosa e instrumental, inclusive divertimentos como os concertos para flauta e trompa. Voltamos a Carpeaux: "O mundo seria mais pobre se não existisse a encantadora Kleine Nachtmusik (o Pequeno Sarau Musical, K 525, de 1787), ou a mais ambiciosa Serenata de Haffner (K 250, 1776), escrita para divertir os convidados ao casamento de um rico padeiro de Salzburgo."

Em Mozart, a música dramática atinge a coerência da música sinfônica. E seus maiores quartetos, escritos para uso em sua casa e para tocar com amigos, dedicados a Haydn, são experiências de novas soluções que provocaram a admiração ilimitada de Beethoven .



Fonte: www.tvebrasil.com.br/agrandemusica