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     ENTREVISTA

A voz de minas que encanta pela suavidade


Por Marcos Fávero

divulgação Consuelo de Paula vem do sudeste mineiro, mais especificamente de Pratápolis, seu mais recente Cd, Dança das Rosas, foi considerado por alguns críticos, como um dos mais belos da música brasileira. Já fez shows em Madri e Buenos Aires, e afirma que se fosse para conquistar as minorias do mundo, faria show até no inseguro Afeganistão. É com essa determinação que traz o seu mais novo show, que estreou no Teatro Municipal de São Paulo, para o Sesc - Santo André.


Wooz - Como as rádios e TVs do país estão cada vez mais homogêneas, é possível que muitos internautas não saibam quem é Consuelo de Paula. Você pode se apresentar?

Consuelo - Sou do sudeste mineiro, de uma cidade pequena chamada Pratápolis. Sou antes de mais nada admiradora da canção brasileira, literalmente uma escrava da canção, ela é que move e estimula minha vida, sou louca por ela, a ponto de me tornar uma compositora. Essa trilogia é uma declaração de amor à música brasileira, que começou com o primeiro CD, lançado em 1998, Samba, Seresta e Baião, seguido de Tambor & Flor em 2002 e Dança das Rosas em 2004. Este primeiro ciclo eu chamo de amarelo que é a cor que permeou todo o trabalho.


Wooz - Li numa entrevista que você é uma admiradora voraz da genuína música brasileira. Primeiro: você pode descrever essa música. Segundo: na era dos reality shows isso é bom ou ruim?

Consuelo - Tudo o que se faz aqui, independente da influência ou maneira que o artista traduz é música brasileira. Claro que escolhi um certo universo, uma certa estética que determina meu trabalho. Acho que o grande desafio é ser uma alternativa a influência americana, que carrega uma sensação de modernidade. Acredito que meu trabalho possua um quê de revolucionário, pois querendo ou não, sou herdeira de tudo o que se fez aqui, mas sem ser pop. Não estou querendo dizer com isso que eu não goste de trabalhos assim, mas o meu, carrega toda a história de uma pessoa que nasceu no interior de Minas, estudou em Ouro Preto, veio para São Paulo e tem essa brasilidade. O que faço é resultado de tudo o que trocamos e adquirimos. Mas, sem dúvida, essa opção incomoda um pouco as pessoas que não conseguem, ou não querem enxergar, o quanto índio, negro e caipira nós somos. Eu falo de tudo em minha música, do urbano, do industrial e de toda essa cultura popular existente no país.


Wooz - Nascida em Pratápolis (MG), influenciada pela congada e folia de reis, você traz em sua música alguma referência do Clube da Esquina?

Consuelo - Pratápolis é muito perto de São Paulo, tem muita mineirice, mas estamos muito longe de BH. Para se ter uma idéia, as pessoas torcem para times e lêem jornais paulistas. Só quando eu fui estudar em Ouro Preto tive contato com o centro-norte mineiro, eu me lembro que a gente cantava muito Paulinho Pedra Azul nas serenatas. O interessante é que o Clube da Esquina veio para o meu trabalho, no Cd Dança das Rosas através do meu parceiro Rubens Nogueira que carrega essa influência, o que achei muito bom, pois veio somar ao equilíbrio de tudo que eu sou.


Wooz - O que você pode falar sobre os seus três Cds?

Consuelo - Eles são uma espécie de terços que tem como objetivo, transformar a canção em estrela, eles vem prestar esse serviço à ela.


Wooz - Ao contrário dos dois primeiros trabalhos, no mais recente, você interpreta canções próprias, correto?

Consuelo - Isso tem um pouco do que a vida vai dando, a coisa vai acontecendo e o mergulho é muito grande, mas desde o primeiro Cd eu não me sentia uma cantora separada das canções, eu já era uma compositora cantando, tomava aquelas músicas pra mim. Inclusive, em Samba, Seresta e Baião, tem uma adaptação minha de Riacho de Areia, onde coloco cantos de congadeiros, além de uma composição minha em parceria com meu pai. Em Tambor & Flor um terço do disco é autoral. Isso tudo foi crescendo até desembocar no Dança das Rosas.


Wooz - A independência foi opção ou imposição de mercado?

Consuelo - A princípio foi uma opção para poder aplicar tudo aquilo que eu queria sem a interferência de ninguém. Eu tinha tudo na cabeça, a sonoridade, a divulgação, a gravação, a mixagem. Foi um processo muito solitário, e precisava ser. Continuou assim nos outros dois Cds, mas agora eu tenho vontade que alguém se interesse por ele, só que ainda não vejo uma alternativa ao trabalho independente. Uma gravadora pequena faz um pouquinho além do que eu consigo fazer sozinha, em contrapartida, as grandes gravadoras não são uma alternativa viável para o tipo de música que faço, já que eu não mudaria uma vírgula, seria impossível eu me adaptar a exigências estéticas das gravadoras. Meu trabalho só tem sentido assim. Afinal, não é uma grande cantora mostrando suas estripulias vocais, ou uma instrumentista virtuose. Não haveria sentido em pegar esse trabalho e acrescentar uma batida assim ou assado para adequá-lo às rádios.


