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     LITERATURA

SERGIO BUARQUE DE HOLANDA

Biografia baseada nos apontamentos de Maria Amélia Buarque de Holanda


Estudos

A primeira escola foi o Jardim de Infância do Colégio Progresso Brasileiro, no Largo dos Guaianazes, uma escola americana dirigida por Mrs. Bagby. As reminiscências tornaram-se meio confusas: um jardim espaçoso cheio de árvores, meninos e meninas brincando juntos, o carro grande puxado a cavalo que levava e trazia a criançada.

Os estudos primários foram feitos na Escola Modelo Caetano de Campos, na Praça da República. Professores e alunos dessa fase não deixaram grande marca mas lembra-se, por exemplo, do colega Estevam de Almeida Prado.

A maior parte do ginásio foi cursada no S. Bento, além de um semestre no Arquidiocesano, na Luz. Para os últimos preparatórios, estudou em cursos especializados e com professores particulares. No S. Bento, o clima era de camaradagem, de disciplina maleável. Entre os padres, recorda-se do simpático D. Pedro Egerath, do D. Domingos de Silos Schelhorn, do D. Amaro van Emelem e do D. Lourenço Lumini, sucessivamente diretores do ginásio. As lembranças menos agradáveis ficavam por conta do D. Bernardo e do leigo Vassourinha, executivos da disciplina. Entre os mestres, recorda-se especialmente de Afonso de Taunay, professor de História (talvez a matéria preferida), de Álvaro Guerra, de Português, e de José Ladislau Peter, de Latim e Alemão.

Colegas mais chegados: Fábio de Souza Queiroz, José Armando Vicente de Azevedo, Salvador de Toledo Piza, José de Alcântara Machado, João Batista Rodrigues Dias. Amizades que se foram diluindo com a mudança para o Rio, com exceção de José de Alcântara Machado, com quem renovou contato depois da volta para São Paulo.


Vida de Menino

Paralelamente à vida escolar, a vida de menino nas ruas de Higienópolis desde o tempo em que a Av. Higienópolis chamava-se Av. Martinho Prado Jr., os calçamentos de paralelepípedos, o bonde 21, os companheiros de bairro morando em casas espaçosas com jardins e quintais.

As férias eram, geralmente, passadas em Santos onde residia um tio materno. Duas vezes, ainda criança, esteve na Tubaca, fazenda da família Rodrigues Dias, em São José do Rio Pardo. O Rio, só veio a conhecer em 1920.

Divertimento de menino? Matinês de cinema: o Central no Anhangabau, o Royal na Sebastião Pereira, o High Life no Largo do Arouche. E caminhadas a pé até as Perdizes, cruzando os brejos do vale do Pacaembu.


Juventude

O Tiro 35 foi um divertimento, com o Sargento Menezes filando chocolate quente em casa dos alunos e as calças de Sérgio arrebentando na hora de receber a caderneta das mãos da filha de Altino Arantes. Foi no Tiro que encontrou Fausto de Almeida Prado Penteado e, através deste, conheceu seu primo Yan de Almeida Prado.

Aprendeu a dançar, como era moda, no curso de Yvone Daumérie. E disparou a dançar. No Paulistano, no Trianon, nas campinadas, maratonas de dança que varavam a noite, em dois clubes de Campinas ainda no tempo das andorinhas. Das matinês dançantes no Paulistano, perdurou a lembrança de uma ruidosa celebração. Em plena festa, estourou a notícia de que Edu Chaves, pela primeira vez na história da aviação, tendo partido do Rio de Janeiro, chegara a Buenos Aires. Vencia, assim, seu competidor argentino que tentava o vôo em sentido contrário.


Primeiros Passos Profissionais

Nos últimos tempos de São Paulo, principiou a conviver com gente interessada nos mesmos assuntos culturais, principalmente literatura. Gente que permaneceu amiga e companheira pela vida afora: Guilherme de Almeida (por quem morria de admiração), Tácito de Almeida, Antonio Carlos Couto de Barros, Rubens Borba de Moraes. Aparições bissextas de Sérgio Milliet, começo de amizade com Mário de Andrade e Oswald. O grupo frequentava a Confeitaria Fazzolli na rua de São Bento. Às vezes, o Pinoni ou a Vienense. Fora isso, tertúlias no escritório do Dr. Estevam de Almeida, pai do Guilherme e do Tácito, debaixo de um aviso onde se lia "Neste escritório só se trata de advocacia". Encontrava Menotti del Picchia na redação do Correio Paulistano, onde ia entregar colaboração. Monteiro Lobato, conheceu na Revista do Brasil.

Primeira produção de Sérgio foi musical: uma valsa, a "Vitória Régia", aos 9 anos, publicada pelo Tico-Tico. Seu primeiro artigo saiu no Correio Paulistano, por interferência de Afonso de Taunay, antigo professor e amigo de seu pai, que leu o estudo. Sérgio tinha, nessa ocasião, seus 18 anos. Essa publicação e o convívio com o Guilherme o animaram a escrever com certa assiduidade: no Correio Paulistano, na Cigarra, na Revista do Brasil. Um dia, na Casa Freire, à rua de São Bento, foi apresentado a Gustavo Barroso que lhe sugeriu redigir uma notícia sobre os "futuristas" de São Paulo, para sair no Fon-Fon. Era seu primeiro passo literário no Rio.


No Rio

Em 1921, a família Buarque de Holanda transferiu-se definitivamente para o Rio, indo residir na Gávea, no começo da rua Marquês de São Vicente. Sérgio conta que era uma casa simpática, antiga, com árvores de fruta e um riacho no fundo do quintal. Moraram, em seguida, nas ruas São Salvador, Oitis, Visconde de Silva, Ipiranga e Maria Angélica.


