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     DANÇA

CUBO


Valmir Junior*

Convergência de mídias. Hoje, entre estudiosos de Tecnologia da Informação, se fala muito desse assunto. Grosso modo, é a utilização das diversas mídias de forma conjunta. Exemplo: rádio via Internet,TV digital, etc. Sempre no caminho da maior interatividade com o interlocutor, ou seja, aquele que vai utilizar a mídia.

Pois bem, a Arte também tem a sua convergência. Nos últimos anos, os recursos de cada uma delas vem se misturando para formar uma obra na qual o interlocutor, no caso o espectador, participa cada vez mais. Da mesma forma que a convergência de mídias, a de artes promove ganho para o espectador, aumenta a interatividade, amplia a compreensão que o interlocutor pode abstrair. O cinema teatralizado (vide "Dogville"), o teatro utilizando cinema...

Ou a dança misturando teatro e cinema, como é o caso de "Cubo", espetáculo em cartaz no Teatro Popular do SESI. "Cubo" é composto por dezesseis quadros de temas variados, evocando o amor, o abandono e outros corriqueiros temas que fazem parte do cotidiano, como deve ser um espetáculo com temática jovem. Porém, nesse caso, projeções (de Fernando Meirelles, diretor de "Cidade de Deus"), telas e luz interagem com o ambiente, se integram facilmente.

A Companhia LudicaDança habilmente traduz o vídeo para a dança e dança para o vídeo, sem perder o equilíbrio, o que já não acontece com "Avenida Dropsie", apresentada também no mesmo teatro. Em determinadas passagens, os bailarinos vão chamando, ordenando ou repudiando a entrada e saída de telas. Em outros momentos, uma projeção mostra os atores chegando cada vez mais perto, quando esses de fato surgem no palco, como que saindo de tela: um prodígio belíssimo e artimanhoso. Prende a platéia e contribui com a atmosfera. Em meio a tudo isso, surge a projeção de uma dança, com os mesmos atores dançando como na projeção, mas com mudanças sutis e outras nem tanto. De encher os olhos. E eis que o teatro cava sua aparição numa performance estilo "programa de auditório" muito bem-vinda.

Entretanto, com toda a engenhosidade, novidade e espanto causados na platéia com tanta interatividade, "Cubo" prima pela dança. A chave é sua contemporaneidade, advinda dos coreógrafos Susana Yamauchi e João Maurício, que introduziu uma "confusão organizada" de estilos, mistura de capoeira com artes marciais, ora ballet clássico, ora tango, numa profusão de sentidos: um sonoro não ao "movimento pelo movimento". E, com o adendo de expressão facial muito bem delineada, a proximidade dos dançarinos com a platéia se instala.

Sem deixar cair o ritmo, a LudicaDança criou um espetáculo que envolve a platéia, até mesmo aqueles que não estão familiarizados com dança (e esses são muitos), especialmente com a música instigante de Zeca Baleiro e a coreografia inspirada. Indicado a um público jovem, "Cubo" vai em direção de todos os públicos. Falta apenas que a platéia destrua a barreira que os impede de assistir dança sem preconceito. Feito isso, o entretenimento, aqui, é garantido.


"Cubo" - Com a Companhia LudicaDança - Dir.: Susana Yamauchi e João Maurício. Elenco: Ana Luisa Seelaender, Ciça Mirelles, Kiko Caldas, Reinaldo Soares, Susana Yamauchi, Tony Siqueira e Weidi Sakyamma. Onde: Teatro Popular do SESI, Av. Paulista, 1.313, Metrô Trianon-Masp. Até 3 de Julho. Ingresso: Grátis.



*Valmir Junior
"Paulista, 23 anos, virginiano e doido por chocolate. Esse é Valmir Junior, um ator amador (ou amador ator?), fã de teatro (claro), filmes, exposições e outros assuntos relacionados à Arte (além de ser um bom garfo também). É a primeira vez que resenha para um site e dá medo nele, mas o desafio já foi aceito, então: "Merda!!!" (Não levem a mal! É "Boa Sorte" no Teatro)."