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     MÚSICA
Projeto musical promove inclusão de crianças e jovens de baixa renda

Por Ana Luiza Gomes
Repórter da Agência Brasil

Bruno Monteiro da Silva, de 14 anos, toca surdo, há quase um ano, na Orquestra Villa-Lobinhos. Segundo o jovem músico, ele não escolheu a música, e sim o contrário, pois "já está no sangue". Desde criança, ele se interessa por instrumentos musicais e foi durante um curso de verão que começou a participar do Projeto Villa-Lobinhos. "O projeto nos dá oportunidade de crescer e ter um futuro promissor", afirma Bruno. Para ele, o melhor lugar em que tocou até hoje foi a Sala Cecília Meirelles, no Rio, com o ministro da Cultura Gilberto Gil. Rafael Nogueira, de 21 anos, é um dos mais antigos do projeto. Ele afirma que muitas portas se abriram para ele.

Bruno, Rafael e mais 26 jovens músicos da Orquestra Villa-Lobinhos se apresentarão, hoje à noite, no Teatro Nacional Cláudio Santoro, em Brasília, durante a entrega do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade. Criada há apenas um ano, a orquestra é fruto do projeto Villa-Lobinhos, que promove a educação musical para jovens instrumentistas, entre 12 e 20 anos de idade, de comunidades carentes do Rio de Janeiro.

De acordo com o coordenador do projeto, o violonista Turíbio Santos, a decisão de criar a orquestra veio da necessidade de manter coesos os alunos que já saíram com os que ainda estão no curso. Um outro motivo é "a vontade de provocar um pólo de interesse onde os jovens possam mostrar tudo o que aprenderam". O coordenador conta que o projeto teve início em 1999 quando a família Moreira Salles fez um grande depósito bancário e os dividendos desse investimento passaram a financiar o projeto Villa-Lobinhos. "Mas, na realidade, o projeto começou mesmo há 15 anos atrás, quando o Museu Villa-Lobos fez uma escolinha de música no Morro Dona Marta", revela.

Turíbio foi convidado pela família Moreira Salles para administrar o projeto. Ele esclarece que seu trabalho é voluntário e explica como é realizada a seleção dos jovens. Todo mês de janeiro, cem crianças de 8 a 18 anos, procedentes de outros movimentos beneficentes, fazem um curso de férias. A partir daí, nove são selecionadas para integrar o projeto, com sede na Gávea, no Rio de Janeiro. "A principal qualidade que os professores observam nos jovens é a garra, a vontade de ser um profissional", afirma Turíbio.

Além de receber vale-transporte e uma ajuda de custo para gastos pessoais, os alunos têm aulas de percepção musical, instrumentos, acompanhamento escolar, prática de conjunto e informática, entre outras atividades. Após três anos, eles se formam no projeto Villa-Lobinhos. Mas, com o final do curso, cada jovens toma um rumo diferente. "Já que as origens são as mais diversas, quando o curso acaba, cada um toma o seu rumo. Por exemplo, são todas crianças de baixa renda, mas algumas têm a família bem estruturada, outros são meninos de rua", explica Turíbio. Para ele, esse garoto que morou na rua, com menos condições, já está pronto para ganhar a vida, seja trabalhando ou tocando em conjuntos musicais. "O que a gente faz é suprir aquela impossibilidade que eles tinham de se profissionalizar", orgulha-se.

Segundo Turíbio, o jovem recebe um "empurrão" para o mercado de trabalho musical. Um exemplo desse mercado de trabalho é a própria orquestra que, quando se apresenta, paga uma espécie de cachê para os músicos. Eles têm três grupos de estilos musicais: um de samba, um de choro e um de jazz, com instrumentos de sopro. Regida por Sérgio Barboza, a Orquestra já tocou em Portugal, no Rock in Rio 3 e para o príncipe Charles. Além disso, ele vêm se apresentando ao público em eventos beneficentes ou em salas de concertos. Atualmente, os alunos têm participado de apresentações nos Mini-Concertos Didáticos realizados no Museu Villa-Lobos.

Padrinhos e Madrinhas - A organização não governamental Viva Rio apenas cuida da parte burocrática, financeira, "pois o fundo de investimento precisa ser gerenciado", ressalta Turíbio. O projeto recebe, também, apoio do Museu Villa-Lobos, que cede o espaço para os cursos de verão. Além disso, mais de 30 pessoas "adotam" os alunos e se tornam o que Turíbio chama de padrinhos e madrinhas. "São pessoas que, todo mês, colaboram financeiramente. Para ser um padrinho basta ter a vontade de colaborar, porque não tem nenhum privilégio fiscal, é realmente uma doação a fundo perdido", explica o coordenador. Ele argumenta que é assim por vontade da família Moreira Salles. Entre esses padrinhos estão muitos músicos e atores conhecidos como Charles Garvin, Tony Belloto, Malu Mader e Débora Bloch.


Fonte: www.radiobras.gov.br