Vida de Estudante e de Literato

Nesse mesmo ano de 1921, matriculou-se na Faculdade de Direito da rua do Catete. Aí, de notável, aconteceu a figura humana de Edgardo de Castro Rebelo, naquele tempo professor, mais tarde amigo. Colegas de turma, entre outros, eram Vasco Leitão da Cunha, Prado Kelly, Mário da Costa Guimarães, José Bonifácio Olinda de Andrade, Francisco Soares Brandão, Álvaro Teixeira Soares, Waldemar da Rocha Barros, José Maria Lopes Cansado, Sérgio da Rocha Miranda. Sérgio jamais foi um estudante assíduo nem interessado. Rodrigo M. F. de Andrade comentava, divertido, sua total inabilidade no campo jurídico. Em compensação, foi na faculdade que nasceram duas grandes amizades: Prudente de Morais Neto e Afonso Arinos de Mello Franco, estudantes um pouco mais moços que Sérgio. Prudente era companheiro de conversa, entre as estantes da Livraria Garnier onde ambos pesquisavam toda a literatura inspiradora do movimento modernista, companheiro de diálogos (ou monólogos alternados?) pela noite afora, nas mesas do Lamas, nas caminhadas pelos bairros da zona sul.

Em 1924, Prudente sugeriu fundarem, juntos, uma 2ª revista do movimento. Encontrando Graça Aranha na Av. Rio Branco, falaram do plano. Graça animou-se, sentaram-se os três numa mesinha da Casa Carvalho e, de lá, a revista saiu batizada (pelo Graça): "Estética". Sua existência foi curta. Três números. Quase um ano de planos, entusiasmo, tenacidade, desistência. Essa tentativa em revista modernista não foi a primeira. Já em 1922, o grupo de São Paulo nomeara Sérgio representante da "Klaxon", no Rio, onde o assinante nº 1 foi Rodrigo Octavio Filho. Nos primeiros anos de Rio, Sérgio encontrava-se sempre com Ribeiro Couto que, um dia, apresentou-lhe Manuel Bandeira, na esquina da avenida com São José. Ligaram-se logo e Sérgio escreveu sobre ele (ou sobre o Carnaval?) no Fon-Fon. Pouco tempo depois, apresentou-lhe Prudente. "Neto do Presidente!", riu Manuel e encaminharam-se os três para o Café Chave de Ouro. E para Sérgio e Prudente, Manuel virou logo o grande amigo. Adoeceu, partiu para a Serra da Mantiqueira, mais tarde para Marselha, como funcionário do consulado. A convivência com os amigos paulistas persistiu assídua, por algum tempo. Por volta de 1922, Guilherme casou-se, romanticamente, com Baby Barroso do Amaral, logo adotada e querida pela turma do marido. Residiram longa temporada no Rio e, em sua casa de Botafogo, em seguida de Copacabana, reuniam gente, especialmente às 6ªs feiras. A toda hora lá apontavam os paulistas: Tácito, Couto de Barros, Rubens de Moraes, Mário de Andrade, Oswald. Do Rio, entre os freqüentadores habituais, lembra-se de Graça Aranha, Ronald de Carvalho, Renato de Almeida, Afonso Arinos, Di Cavalcanti e Manuel Bandeira, apaixonado pela Maria Henriqueta, irmã de Baby.

O grupo carioca, ainda mais numeroso, reunia-se às 4ªs feiras em casa do Ronald. Aí, apareciam também Vila Lobos, Agripino Griecco, Peregrino Júnior, Paulo Silveira, Luís Aníbal Falcão (amigo do Graça). Era tempo do Brasil governado por Artur Bernardes. Falava-se de política, de arte moderna. E de Literatura. A fonte literária filosófica era mais francesa. Com exceções. Couto de Barros, por exemplo, afinava com os ingleses. Mário interessava-se por todos, alemães e americanos inclusive. Oswald e Menotti um pouco pelos italianos. Lia-se Proust, lia-se poesia de Valéry e Claudel, lia-se o grupo de vanguarda (Apolinaire, Cocteau, Cendrars) e os surrealistas Breton, Aragon, Eluard, nos quais Prudente e Sérgio eram especializados. De ingleses, Conrad, Thomas Hardy (Sérgio escreveu sobre este um artigo no Diário Nacional, órgão do Partido Democrático de São Paulo), Catherine Mansfield, Galsworthy, Yeats, o irlandês Synge, Bernard Shaw, T.S.Elliot. Havia as revistas Criterion e The Adelphi, assinada pela Livraria Crashley. De americanos, Dreiser e Sherwood Anderson. E os russos, Tchecov, Dostoiewisky, Tolstoi. Os alemães serviam mais para estudo - Theodor Lessing (emprestado por Alceu Amoroso Lima), o holandês Huysinga, os filósofos russos Rosanov e Chestov.

Graça Aranha, satisfeito de conviver com os jovens, convidava-os seguidamente para o Hotel dos Estrangeiros, em frente à praça José de Alencar, com suas mesas, suas cadeiras de palha na calçada larga, debaixo das árvores frondosas. Através do Graça, Sérgio conheceu Paulo Prado, que lhe emprestou o "Ulysses" de Joyce, recém-publicado, proibido na Grã-Bretanha, mas logo repercutindo mundialmente. Paulo Prado freqüentava o bar do Palace Hotel, na Av. Rio Branco, e o Café Nice. Yan de Almeida Prado também aparecia por lá. Outro amigo paulista que o Sérgio nunca perdeu de vista foi o Antonio de Alcântara Machado. Antigo contemporâneo no ginásio de São Bento, no princípio do modernismo não acreditou muito no movimento. Mas, aos poucos, ele e o Oswald de Andrade descobriram-se mutuamente e o Alcântara entregou os pontos. Nas idas ao Rio, gostava de visitar livrarias: Garnier, Leite Ribeiro, Soria e Boffoni. E tornou-se grande amigo de Rodrigo, Prudente e Manuel Bandeira.

