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     MÚSICA
Carmem Miranda - 95 anos de história

Por Alessandra Bastos
Repórter da Agência Brasil

A vida da cantora Carmen Miranda, que completaria 95 anos neste ano está sendo lembrada com a exposição "No Tic-Tac de Carmen Miranda”, que pode ser vista até o dia 21 de março no Conjunto Cultural da Caixa, em Brasília.

Bando da Lua Cover em apresentação na Caixa De brasileira, ela tinha o coração pois Carmen, na verdade, nasceu em Portugal, no dia 9 de fevereiro de 1909, indo com a família, aos dois anos de idade, morar no Rio de Janeiro. Para comemorar a data, no dia de seu aniversário, o grupo "Bando da Lua Cover" relembrou as composições que marcaram a vida e a carreira da cantora. O show, só para convidados, marcou também a abertura da exposição.

“Banda da Lua” era o nome do grupo que acompanhava Carmen em suas apresentações em Nova Iorque. Em 1939, ela estreou na Broadway participando do musical “Streets of Paris”, produzido por Lee Schubert – empresário que a levou para os Estados Unidos - na Feira Mundial de Nova Iorque.

Sua participação no musical foi de apenas seis minutos, mas o suficiente para que seus turbantes e balangandãs fossem copiados e expostos em vitrines e para que a cantora ganhasse o título de “Brazilian Bombshell”, arrancando elogios da crítica norte-americana, como os históricos comentários das revistas Vogue, Look e Click. “Com encantador sotaque português, uma alegria sincera e dedos como borboletas voadoras, Carmen Miranda é leve como uma bolha de sabão” (Vogue). “Carmen Miranda veio da América do Sul cantar umas coisas que ninguém entende, mexes os braços e o corpo. Conquistou a Broadway” (Look). “Ela salvou a Broadway da feira mundial de Nova Iorque” (Click).

Na galeria do primeiro andar do Conjunto Cultural da Caixa, o visitante poderá conhecer duas réplicas de figurinos, pertencentes ao Museu Carmen Miranda, do Rio de Janeiro. Adereços, partituras, revistas de época, 124 ampliações fotográficas do acervo da jornalista Dulce Damasceno de Brito – amiga pessoal e biógrafa da artista - e painéis com a biografia da cantora também poderão ser vistos por quem quiser relembrar ou conhecer um pouco da história de Carmen.

O artista plástico Zéllo Visconti participa da homenagem com uma montagem especial instalada na parede de abertura da mostra. “’Minha Bandeira Verde e Amarela’ tem Carmen saindo de uma moldura para mostrar a todo o mundo seu jeito alegre, ousado e irreverente”, diz o artista.O grafiteiro Cirilo Quartim faz uma releitura da obra em painéis. Filmes e vídeos, realizados por Carmen, serão exibidos (os horários ainda não foram definidos pela instituição).

No cinema, Carmen ingressou em 1932 e realizou 19 filmes. Em 1941, tornou-se a primeira artista latino-americana a ser perpetuada na Calçada do Teatro Chinês, em Hollywood, imprimindo suas mãos e os saltos-plataforma. Na música, a Pequena Notável gravou 315 canções. Seu primeiro grande sucesso foi “Prá Você Gostar de Mim”, de 1930, que vendeu 36 mil cópias e a transformou em uma celebridade nacional. Hoje, canções como “Tico-Tico no Fubá”, “Mamãe Eu Quero Mamar”, “Bambo do Bambu” e “Touradas em Madri” fazem parte da memória nacional e da história do carnaval brasileiro.


Carmen Miranda foi a primeira artista a assinar contrato com uma rádio

Com 1,53m de altura, Carmen Miranda ganhou do radialista César Ladeira o apelido de “A Pequena Notável”. Com o sucesso, lançou seus célebres sapatos-plataforma que, junto a babados e balangandãs, criaram sua imagem. O traje de baiana foi usado, pela primeira vez, ao cantar a música “O que é que a baiana tem?”, de Dorival Caymmi, no filme “Banana da Terra”, em 1938.

"Carmen a princípio não falava, ouvia-me apenas. Depois, como se estivesse fascinada pelo violão, ia ganhando ritmo e eu me lembro de seu gesto, de suas mãos e de seus dedos agitando-se no ar como que impelidos por uma corrente elétrica. Antes de ouvi-la cantar tive nitidamente a impressão de estar diante de alguém que trazia uma mensagem nova, nos olhos, no sorriso, na voz" (1928, Josué de Barros - compositor que descobriu Carmen Miranda)

Sua estréia nos palcos ocorreu dias antes de completar vinte anos, no Festival do Instituto Nacional de Música, atual Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com a música Yayá.

A década de 30 foi ‘a era das rádios’, mas os cantores não tinham contratos e viviam na base do cachê. Carmen Miranda foi a primeira artista brasileira a ter um contrato, assinado em agosto de 1933 com a rádio Mayrink Veiga, para ganhar dois contos de réis por mês.

