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     COMPORTAMENTO

8ª Convenção Internacional de Tatuagem


Por Marcos Fávero

Moda de tatuar o corpo junta várias tribos

A 8ª Convenção Internacional de Tatuagem, que aconteceu em São Paulo, reuniu curiosos, aficionados, experientes, artistas brasileiros e estrangeiros e uma extensa gama de excêntricos. Caminhando pelos corredores, por onde passaram mais de 12 mil pessoas durante os três dias do evento, o que mais se ouvia era um barulho que lembra o de um consultório dentário. Parando nos quiosques, via-se pessoas, muitas delas iniciantes, fazendo caretas enquanto tatuadores riscavam seus corpos, com máquinas parecidas com aquelas de dentista e tintas coloridas.

divulgação Amanda
São os mais variados motivos que levam os interessados a se submeter a essa pequena sessão de tortura. "Meus pais tem um estúdio e me incentivam. Além de achar bonito, muitas imagens carregam mensagens interessantes, como esta que acabei de fazer, que significa liberdade", argumentou Amanda, de 19 anos, que fez sua segunda tatuagem. Sua mãe, Valéria, fez a primeira há 17 anos e não se arrepende. "Quando resolvi me tatuar havia um preconceito muito grande, a sociedade ligava a tatuagem a criminalidade. Mas isso mudou, muitos que criticavam vem até nosso estúdio para gravar alguma coisa na pele", concluiu.

divulgação Led's Tatoo
Led's Tatoo, organizador do evento, que diz ter influências de Salvador Dali, Boris Vallejo, Michelangelo e Leonardo da Vinci, vê a tatuagem como uma forma de expressão artística. "Nós, profissionais da área, tiramos a pintura do papel e das telas e trouxemos para o corpo", declarou. Ele afirma que vários profissionais são influenciados por algum grande pintor ou pelos polinésios, de onde, inclusive, vem a inspiração para os desenhos aplicados no rosto, coisa que se recusa a fazer. "Se alguém vem até o meu estúdio e pede para tatuar algo no rosto eu não faço, pois acredito que a sociedade ainda não está preparada para esse tipo de arte. A pessoa que resolve tatuar o rosto, vai, em algum momento, ser discriminada", afirmou.

Para alguns visitantes, no entanto, a tatuagem é uma forma de marcar posição. Fernando que tem dezenas de piercing e tatuagens pelo corpo, foi até a convenção para tatuar o pescoço. Depois de ser fotografado por vários curiosos, jornais e filmado por emissoras de televisão, disse que essa é a sua maneira de mostrar como vê o mundo. "Essa foi a forma que encontrei para dizer às pessoas que existe mais de uma forma de se viver, não sigo tendências da moda fabricada por marqueteiros e que são institucionalizadas nas São Paulo Fashion Weeks da vida". Quando perguntado se o que faz também não é seguir a moda de uma tribo, ele afirmou: "talvez eu tenha minha tribo, minha moda, mas ela é feita por mim e para mim".

Por outro lado, existem pessoas que por um motivo ou outro foram obrigadas a tirar alguma tatuagem. Ângela, modelo que trabalha em algumas feiras, tinha uma borboleta no tornozelo e uma rosa nas costas, mas começou a encontrar dificuldades para encontrar trabalho. "Apesar de muitas pessoas acharem sexy, em alguns ambientes sofisticados ainda há um certo preconceito. Depois de receber alguns não, resolvi apagar as tatuagens com laser e, a partir daí, os convites começaram a aparecer", garantiu. Quando perguntada sobre o motivo de sua presença na Convenção, ela respondeu: "estou pensando em tatuar uma tulipa num lugar bem íntimo. Quero ver alguém descobri-la numa entrevista".

Outro caso é o do corretor de seguros Marcelo Carneiro. Ele tem os dois braços tatuados com motivos indianos e garante ter sofrido muito preconceito em empregos anteriores. "Hoje sou obrigado a trabalhar com camisa de mangas compridas todos os dias, mesmo no verão, afinal não tenho grana para apagar tudo e para falar a verdade, nem sei se quero fazer isso". Ele foi até a convenção acompanhar a namorada, Márcia, que foi fazer a primeira tatuagem. "Vou colocar uma borboleta na nuca. Se der algum problema, eu solto o cabelo e ninguém vê", garantiu.

Outros são os motivos do promoter Clécio Silva. "Quando eu fiz a minha primeira tatuagem era uma coisa meio marginal, contraventora. Uma vez, numa batida policial, fui mal tratado só porque eu tinha um coração transpassado por uma espada. Acharam que eu era bandido. Depois que a coisa se popularizou e qualquer patricinha ou mauricinho tem uma tatuagem `radical` resolvi tirar as minhas aos poucos. Agora eu só tenho aquele coração mesmo, até para me lembrar dos bons tempos", concluiu.

divulgação