As relações literárias não se restringiam à área modernista. Na Garnier, Prudente e Sérgio encontravam-se constantemente com Alberto de Oliveira, que convidava os amigos para sua casa em S. Januário. Freqüentadores da Garnier, eram igualmente Américo Facó, Jorge Jobim (pai de Tom Jobim) e Raul de Leoni. Raul de Leoni gravou em Sérgio uma lembrança excepcional de vivacidade intelectual, humor e alegria. Uma imagem brilhante. Sérgio visitou-o várias vezes em seu exílio, em Itaipava, onde morreu, em 1926. Até hoje fala nele com enorme saudade e sente, pela Ruth, particular afeição. Em casa de Raul, conheceu o franciscano Frei Luís, com fama de santo entre a pobreza metropolitana. Conheceu também Lélio Landucci que, junto com Raul, animou a pequena indústria de cerâmica do casal francês Mr. e Mme. Gonod, em Itaipava. Além de constantes visitadores da Garnier, Sérgio, Prudente e mais o Álvaro Teixeira Soares, colega da faculdade, estendiam suas buscas até à Crashley, livraria inglesa à rua do Ouvidor 68. E à livraria Edanée, mais tarde livraria Alemã, onde conheceu Eric Eichner, em princípios de hábil atividade livreira, futuro fundador da livraria Kosmos. Ribeiro Couto e Renato de Almeida trabalhavam na América Brasileira, revista financiada por Elysio de Carvalho que costumava convidar para sua casa, na praia do Flamengo, os freqüentadores da redação.

Nessa Revista, Sérgio publicou uma fantasiaæ "F.1". E havia a revista Mundo Literário, publicada pela livraria Leite Ribeiro, outro ponto de encontro, onde Sérgio conheceu Cecília Meireles.


Boemia

Paralela à vida de estudante e jornalista, Sérgio levava uma movimentada vida de rua e de bares. À noite era o Lamas, no Largo do Machado, onde, além de Prudente, apontavam Afonso Arinos, Edmundo da Luz Pinto, Gilberto Amado, André Dreyfus, Hermann Palmeira, Fernando Nabuco de Abreu. Foi lá que, por intermédio de Renato Palmeira, conheceu Cândido Portinari, estudante obscuro da Escola de Belas Artes. De tarde, havia o Bar Nacional e, às vezes, a Brahma, com Manuel Bandeira, Oswaldo Costa, Dodô Barroso do Amaral, Di Cavalcanti, Jaime Ovale, Aporelly (Aparício Torelli, barão de Itararé), Gastão Cruls, Gilberto Amado, Graça Aranha, Alberto Ramos, Antonio Torres, Nuno Osório de Almeida, Adoasto de Godoy e, mais raramente e precursora entre o elemento feminino, Germaninha Bittencourt, festejada por todo o grupo. Assunto nunca faltava. Era política, arte, literatura, acontecimentos mundiais e acontecimentos particulares na vida dos próprios.


Jornalismo

Ao lado da boêmia, havia o ganha-pão. No caso, o jornalismo. Logo à chegada do Rio, Sérgio entrou para o Rio-Jornal, levado pelo colega da faculdade, José Maria Lopes Cansado. Lá, redigia crônicas, fazia entrevistas. No "O Jornal", em fase de Renato Lopes, saíram dois artigos seus. Colaborou também na "Idéia Ilustrada", revista sustentada pela "Eqüitativa de Seguros" e dirigida por Cláudio Ganns e Américo Facó. Foi este amigo quem apresentou Sérgio na Agência Havas. Aí, aconteceu o pitoresco episódio de sua prisão no Palácio do Catete, em dias da Revolução de 1924, confundido com outro funcionário da Havas, anarquista mal-amado nas hostes do Bernardes. Na manhã seguinte, apareceu, na Polícia, para soltá-lo, metade da turma do Bar Nacional. Mais tarde, Sérgio passou para a United Press. Tornou-se, então, amigo de Múcio Leão e Austregésilo de Ataíde. Ao mesmo tempo, colaborava no "O Jornal" dirigido por Chateaubriand, com Rodrigo M. F. de Andrade na presidência da Sociedade Anônima. Nessa época é que travou relações de amizade e interesse cultural com Alceu Amoroso Lima, o Tristão de Athayde da crítica literária. Sempre à serviço do "O Jornal" esteve em Minas e daí nasceu a amizade com Pedro Nava, Carlos Drummond de Andrade, Emílio Moura e João Alphonsus.

Englobando toda a década de 20, surge na vida de Sérgio a pessoa de Rodrigo M. F. de Andrade. Sérgio não lembrava o dia exato em que o conheceu, mas foi nos seus primeiros tempos de Rio. De conhecidos a amigos, de amigos a amicíssimos, a evolução foi rápida e a duração longa. Quase 50 anos de amor. Rodrigo foi sempre o confidente, o assistente. Levado por aquele senso de responsabilidade, continha a própria soltura mental e constituía-se em elemento ponderador diante do que chamava a "insensatez de Sérgio". Hospitaleiro como poucos, cultivava os amigos em seu escritório de advocacia (seu e do tio João de Mello Franco), em sua casa de solteiro com D. Naná e Vera, na rua, no jornal, no Lamas, no Bar Nacional. Depois de casado, sua casa e de Graciema foi, talvez, o melhor ponto de encontro da turma, onde cada amigo era acolhido com carinho particular.