Wooz - Com todas as majors diminuindo seus investimentos e o mercado da música encolhendo no país, você vê a internet e as bancas de jornais como saída para resolver o problema de distribuição?

Consuelo - Os independentes deveriam se reunir para discutir soluções para esses problemas. Acho que formas alternativas de distribuição são fundamentais para a sobrevivência de todos, mas como não sou especialista não saberia dizer quais seriam.


Wooz - Você já fez download de músicas na internet?

Consuelo - Não. Eu ainda sou muito apegada aos cheiros, a folhear um encarte. Não sou contra a distribuição de músicas pela internet mas sou contra a pirataria, que considero um roubo. Nós artistas vivemos da criação, se ela correr solta sem a nossa autorização, nós vamos viver de quê? Eu tenho um site onde as pessoas podem ouvir minhas músicas e comprar os Cds, isso é bárbaro, a internet ajuda muito os independentes, mas a venda do nosso trabalho é o que nos sustenta, já que os shows são irregulares. É diferente de alguém que tenha uma divulgação maciça, onde a venda de discos interessa muito mais à gravadora.


Wooz - No ano passado você se apresentou em Buenos Aires, como foi a recepção do público portenho?

Consuelo - Impressionante. Semana passada voltei à Argentina pela segunda vez e foi o show mais aplaudido da minha vida. É a terceira vez que saio do Brasil, e as informações que eu tinha, eram de que o público argentino não é muito caloroso, no entanto, dividi a noite com o Naná Vasconcelos, no teatro Grand Rex, com os 3 mil lugares completamente lotados, foi muito forte mesmo.


Wooz - Você também já tocou em Madri, que aliás fez você largar o curso de farmácia em Ouro Preto. Você acha que a saída para a música brasileira está no aeroporto?

Consuelo - Talvez seja. Eu não pensava nisso antes, eu achava que a minha música era daqui, e a palavra uma coisa muito forte, mas no ano passado quando fui, senti a beleza dessa troca e hoje eu estou aberta para trabalhar em qualquer lugar, eu iria até para o Afeganistão. Risos. Não que eu queira ir, por ir, mas para ampliar meu espectro de atuação. O tipo de música que eu faço e para uma minoria, seria muito legal alcançar outras minorias espalhadas pelo mundo.


Wooz - Qual o peso que tem ler uma crítica escrita por Mauro Dias e Tárik de Souza, no especial da Vogue, dizendo que o Cd Samba, Seresta e Baião é um dos mais bonitos de toda história da música brasileira?

Consuelo - Eu me lembro que estava em minas compondo e descansando e alguém chegou com a revista, quando eu li, fiquei extremamente feliz, foi incrível, inclusive porque sou fã dos dois.


Wooz - A transição do interior de Minas para a grande metrópole fez você incluir elementos urbanos em sua música?

Consuelo - Sem dúvida. O som que se ouve é resultado de tudo o que vivi em São Paulo. O apuro estético é extremamente contemporâneo. Basta ouvir cada música, como as letras são tratadas, as melodias cantadas, os arranjos colocados.


Wooz - Quando foi lançado o Cd Dança das Rosas você declarou que não sabia o que ia fazer depois de completar a trilogia. Você já tem projeto?

Consuelo - No fundo eu estava segurando informações. Desde o segundo disco eu venho mantendo uma conversa com a América, mostrando que não foi à toa minha ida para Buenos Aires. Esse novo ciclo já tem até uma cor própria, mas ainda não é hora de seguir em frente, afinal o Dança com Rosas ainda é muito recente. Essa trilogia tem muito para caminhar.


Wooz - Você já se apresentou no Sesc - Santo André, você sentiu receptividade do público com o seu estilo de música?

Consuelo - Primeiro, foi um dos teatros mais gostosos que já me apresentei. O som é impecável, as dimensões são ideais para a minha música, o público, apesar de pequeno, foi muito caloroso, se não me engano o Sesc estava recém inaugurado, pena que vamos voltar numa véspera de feriado. Mas deve dar tudo certo.


Wooz - O show de sexta-feira é diferente do anterior?

Consuelo - Muito diferente. O show anterior era baseado nos dois primeiros Cds, esse terá o terceiro como referência, além de músicas dos anteriores. A banda terá violão, percussão, clarinete tocado por Gil Reis, além da presença do meu grande parceiro, Rubens Nogueira. Com essa formação, eu consigo mostrar de uma forma mais ampla todo o meu trabalho.


Wooz - Você tem shows agendados pelo país ou fora dele?

Consuelo - No domingo eu participo de um encontro de compositores no Café Piu-Piu. No dia 15, 16 e 17 farei um show fechado para professores, comemorando o dia deles. A partir do dia 17 de outubro farei sete shows em teatros municipais da cidade de São Paulo. No dia 9 de novembro no Sesc Consolação. Tem também o projeto Gente Fina, no Teatro Municipal de São Paulo, em dezembro, só com voz e piano, com o Gil Reis. E reveillon em Francisco Xavier, além de outros projetos para o ano que vem.


Wooz - Boa sorte na continuidade de sua carreira e obrigado pela entrevista.

Consuelo - Eu que agradeço, foi um prazer.