Quando foi contratada pelo empresário norte-americano Lee Schubert, Carmen se despediu dos brasileiros ao microfone da rádio Mayrink, dizendo: “venho dizer adeus a vocês. Não esse adeus que é uma separação, mas o adeus que é uma saudade. Sigo para Nova Iorque onde vou apresentar a música da nossa terra (...). Tenho, às vezes, receio da responsabilidade, mas na hora H, quando eu perguntar ao público ‘o que é que a baiana tem’, sinto que o calor da torcida dos meus amigos, que me ouvem agora, me dará ânimo para responder com aquele ‘it’ que vocês sabem. Quando voltar, contarei muitas coisas bonitas”.

O retorno ao Rio de Janeiro, no entanto, em 10 de julho de 1940, não foi como a cantora sonhou. Os jornais diziam que ela perdera o ritmo e estava americanizada. No dia 15 de julho, no Cassino da Urca, a convite da primeira-dama Darcy Vargas, se apresentou com novo apelido “Brazilian Bombshell” e cumprimentou a platéia dizendo, em inglês, “Good night people”. Foi o suficiente para que uma cortina de gelo descesse entre ela e o público presente. A desaprovação silenciosa foi, para Carmen, pior que uma vaia. E, no camarim, ela chorou. A resposta veio, no show seguinte, com a canção “Disseram que voltei americanizada” (leia abaixo) - música de Vicente Paiva e letra de Luís Peixoto. A apresentação arrancou aplausos da platéia e boas críticas foram publicadas, nos jornais, durante a sua estada no Brasil.

Disseram que voltei americanizada
Disseram que voltei americanizada
Com o burro do dinheiro
Que estou muito rica
Que não suporto mais o breque de um pandeiro
E fico arrepiada ouvindo uma cuíca
E disseram que com as mãos estou preocupada
E corre por aí
Que eu sei
Certo zum-zum
Que já não tenho molho, ritmo, nem nada
E dos balangandãs
Já nem existe mais nenhum
Mas para cima de mim
Pra que tanto veneno?
Eu posso lá ficar americanizada?
Eu que nasci com o samba
E vivo no sereno
Tocando a noite inteira a velha batucada
Nas rodas re malandro, minhas preferidas
Digo mesmo ‘eu te amo’ e nunca ‘I love you’
Enquanto houver Brasil na hora da comida
Eu sou do camarão, ensopadinho com chuchu


Em 1948, após oito anos de ausência, Carmen pretendia visitar o Brasil e o vereador Ary Barroso propôs à Câmara uma homenagem oficial para condecorá-la com uma medalha de ouro e com os títulos de Cidadã Carioca e Embaixatriz Artística do Brasil. A idéia dividiu opiniões. Os jornais noticiaram, então, que Carmen estava grávida e que havia cancelado todos os compromissos por nove meses. Há quem afirme que ela nunca ficou grávida e que esta história foi inventada para evitar o constrangimento de uma viagem ao Brasil após a recusa em condecorá-la. Em março de 1949, os jornais noticiavam que a cantora havia perdido o bebê.

Estes e outros fatos marcantes e curiosos da vida de Carmen Miranda podem ser lidos na exposição "No Tic-Tac de Carmen Miranda”, onde são minuciosamente contados. Para o gerente cultural da Caixa, Raimundo Nonato de Sousa, Carmen é “o maior símbolo da música e da cultura brasileira, levou a imagem do Brasil para o exterior, inclusive colocando a cultura brasileira no cinema americano. Antes de Carmen, não se falava de Brasil no exterior”, diz Raimundo.

Com o trauma de sua última estada no Brasil e com a recusa do país em condecorá-la, Carmen sóvoltaria novamente carregada. Com uma grave crise de depressão, que já se alastrava há meses, sua irmã e seu médico acharam que somente uma viagem de volta poderia curá-la da doença. Assim, no dia 3 de dezembro de 1954, chegou com os cabelos alourados presos por uma fita e um rabo de cavalo, lançando a moda no Brasil e sendo calorosamente recebida.

Carmen foi encontrada, numa manhã, morta em seu quarto, como descreve um cartaz da exposição: “estava vestida com o robe de dormir, mas maquiada. Ela nunca dormia maquiada. Segurava seu espelho de mão, quebrado, o que evidencia ainda mais a tese de que se sentiu mal no momento em que foi ao banheiro para remover a maquiagem, tendo um ataque cardíaco fulminante”. Às 10h30 do dia 12 de agosto de 1955, desceu no aeroporto do Galeão o caixão com o corpo de Carmen coberto com a bandeira nacional e a bandeira da Casa dos Artistas.



A exposição "No Tic-Tac de Carmen Miranda” esteve no Conjunto Cultural da Caixa em São Paulo, de 1998 a 2003. Em Brasília, ela poderá ser visitada de terça a domingo, de 9h às 21h. A mostra deve seguir para Salvador e Curitiba, ainda sem data prevista.

“No Tic-Tac de Carmen Miranda”
Visitação: de 10 de fevereiro a 21 de março
Horário : de terça-feira a domingo, de 9 às 21 horas
Local: Galeria do Primeiro Andar do Conjunto Cultural da Caixa (SBS, Q. 4, lotes 3/4 anexo do edifício matriz)
Visitas monitoradas para grupos podem ser agendadas pelo telefone 414-9450

10/02/2004



Fonte: www.radiobras.gov.br