Espírito Santo

Um dia, (em 1927?) deu a louca em Sérgio. Distribuiu os livros entre os amigos e aceitou a proposta para dirigir o jornal "O Progresso" em Cachoeiro do Itapemirim, Espírito Santo. Lá, era o escreve-tudo, suprindo-se ainda com notícias e clichês do "A Noite", do Rio. Por causa de "O Progresso", tornou-se conhecido como Dr. Progresso, e assim o chama, Rubem Braga. Morava numa pensão, onde morava também José de Magalhães Bravo, genro da proprietária e diretor do Banco Pelotense. Enquanto Auro Monjardim dirigia o Banco Espírito Santo. Bom comparsa era, igualmente, o coronel Ricardo Gonçalves, presidente da Câmara Municipal. Certo dia, procuravam um cidadão formado em Direito para substituir o promotor, em júri na cidade de Muniz Freire.

Descobriram Sérgio, que, além de aventurar-se numa acusação jurídica sem o respaldo de um só livro de Direito, enfrentou caminhada de seis horas em lombo de burro. Claro que os dois assassinos foram absolvidos. Até hoje Sérgio se diverte rememorando os tempos de Cachoeiro. Namorava, dançava e estabelecia enormes confusões entre as duas facções políticas. Ambas Monteiro. Porém uma de Bernardo Monteiro, outra do Jerônimo.


De novo no Rio

Voltando do Espírito Santo, Sérgio retomou o trabalho na United e no Jornal do Brasil (ou "O Jornal"), assinando reportagens, entrevistas (às vezes fora do Rio), e uma crônica diária, "O Dia dos Senadores". Um dos companheiros de imprensa, no Senado, era Barreto Leite, escrevendo para outro jornal. Aníbal Machado era chefe de gabinete do Viana do Castelo, durante a presidência Washington Luís. Dava uma ajuda aos amigos, incumbindo-os de tarefas extras. Foi assim que Sérgio fez parte de bancas examinadoras em ginásios de Niterói, Lorena e 7 Lagoas.

Sete Lagoas via Belo Horizonte, onde os irmãos de Aníbal o hospedaram em casa do pai, o velho coronel Virgílio Machado. Sérgio, no Rio, recomeçou a comprar livros. Foi o princípio de sua biblioteca de hoje. E retomou logo os convívios interrompidos pela temporada capixaba. Foi por esse tempo que apareceu Gilberto Freyre com a invenção "Os Novos" do Piauí (Gomes Sampaio, Esmeraldino Olympio, etc.). Gilberto não costumava demorar-se no Rio porque era chefe de gabinete do Estácio Coimbra, em Pernambuco. Ia e vinha. Mas a brincadeira foi aproveitada por Rodrigo, Prudente, Alcântara Machado e Sérgio, e publicada na "Revista do Brasil". A "Revista" vivia, então sua 2ª fase, com o título comprado de Lobato por Chateaubriand. Nela, Rodrigo era secretário, Prudente seu auxiliar e Sérgio colaborador.


Alemanha

Em 29, Chateaubriand propôs a Sérgio uma viagem à Alemanha, Polônia e Rússia, enviando reportagens para o "O Jornal". Embarcou em junho, no Cap Arcona. Na mesma viagem seguia Josias Leão. Juntos, desembarcaram em Hamburgo, rumaram para Berlim, cautelosos, com pouco dinheiro. Sérgio não conseguiu regularizar os papéis em tempo de alcançar a Rússia, mas, em setembro, foi até à Polônia. Com passe de trem gratuito, percorreu quase todo o país. Recorda sempre o frio terrível, causador de uma gripe notável.

Regressando a Berlim, a Embaixada o indicou para trabalhar na Revista "Duco", redigida em alemão e português e especializada nas relações comerciais teuto-brasileiras. Depois, recomendado pelo consulado, traduziu scripts de vários filmes da Ufa. Entre eles, o Anjo Azul. A correspondência para o "O Jornal" era meio esporádica, mas deu para entrar em contato com gente interessante: Thomas Mann, Willy Muzemberg (deputado comunista no Reichstag), Chattopandiaya (príncipe hindu relacionado com comunistas e diretor de uma Sociedade para a Paz), Henri Guilbeaux (francês, pacifista, que fundou na Suíça, a revista "Demain", onde colaboraram Bertrand Russel, Stefan Zweig, Romain Roland). Na Suíça, Guilbeaux conheceu Lênin, que, mais tarde, convidou-o para ir à Rússia e o nomeou representante do Pravda em Berlim.

Um dia, Sérgio foi procurar Horwarth Walden, à cata de informações sobre a revista expressionista "Sturm". Para surpresa sua, deparou nas estantes do escritório, com a "Klaxon" e a "Estética": obra e graça de Mário de Andrade, que se correspondia com o grupo do "Sturm". Num café próximo a seu trabalho e frequentado por uma roda de intelectuais alemães, houve outro encontro interessante: Theodor Daubler, poeta de grandes barbas e grande nomeada. Sem regularidade, assistiu as aulas de História e Ciências Sociais na Universidade de Berlim.

Algumas aulas de Friedrich Meinnecke, professor de História. Familiarizando-se com o idioma da terra, pôs-se a ler os alemães: o dito Meinnecke, Max Weber, o crítico Gundolf e, na ficção, Kafka, Rilke, Hoffmanstahl, Stefan George. Aproveitava, igualmente, a facilidade de adquirir livros franceses e ingleses. Em Berlim, Sérgio viveu uma época de grande euforia mundana e boêmia, com namoradas e amigos internacionais.

Os grandes companheiros brasileiros, nessa fase, foram Raul Bopp e Ildefonso Falcão. À chegada, cruzou com Mário Pedrosa. Antonio de Alcântara Machado surgiu, de surpresa. E Astrogildo Pereira, rapidamente. Ao mesmo tempo, presenciou a grande eclosão do Nazismo, com o partido arrancando para os primeiros lugares entre os mais votados. Com a revolução de 30, as possibilidades de trabalho escassearam. A revista "Duco" foi suspensa. A Ufa diminuiu tradução de filmes. Sérgio teve de regressar ao Brasil. Pelo Natal de 1930. Enquanto viajava, nasceu em Berlim, seu filho Sérgio Georg Ernst, filho de Anne Margerithe Ernst.


