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     ENTREVISTA

Clara Becker dá saltos mortais para não ser morna


Por Marcos Fávero

divulgação Sendo filha de Cacilda Becker e Walmor Chagas poderia ter trilhado seu caminho no teatro, na TV ou no cinema, até se arriscou, mas aos 24 anos pisou pela primeira vez num palco para cantar, já tinha pensado em ser veterinária e psicóloga, mas não seria feliz se não cantasse. Foi então que resolveu encarar a música como profissão, afinal, viver é correr riscos.


Wooz - Você já afirmou que viver é correr riscos. Quais assumiu quando optou por ser intérprete?

Clara - Estar no palco é uma grande responsabilidade e quando subo num, gosto de me cercar de boas músicas e grandes compositores. Isso é um risco porque as melodias desafiam, as poesias exigem uma interpretação para a qual nem sempre estamos totalmente preparados, é sempre uma novidade. O problema está em assumir a interpretação de uma boa música, da boa MPB, dos grandes compositores, ainda mais nessa época que o mar não está para peixe.


Wooz - Muitos músicos e intérprete estão preferindo produzir de forma independente para ter mais liberdade de criação. Estar atrelada a uma grande gravadora já não é mais um mal necessário?

Clara - Na medida em que a tecnologia foi se tornando acessível, foi aumentando a autonomia dos independentes. Antes dependíamos das 'majors' e suas parafernálias tecnológicas para concluir um trabalho, mas a democratização tecnológica favoreceu o artista que quer mostrar algo diferente, ter o controle total sobre sua obra, assim você fica livre para escolher música, repertório, estúdio, produtor etc. É um caminho paralelo que vem ganhando uma força incrível. Ele permite que se crie uma frente ao monopólio existente, porque não tem sentido você entrar numa grande gravadora e ficar infeliz, cantando músicas que não tem nada a ver com você.


Wooz - O que falta fazer para ser independente das distribuidoras também?

Clara - Não sei se essa independência é necessária. Acho que a maioria delas age de uma forma muito bacana. Eu não tenho do que reclamar em relação ao 'Pétalas', afinal, tenho uma parceria muito legal com a minha distribuidora (Trama). Pelas informações que tenho o Cd está flutuando por aí, mas como foi meu primeiro trabalho, não tenho outras referências para comparação. Independente disso, acho necessária a parceria, afinal, é ela que possibilita que o trabalho chegue em todos os cantos do país. De qualquer forma, acredito que no futuro possam existir outros mecanismos de distribuição, diferentes do atual.


Wooz - O Cd pétala foi lançado em 2003 correto?

Clara - Em abril de 2003.


Wooz - Como foi trabalhar com Benjamin Taubkin e Leandro Braga?

Clara - Foi muito gratificante, pois me identifico muito com a musicalidade dos dois. Quando pensei em fazer o Cd, minha primeira ação foi convidar esses grandes arranjadores, que trafegam pela mesma linha do meu pensamento musical. Eu fiquei muito satisfeita com o resultado e tenho certeza que contribuiu muito para dar a personalidade que eu queria para o meu trabalho. Foi um casamento muito feliz.


Wooz - O Benjamin Taubkin faz parte da ABMI (Associação Brasileira da Música Independente) correto?

Clara - Correto. Inclusive, pretendo filiar meu selo, Vila Pirutinga, a ABMI, porque vejo nessa associação uma importante ferramenta para que esse mercado se organize e lute pelos seus direitos, e abra assim, novos caminhos para a música independente, que é tão importante.


Wooz - Você já tem projeto para um novo Cd, ou esse ainda tem muito caminho a ser percorrido?

Clara - Estou com alguns projetos sim, mas não gosto de falar deles antes da hora, não sou supersticiosa, mas nesse caso acho que pode entrar areia. Nós gastamos muita energia falando sobre projetos e às vezes eles não acontecem. Sou do tipo de pessoa que gosta de contar com o ovo no 'dito' da galinha (risos). Quando tiver certeza, terei o maior prazer em te contar. Enquanto isso, estou fazendo esse novo show 'Clara e Luxuoso Olhar' que tem uma proposta interessante, porque quando eu gravei o 'Pétalas', coloquei uma música do Bide e do Marçal, dupla dos anos 40, do Rio de Janeiro, responsável, junto com o Ismael Silva e uma galera do São Carlos, pela fundação da primeira escola de samba do Rio, e acabei me encantando por esse universo, juntei com alguns sambas e toadas dos anos 30, 40, 50 e composições mais recentes e transformei nesse show.


Wooz - Em 2000 você declarou que o artista tem que dar um salto mortal, sem medo de errar. Se errar tudo bem, ergue e aprende de novo. Você está dando muito salto mortal?

Clara - Eu estou (risos). Quando eu falei isso, foi pensando no artista engessado, aquele que assumiu uma forma rígida e morreu como criador. Por isso você tem sempre que estar se propondo a sair do lugar comum, da sua zona de conforto. Quando o artista resolve fazer um trabalho, a dar a cara à tapa, tem como obrigação procurar uma renovação de si mesmo. O salto mortal, portanto, é contínuo, é isso que faz o artista se manter vivo. Ele precisa se desafiar, senão passa a ser algo morno.


Wooz - Isso me leva a outra declaração sua. Você disse que a última coisa que queria na vida era ser morna. Esse objetivo já foi alcançado?

Clara - É uma busca constante mas que me deixa muito feliz, pois permite que eu me renove sempre, pelo menos eu busco isso, já que é difícil ter um parâmetro sem um distanciamento. Eu estou sempre angustiada, pois quando olho para traz acho que poderia ter feito aquele trabalho melhor, por isso eu não me sinto uma artista morna, eu me sinto numa busca constante por algo surpreendente, para poder mostrar ao público as maravilhas do nosso cancioneiro popular.


Wooz - Clara, muito abrigado pela entrevista.

Clara - Eu é que agradeço, foi um prazer.