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     INTERNET

Demi Getschko: A rede mundial vai se tornar onipresente


Por Renato Cruz

Demi Getschko, especialista que presenciou a primeira conexão de internet no País, prevê nova etapa da revolução tecnológica

A internet deve desaparecer no futuro, prevê Demi Getschko, conselheiro do Comitê Gestor da Internet no Brasil e diretor de Tecnologia da Agência Estado.


Alguma catástrofe à vista? Não. "Da mesma forma que não discutimos o que acontece com a energia elétrica, a internet vai se tornar onipresente e não precisará ser chamada com esse nome", explicou Getschko. Ele sabe do que está falando. O engenheiro fez parte do grupo de especialistas que trouxe a rede mundial para o Brasil, com a primeira conexão da Fundação de Amparo e Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), em janeiro de 1991. A velocidade, para todo o País, era de 4.800 bits por segundo (bps). Uma conexão discada hoje é 11 vezes mais rápida.

A seguir, trechos da entrevista.


Começo

A gente sistematicamente fazia esforços para convencer o pessoal da Embratel a dar acesso a empresas e ao usuário. Em 1994, a Embratel adotou a idéia, e com ajuda do pessoal da Rede Nacional de Pesquisas (RNP), no Rio, eles montaram um servidor. Na verdade, sugerimos que fosse criada uma estrutura hierárquica, onde a Embratel seria o provedor que atenderia no atacado os provedores, que dariam acesso ao usuário final. Mas a Embratel começou dando acesso direto ao usuário final, queria virar uma espécie de America Online brasileira. Mas era muito limitado, a fila tinha 6 mil pessoas. Falamos, então, com o Sérgio Motta (ministro das Comunicações à época), que esse esquema iria matar iniciativas nascentes e congelar a internet brasileira em uma única empresa. E saiu daí uma resolução, que vedava ao Sistema Telebrás oferecer o acesso ao usuário final.


Situação

Eu me espantei de ver o Brasil mal colocado em um ranking de tecnologia da informação. O País tem uma posição bastante confortável em internet, temos o Imposto de Renda, o e-Ping, Intragov, várias iniciativas que permitem ao cidadão usar a rede para resolver suas necessidades. Temos muito conteúdo em português. Passou aquela fase em que o pessoal da rede tinha que falar inglês. O domínio brasileiro .br é muito bem sucedido. No Brasil nós temos 90% dos registros em .br e 10% em .com.


Desafios

Os problemas da rede não são exclusivos do Brasil, que talvez tenha alguma característica específica por ser muito criativo e ter um pessoal muito bom em software. Os problemas principais são fraudes, ataques e spam, que estão ficando muito criativos. Como o ataque à Receita Federal. O sujeito acabou de enviar a declaração e recebe um e-mail dizendo que ela tem problema. São pontos ruins. Mas quem não quiser se expor tem de ficar em casa, trancado, desligado do mundo.


Crescimento

Teremos problemas com o crescimento adicional, porque não existe estrutura para levar o ADSL (tecnologia usada em serviços como o Speedy, da Telefônica) para regiões mais amplas que as áreas metropolitanas. E também porque vai esbarrar no problema do equipamento. Tem essa história do PC Conectado e outros programas para trazer computador para o usuário. Na verdade, uma hora vamos bater no teto não pelo número de brasileiros ligados à rede, mas pelo número de brasileiros que têm computador. Mesmo usando em escolas, telecentros e infocentros, o ponto básico é que, enquanto não tiver o computador em casa, a interação com a rede é totalmente diferente. Quando se usa o equipamento ligado o tempo todo, como é o caso de um ADSL, é diferente de quando é preciso fazer a conta dos pulsos, para saber se a conta não vai estourar no fim do mês.


Futuro

A internet deve desaparecer no futuro. Digo isso no sentido que não vamos usar a palavra internet. As pessoas vão se conectar de alguma forma como parte do dia-a-dia. Da mesma forma como não discutimos o que acontece com a energia elétrica, a internet se tornará onipresente e não precisará ser chamada pelo nome. Vamos ficar preocupados com vídeo sob demanda, telefonia. Há tecnologias, como o Bluetooth (rede local sem fio), que permitem integrar tudo sem ver a infra-estrutura.

Vamos nos livrar um pouco de fios, vamos aumentar o poder de cada periférico. Não acredito em uma grande aglutinação de serviços. Ao invés de tudo vir pelo meu celular, o celular passa a se comunicar com a agenda, com o micro. Provavelmente haverá uma rede pessoal.


Fonte: www.cg.org.br