Publica Raízes do Brasil

1931 a 1935: Chegando ao Rio, retomou o jornalismo e o trabalho em agências telegráficas: Havas, Agência Brasileira, United Press. Foi, também, diretor de sucursal, no Rio, do "Jornal de Minas", fundado e orientado por Virgílio de Mello Franco e Afonso Arinos. Entre seus escritos, dessa época, apareceu na "Revista Nova", um conto: "Viagem a Nápoles" (1931). Recomeçou a frequentar os amigos de antes e caiu na roda-viva com a turma de Múcio Leão e Eneida. Conviveu muito com Germaninha Bittencourt, que se casara com o poeta argentino Pedro Juan Viñale e, doente, veio acabar seus dias no Brasil. Cícero Dias andava sempre no Rio. Gilberto Freyre aparecia de vez em quando. Os amigos de São Paulo, idem, especialmente Couto de Barros. Foi o tempo dos grandes carnavais, o tempo dos cassinos, o tempo do Lido, o tempo da Praia de Copacabana.

Em 32, Sérgio estava no Rio na turma dos boatos e da torcida revolucionária. Acabou preso, soltando vivas a São Paulo, em pleno Mangue, no meio de um grupo do qual fazia parte Octavio Tarquinio de Sousa, Tristão da Cunha, Ribeiro Couto, todos comboiando o escritor francês Luc Durtain. Nos anos seguintes, durante a Assembléia Constituinte, a bancada paulista mantinha um escritório na Av. Rio Branco. O secretário era Antonio de Alcântara Machado. Trabalhavam lá também, Chico Barbosa e Hélio Silva. Chico que, apesar da diferença de idade, viria a ser o grande amigo, amigo fraternal de Sérgio, para o resto da vida. Em 1935, Sérgio publicou na revista "Espelho", um longo estudo: "Corpo e Alma do Brasil". Era o anúncio de seu primeiro livro, "Raízes do Brasil", editado um ano e meio mais tarde. 1936: Prudente, nomeado diretor da Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade do Distrito Federal, convida Sérgio para assistente do Prof. Henri Hauser, na cadeira de História Moderna e Econômica, e assistente do professor Tronchon, na cadeira de Literatura Comparada. Colabora em "Em Memória de Antonio Alcântara Machado". Colabora no volume em homenagem aos 50 anos de Manuel Bandeira. Publica "Raízes do Brasil", inaugurando a série "Documentos Brasileiros", dirigida por Gilberto Freyre, da Editora José Olympio. 1937: Continua na Universidade e, após a partida dos professores franceses, assume as cadeiras de História da América e de Cultura Luso-brasileira.

Convidado por Gustavo Capanema, faz parte da Comissão de Teatro do Ministério da Educação. Transfere-se da United para a Associates Press, como redator-chefe. Todo esse ano reside num apartamento no Leme, comecinho da Rua Copacabana. Lá, quem aparecia sempre era Manuel Bandeira: Mme Blank, seu grande amor, morava no quinto andar. José Olympio e Vera habitavam o mesmo edifício. E a convivência com os outros amigos estabeleceu-se intensa. Eram sempre Prudente e Rodrigo. Era Afonsinho com Anah. Era Múcio Leão, Portinari, Vinícius... Ponto de conversa certo, na rua, ficou sendo a livraria José Olympio, na Ouvidor. Eram "os do norte que vêem": Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Luís Jardim, Raquel de Queiroz... A 30 de novembro nasceu Miúcha.

Em 1938 passa a morar numa casa na Av. Atlântica, em frente ao antigo Posto 1, no Leme. Casa simples, sem luxo, mas dando para o mar, com duas varandas, uma em cima outra em baixo, tomando toda a frente. Lindo! Nessa época, Mário de Andrade, contratado pela Universidade do Rio, aparecia sempre. Outro com quem Sérgio ligou-se muito, igualmente professor na Universidade, foi o mineiro Luís Camilo de Oliveira Neto. Raul Bopp, companheiro antigo, transformado em diplomata, também baixou, cumprindo uma temporada brasileira.

1939: Extinta a Universidade do Distrito Federal, Sérgio passa para o Instituto do Livro, recém-fundado no Ministério da Educação, a convite de seu diretor, Augusto Meyer, assumindo a Seção de Publicações. Esse gaúcho tinha chegado, pouco antes, do Sul e foi incorporado à turma de amigos. No Instituto, trabalhavam, entre outros, Mário de Andrade, Américo Facó, Liberato Soares Pinto, Chico Barbosa, Eneida e José Honório Rodrigues, Souza da Silveira e Manuel Said Ali. Sérgio desliga-se da Associated Press. Prefaciou "Suspiros Poéticos e Saudades" de G. de Magalhães, edição do Ministério da Educação. Começa a Guerra.


Conhece Antonio Candido

1940: Muda-se para o apartamento do Lido e logo nasce Sergito (20 de abril). Estreita sua grande amizade com Octavio Tarquinio de Sousa e Lúcia Miguel Pereira. Principia a seção de crítica literária no Diário de Notícias. Ambiente pesado, com a ocupação de Paris (1940).

1941: Sempre Instituto Nacional do Livro e crítica literária. Traduz "Memórias de um colono no Brasil" do suíço Thomas Davatz e "Círculos Culturais e Estratos Culturais na América do Sul". A convite do State Departament, viaja aos EUA, visitando New York, Washington, Chicago, pronuncia umas palestras na Universidade de Wyoming e encontra Paulo Duarte e Juanita.

