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     MÚSICA

Legítimo herdeiro da poesia popular, Adoniran fazia dos bares e balcões cenários onde parte de sua obra se compunha e se concretizava.

-- "Contracenamos em novelas, tamborilamos sambas em botecos, dividimos cigarros ao meio, compusemos alguns intrincados versos. E eu... ri muito com ele. Só não poderia dizer que rimos juntos. Adoniran não ria..." (Rolando Boldrin)

Chegado em São Paulo aos 22 anos, vindo de Santo André, nascido em Valinhos, o filho de seu Fernando e de dona Ema queria ser artista. Queria ouvir os aplausos vindos da platéia, sentir o frio na espinha antes das apresentações, queria trabalhar no teatro. Nasceu João Rubinato, mas quando optou pelo rádio - que lhe parecia o caminho mais fácil para o estrelato - deu à luz Adoniran Barbosa. Adoniran era o nome de um amigo, companheiro de boemia e de copo. O Barbosa veio do sambista Luiz Barbosa, ídolo do até entao João Rubinato.

Cantou de graça em diversas rádios, participou do programa 'Hora do Calouro', na rádio Cruzeiro do Sul e tentava insistentemente não ser gongado antes do final da música. Sua persistência foi finalmente recompensada quando conseguiu cantar 'Filosofia', de Noel Rosa, até o fim. "O homem do gongo devia estar dormindo", ironizou muito tempo depois.

Em 1934, compôs em parceria com J. Ambierê a marchinha carnavalesca Dona Boa, que no ano seguinte acabou ganhando o 1º lugar no concurso carnavalesco organizado pela prefeitura de São Paulo. Do prêmio - 500 mil réis - Adoniran ficou ficou com a maior parte, que por pouco não sumiu, consumida na comemoração regada a cerveja e bate- papos.

O sucesso de Dona Boa ajudou Adoniran a conseguir seu primeiro contrato na Rádio São Paulo. Animado, decidiu casar com a moça que vinha namorando há algum tempo, Olga. mas a alegria não durou muito tempo. Logo, o diretor da emissora o chamou: -- "Barbosa, amanhã você passa no meu escritório que tenho um negócio prá você". Imaginando um aumento de cachê, ou algo assim, Adoniran não estava preparado para o que viria a seguir: -- "Agora já acabou o carnaval e nós não precisamos mais de um cantor de samba. Pode passar no caixa".

Desempregado e sem dinheiro, o compositor foi morar com a esposa na casa da sogra, no Tatuapé, bairro da zona leste. Acabou arrumando emprego num escritório de contabilidade. Mas os números lhe pregavam peças, se confundiam e se misturavam numa confusão sem fim. No final do mês, estava com tanta vergonha que não voltou nem prá buscar o ordenado. Com esta vida, não conseguiu levar o casamento por muito tempo. Um ano depois, estava de volta à sua peregrinação pelas rádios da cidade. Só que desta vez, separado.


Fonte: www.revistampb.festim.net