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     LITERATURA

BBC Brasil

Cabrera Infante: Morte 'sem pátria, mas sem amo'


Guillermo Cabrera Infante, o escritor cubano que morreu na segunda-feira em Londres, se exilou na capital britânica em 1965.

O autor de Mea Cuba, Três Tristes Tigres, Vista do Amanhecer no Trópico e Havana para um Infante Defunto, ele se desiludiu com os rumos da Revolução Cubana e do governo de Fidel Castro.

A esposa do escritor, Miriam Gómez, citou o poeta e revolucionário José Martí para descrever a morte do autor: "Morreu sem pátria, mas sem um amo".

Durante uma visita ao Brasil, quando participou de um debate literário ao lado de seus amigos Caetano Veloso e Gilberto Gil, Cabrera Infante disse que Fidel Castro era um tirano. Seu tom contrastou com o dos dois cantores, que louvaram a Revolução Cubana.

Mas a despeito de possíveis divergências políticas, Caetano disse ter se inspirado em Cabrera Infante para criar seu primeiro longa metragem, Cinema Falado. Segundo o cantor os "monólogos justapostos" de Três Tristes Tigres lhe serviram de inspiração.


Cinéfilo e 'brasilianista'

Cabrera Infante era ele próprio também um cinéfilo, tendo escrito nostálgicos textos a respeito de musas do cinema mexicano pelas quais era apaixonado na infância, como Maria Felix. Em entrevista à BBC Brasil, em 2001, o autor falou com admiração do filme O Beijo da Mulher Aranha, de Hector Babenco, que qualificou de "uma obra-prima, um filme com componentes brasileiros, mas, ao mesmo tempo, dirigido a um outro público".

O autor cubano era também um apreciador da literatura brasileira. Dizia admirar Guimarães Rosa, o Macunaíma de Mário de Andrade e afirmava que "Machado de Assis não tinha rival".

O autor chegou a usar um trecho das Memórias Póstumas de Brás Cubas no livro A Twentieth Century Job, de críticas cinematográficas.


Exílio

Em uma entrevista à BBC, Infante disse que ser um escritor exilado foi algo muito bom porque permitiu que ele se convertesse em um autor profissional, que vivia do que escrevia, algo que jamais havia conseguido em Cuba.

Mas o autor, que sempre escreveu sobre seu país natal, conta que a condição de exilado o fez mergulhar em uma crise pessoal. "O exílio me fez perder meu leitor natural, que seria um cubano e possivelmente um morador de Havana. Vivo nesse conflito, porque meus livros estão proibidos em Cuba."

De acordo com o escritor, possuir uma obra sua era considerado um ato criminoso em Cuba. "Descobriram uma professora que tinha em sua casa meu livro Havana Para um Infante Defunto. Ela foi levada presa e condenada a pagar uma multa de 500 pesos, pesada para um cubano", contou.

O escritor dizia se sentir frustrado porque outros autores latino-americanos que se exilaram no mesmo período que ele puderam regressar a seus países de origem.

Mas Cabrera Infante condicionava seu retorno à partida de Fidel Castro, fosse com a morte do líder cubano ou com um golpe que o retirasse do poder.

Enquanto esperava a derrocada do líder cubano, o autor dizia: "Vivo muito bem em Londres, sob a democracia britânica, com liberdade para fazer o que quiser".

O autor afirmava também acreditar que o único futuro possível para Cuba se daria pela via democrática, com a população do país podendo decidir seu futuro.

Há três anos, Cabrera disse: "Espero um dia voltar a meu país". O autor não conseguiu cumprir seu objetivo.