1942 Nasce Álvaro, dia 3 de janeiro. Relações de casa, convivência sempre mais chegada com Chico Barbosa e Eunice.

Por essa época, trava também relações pessoais com Caio Prado. Temporada de Willian Berrien no Brasil. Publica a tradução de "Etnologia Sul-Americana: Círculos Culturais e Estratos Culturais na América do Sul", de Wilhelm Schmidt.

1943: Alegre viagem a Belo Horizonte, em grupo organizado por Vinícius de Moraes, que, lá, proferiria uma palestra na Cultura Inglesa. Tudo a convite de Juscelino Kubitschek, então prefeito da cidade. Paulo Emílio Sales Gomes fazia parte da turma. Estada em São Paulo coincidindo com a de Octávio Tarquinio e Lúcia. Em almoço oferecido pelo editor José de Barros Martins, conhece Antonio Cândido.

1944: Nasce Chico, a 19 de junho. Sérgio passa do Instituto do Livro para a Biblioteca Nacional, dirigindo a Divisão de Consultas, sob a direção geral de Rodolfo Garcia. Rubens Borba de Moraes transfere-se para o Rio e assume a divisão de Biblioteconomia. Ficou sendo mais um frequentador assíduo do apartamento do Lido. Publica "Cobra de Vidro", na Livraria Martins Editora. Publica "História do Brasil" (didática) em colaboração com Octávio Tarquinio, na Editora José Olympio. Prefaciou "Diários de Viagem" de Francisco José Lacerda e Almeida pelo Instituto Nacional do Livro.

1945: Publica "Monções" pela Casa Estudante do Brasil. Toma parte no Congresso de Escritores em São Paulo, sendo signatário da conhecida "Declaração de Princípios" contra a ditadura. Em seguida ao Congresso, é eleito presidente da seção carioca da Associação Brasileira de Escritores, promotora do Congresso. Faz parte dos fundadores da Esquerda Democrática, onde se ligaria especialmente com Castro Rebelo, Hermes Lima, Alceu Marinho do Rego, Octávio Tarquinio, Gastão Cruls, Manoel Bandeira, Guilherme Figueiredo. Nesse tempo conheceu Arnaldo Pedroso Horta que foi ao Rio, tratar de assunto relacionado com a esquerda democrática. Prefaciou "Poesias de Américo Elísio" (José Bonifácio), pelo Instituto Nacional do Livro.


Fim da Guerra

De 1940 a 1946, quando voltou para São Paulo, residiu sempre no apartamento do Lido, à Rua Ronald de Carvalho, esquina da Av. Atlântica. Foi uma época rica na convivência com os amigos antigos e novos, com colegas profissionais. Na França, já existia, então, uma Igreja preocupada com a questão social. Esteve, no Brasil, um dominicano dessa corrente, o P. Ducatillon. Frei Pedro Secondi sugeriu que Sérgio o pusesse em contato com gente informada, para um bate-papo. Convidados Hermes Lima e Astrogildo Pereira, prontamente compareceram. A turma antiga se foi ampliando: Ribeiro Couto que, em temporada de Itamarati, circulava muito. O austríaco Otto Maria Carpeaux surgiu e foi logo incorporado. Havia os amigos mais sérios, mais circunspectos; como Octávio Tarquinio, Gastão Cruls, Astrogildo Pereira, Henrique de Moraes... Havia Augusto Frederico Schmidt, Ruth Leoni, Ovalle... Havia a casa de Aníbal Machado... Havia Eneida, Lúcio Rangel, Rubem Braga, Pedro Nava, Raquel de Queiroz, Moacir Werneck de Castro, Carlos Lacerda, a turma boêmia varando as noites no terraço do Alcazar. Foi o tempo dos boatos. Boatos na hora do almoço, no restaurante da ABI, boatos o dia inteiro nos cafés próximos à Biblioteca Nacional. Em agosto de 45, caía o Getúlio.

1946: Depois de uma ausência de 25 anos, Sérgio volta para São Paulo, assumindo a direção do Museu Paulista, no Ipiranga, nomeado por José Carlos de Macedo Soares. Consegue a ampliação das atividades do Museu, criando as seções de História, de Etnologia, de Numismática e de Linguística. Neste cargo, permanece até fins de 1956. Publica "Monções" no curso de Bandeirologia. Publica prefácio ao 1º volume das obras completas de José Bonifácio no Ministério da Educação. Crítica Literária no "Diário de Notícias" até 1950. A esquerda Democrática converte-se em Partido Socialista. Sérgio é apresentado como candidato a vereador para completar o número exigido (de candidatos) para apresentação da chapa. 1948 Além da direção do Museu, leciona História Social e História Econômica do Brasil, na Escola de Sociologia e Política. É eleito representante das "Instituições Complementares" da USP, junto ao Conselho Universitário. Reside em São Paulo à Rua Haddock Lobo, 1625, até fins de 1952. Maria do Carmo nasce, no dia 5 de novembro. Crítica Literária no "Diário de Notícias" até 1950.

Publica "A Expansão Paulista do Século XVI e começo do Século XVII", pela Faculdade de Ciências Econômicas da USP. Retoma a seção de Crítica Literária no "Diário de Notícias" do Rio. Ana Maria nasce, no dia 12 de agosto.

1949: Publica "Índios e Mamelucos na Expansão Paulista" nos Anais do Museu. Crítica Literária no "Diário de Notícias". Prefaciou a tradução do "Fausto" de Goethe, para o Instituto de Progresso Editorial. Viaja à França e Itália, proferindo uma palestra na Sorbonne e participando de um comitê da UNESCO, em Paris. Viaja de novo a Paris, para participar de dois comitês da UNESCO.


Caminhos e Fronteiras

1950: Assume a seção de Crítica Literária no Diário Carioca e na Folha de São Paulo. É eleito, novamente, presidente da Associação Brasileira de Escritores, seção de S. Paulo. Viaja aos EUA para participar, em Washington, do 1º Colóquio de Estudos Luso-Brasileiros. Participa, também de um seminário na Universidade de Colúmbia. Maria Cristina nasce, a 23 de dezembro.

1951: Museu - Escola de Sociologia - Crítica Literária.

1952: Publica "Antologia de Poetas Brasileiros na Fase Colonial" (Ministério da Educação). Crítica Literária no "Diário Carioca". Duas traduções em revistas do Museu Paulista. Aparecida e Paulo Mendes de Almeida festejam os 50 anos de Sérgio, promovendo um grande jantar na Maison Suisse.

1953: Licenciado no Museu Paulista, assume a cadeira de Estudos Brasileiros, criada na Universidade de Roma. Lá, reside num apartamento à Via San Marino 12, no bairro Nomentano. Colabora, igualmente, no Instituto de "Studi Brasiliani". Envia, irregularmente, correspondências para o Diário Carioca e a Folha de S. Paulo.

1954 Sempre fixo em Roma, mas viajando salteado por quase toda Itália e pela França. Na Suíça, toma parte nas "Rencontres Internationales de Genève", e profere uma conferência, seguida de debates, focalizando o Brasil na vida Americana, dentro do tema "L'Europe et le Nouveau Monde".

Em Veneza, participa do Congresso da Société Européenne de Culture. Profere palestra no Campidoglio, publicada em "L'Illustrazione Nazionale". Organiza um volume da revista "Ausonia", dedicado ao Brasil, e colabora com um artigo: "Apporto Italiano nella Formazione del Brasile". Raízes do Brasil é publicado em italiano (Alle Radici del Brasile).

1955 Retornando ao Brasil, reassume a direção do Museu Paulista e reside à rua Henrique Schaumann. É eleito vice-presidente do Museu de Arte Moderna, cargo confirmado pelos 6 anos seguintes. Sua conferência "Le Brásil dans la Vie Américaine" é publicada em Neufchatel no volume "IX Rencontre Internationale de Genève". Prefacia livro de Karl Oberacker "Das Deutsche Betrag gum..."

1956 Leciona História do Brasil na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Sorocaba. Raízes do Brasil é publicado em espanhol (Raices del Brasil), pelo Fondo de Cultura Economica, no México.

1957: Assume a cátedra de História da Civilização Brasileira, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo. Publica "Caminhos e Fronteiras" (Editora José Olympio). Muda-se para a rua Buri 35, Pacaembu.

1958: Recebe o Grau de Mestre em Ciências Sociais na Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Presta concurso para a cátedra, apresentando, como tese "Visão do Paraíso" que é editado pela José Olympio, em tiragem limitada. Recebe o Prêmio Edgard Cavalheiro patrocinado pelo Instituto Nacional do Livro, pelo seu livro "Caminhos e Fronteiras", como o melhor livro de ensaio, publicado em 1957. Publicou "Trajetória de uma Poesia" - introdução a Poesia e Prosa de Manuel Bandeira - Ed. Aguilar - Rio.

1959: Participa do 2º Colóquio de Estudos Luso-Brasileiros, em Salvador. Publica "Visão do Paraíso".


Cria o Instituto de Estudos Brasileiros

1960: Planeja e dirige a História Geral da Civilização Brasileira, para a Difusão Européia do Livro, trabalho este que continuará até 1972. Nesse ano, publicam-se os 1º e 2º volumes: "Época Colonial - Do Descobrimento à Expansão Colonial" e "Administração, Economia, Sociedade". Recebe do Governo Francês a condecoração de "Officer de l`Ordre des Arts et des Lettres". Sempre Faculdade de Filosofia. Participa do 1º Simpósio dos Professores de História na Faculdade de Marília.

1962 Por indicação do Dr. Antonio de Barros Ulhôa Cintra, Reitor da USP, assume a presidência do Conselho Organizador do Instituto de Estudos Brasileiros. Em seguida, é eleito diretor do mesmo Instituto. 1963 Além do trabalho no IEB, preside igualmente as Comissões Organizadoras do Instituto de Pré-História, do Museu de Arte e Arqueologia, do Museu de Arte Moderna (depois Contemporânea) e Comissão de Bibliotecas, tudo criado pelo reitor Ulhôa Cintra.

Na Difel, é publicado o 1º volume da série Brasil Monárquico: "Processo de Emancipação", na História Geral da Civilização Brasileira. A convite da Universidade do Chile, vai a Santiago dar um curso e organizar seminários sobre História do Brasil. Sua 1ª aula é publicada em espanhol num volume intitulado "Tres Leciones Inaugurales - Buarque , Romano, Savelle". Na volta, para uns dias em Buenos Aires prefacia "As Minas Gerais e os Primórdios do Caraça" de José Ferreira Carrato.

1964: Sai o 2º volume do Brasil Monárquico: "Dispersão e Unidade". É publicada no Chile, em espanhol, a "História de Nicolas I Rei do Paraguai", com prefácio de Sérgio. Participa de um curso de História do Brasil na Universidade de Brasília, onde o Reitor é Zeferino Vaz. Excursiona, de carro, até o Rio Grande do Sul. Vai aos EUA, a convite do governo norte-americano, por interferência de Georg Boehrer, adido cultural do Rio. Faz conferências e participa de seminários nas Universidades de Columbia, Harvard e Los Angeles. Viaja, de novo, para os EUA como professor visitante nas Universidades de Indiana (Bloomington) e New York State University (Stony Brook).

Em Yale, faz parte de uma banca de doutoramento e orienta seminários. Participa do VI Colóquio de Estudos Luso-Brasileiros nas Universidades de Harvard e Columbia. Pronuncia uma palestra no Queen`s College, em New York. Prefacia as "Obras Econômicas de J.J. da Cunha de Azeredo Coutinho". Prefacia "Relação dos Manuscritos da Coleção J. F. de Almeida Prado", organizada por Rosemarie E. Horch e publicada pelo Instituto de Estudos Brasileiros da USP.

1967: Termina o curso em Stony Brook e profere uma palestra na Universidade de Princeton. Na volta dos EUA, passa pela Europa, visitando a França, a Espanha e Portugal, onde efetua pesquisas no Arquivo Ultramarino e na Biblioteca Nacional (Reservados e Coleção Pombalina). Em Cuiabá, onde permanece uma quinzena, pesquisa os documentos do Arquivo. Convidado pela UNESCO, participa das reuniões do Comitê de Estudo das Culturas Latino-Americanas, em Lima. Sai o 3º volume do Brasil Monárquico: "Reações e Transações".

Profere conferência na Escola Superior de Guerra: "Elementos Básicos da Nacionalidade - O Homem".

1968: Novamente convidado pela UNESCO, vai a San José de Costa Rica, via New York, participar do mesmo Comitê de Estudo das Culturas Latino-Americanas. Prefacia "A Amazônia para os Negros Americanos" de Nícia Vilela Luz. Prefacia "A Baleia no Brasil Colônia" de Myriam Ellis. No dia 30 de abril, pede sua aposentadoria na USP, em solidariedade com os professores aposentados discricionariamente, na véspera, pelo AI-5. Vai várias vezes à Bahia, participar de um curso sobre o Recôncavo, em programa de intercâmbio das duas Universidades, programa este combinado antes de 29 de abril. Viaja ao Paraguai, tentando pesquisar os documentos relacionados com o Brasil. Prefacia "Cristãos Novos, Jesuítas, Inquisição" de J. G. Salvador. Colabora em volume de Homenagem a Rodrigo M. F. de Andrade. Colabora com o capítulo "Die Geschite Eines tablen Kontinentes" (A História de Meio Continente), no livro "Brasilien" da Atlantis Verlag A. G. - Zurique.


Trabalha em Casa

1970: Trabalha em casa.

1971: Sai o 4º volume da Série Brasil Monárquico: "Declínio e Queda do Império".

1972: Sai o 5º volume da Série Brasil Monárquico: "Do Império à República", sendo este último volume da série totalmente escrito por Sérgio. Prefacia "Imigração Italiana em São Paulo (1880-1889)" de Lucy Maffei Hutter. Inicia-se a publicação da História do Brasil didática, da Editora Nacional, debaixo da orientação e supervisão de Sérgio.

1973: Vai à Europa, visitando a Itália, a Grécia, a Turquia, a Hungria, a Áustria, parte da Alemanha, a Holanda, a Inglaterra e a França.

1974: Participa novamente do Comitê de Estudo das Culturas Latino-Americanas, desta vez reunido no México. A convite do governo venezuelano, vai a Caracas para a instalação da Biblioteca Ayacucho. É publicado o "Vale do Paraíba - Velhas Fazendas", com texto de Sérgio e ilustrações do Tom Maia. Prefacia "A Escravidão Africana no Brasil", de Maurício Goulart. Prefacia "O Fardo do Homem Branco" de Maria Odila Silva Dias. Inicia-se a publicação da História da Civilização didática, da Editora Nacional.

1976: Prefacia "O Barão do Iguape" de Maria Thereza Schoerer Petrone. Prefacia "Tudo em cor de Roda" de Yolanda Penteado. Vai à Europa, visitando a Itália, a Tchecoeslováquia, Berlim e Paris, aqui pesquisando e trazendo material do Quai d`Orsay.

1977: Prefacia "Escravidão Negra em São Paulo", de Suely Robles de Queiroz. Prefacia "Milicia Cidadã", de Jeanne Berrance de Castro. Prefacia "Cultura e Sociedade no Rio de Janeiro", de Maria Beatriz Nizza da Silva. Recebe o Prêmio Governador do Estado, de Literatura. Prefacia o "Livro do Tombo do Mosteiro de S. Bento em S.Paulo". Publica 2ª edição, ampliada, de "Cobra de Vidro", na Editora Perspectiva.

1979: Prefacia "O Atual e o Inatual em Leopold von Ranke". Colabora em volume de homenagem a Antonio Cândido: "Esboço de Figura". Escreve uma carta-prefácio e seleciona poesias para antologia de Vinícius de Moraes. Publica "Tentativas de Mitologia", seleção de estudos, antigos e recentes. (Ed. Perspectiva). Além do que pode ser relacionado acima, Sérgio proferiu palestras ou fez parte de bancas de concurso inúmeras vezes, na USP, em Universidades do interior do Estado, em Porto Alegre, em Belo Horizonte, em Curitiba, em Goiânia e orientou um sem número de trabalhos relacionados com suas especialidades. É, igualmente, impossível relacionar todos os artigos que assinou em jornais e revistas, todas as entrevistas que concedeu, todos os manifestos que subscreveu, todas as declarações, todas as atitudes em que definiu as suas idéias e a sua posição política e social.

Recebe os troféus "Juca Pato" e "Jabuti"

1980: Inscreve-se como membro fundador do PT (Partido do Trabalhador). Recebeu o troféu "Juca Pato" (Prêmio Intelectual do Ano de 1979), concedido pela União Brasileira de Escritores e pela Folha da Manhã S.A. Recebe o Troféu "Jaboti" na categoria de Ensaios, concedido pela Câmara Brasileira do Livro.

1981: Grava um depoimento no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo.


Fontes:
www.unicamp.br/siarq/sbh/

www.tvebrasil.com.br/links/memoria/sergiobuarque/default.htm