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Roseli Pereira
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     ROSELI PEREIRA

Sobe e desce

Por
Roseli Pereira*

Foi fechar a porta do escritório e ouvir o plim do elevador. Dei uma olhada rápida e a setinha verde estava lá, acesinha da silva. Eu nem precisei pensar: meus neurônios registraram, imediatamente, que em breve o mesmo estaria parado neste andar. Dei uma corridinha para aproveitar aquele espaço de tempo que sempre existe entre o plim e a chegada do bicho. E confesso que nem verifiquei se o mesmo estava ou não estava lá: eu entrei e ele subiu. Só que eu queria descer. Óbvio, cretina: setinha verde indica que sobe, e não que você tem que entrar.

E aí fiquei pensando em quantas vezes já fiz isso assim, no automático, e nem registrei. Em todo o tempo que já perdi na vida entrando no elevador errado, sem me dar conta de que essa tal de setinha não é igual semáforo. E, então, fiquei me perguntando por que tanta gente insiste em usar as cores principais do semáforo nas setas de elevador, se todo mundo já está condicionado a elas para andar e parar. E fiquei apostando comigo mesma quantas vezes por semana o feliz dono desta idéia pára diante de uma setinha vermelha e anda diante de uma verde. Mesmo que ele queira descer. Bem feito.

Não entendo como é que nenhum vereador percebeu isso antes. Porque se aquela plaquinha mal escrita está lá para preservar a nossa integridade física, o vermelho e o verde estão lá para comprometer a nossa integridade psicológica. Ou até mesmo moral, no caso de haver testemunhas.

(Chi! Por que é que eu fui falar nisso? Amanhã mesmo é capaz de aparecer alguém com a idéia de uma outra plaquinha, que seria colocada ao lado daquela: "Senhores Passageiros, antes de entrar no elevador, verifiquem se a cor da setinha do mesmo encontra-se indicando corretamente o sentido para o qual os senhores vão estar indo." Ai, ai.)

Mas, antes que isso aconteça, vou tentar "matar no ninho" esta segunda plaquinha. Que tal se a gente mudasse as cores das setas? Heim? Heim? Aliás, também não entendo como é que ninguém sugeriu isso antes, porque até onde a minha vista simbólica alcança, setinha vermelha apontando pra baixo nunca representou boa coisa, não.

Então, que tal usar azul e rosa, por exemplo? Pensando bem, melhor não: as mulheres acabariam entrando só nos elevadores de seta rosa e os homens só nos de seta azul. Todo mundo continuaria perdendo tempo, os casais passariam horas desparelhados e, pior, seria o fim daqueles relatos picantes de sacanagem no elevador. Impensável.

Vou dar outra idéia: e se a gente usasse azul pra subir e marrom pra descer? Pelo menos seria bem lógico: a cor do céu pra cima, a cor da terra pra baixo. Melhor ainda: ao invés de marrom, poderíamos usar o cinza-asfalto. Ou então o cinza-calçada. Que tal? A escolha ficaria a critério do condomínio. E nas cidades praianas, poderíamos usar o azul-céu para subir e o azul-mar para descer.

Mais fácil que isso, só deixando todas brancas. Não ficaria tão animado, é certo. Mas, no mínimo, obrigaria o povo a olhar para a posição das setinhas. E, convenhamos, em tempos de falta de energia, esta seria a decisão economicamente correta.




* Roseli Pereira (quarenta e uns) é paulista, redatora publicitária e corinthiana (nesta ordem). Escreve desde sempre, mas só começou a desengavetar seus textos no dia em que descobriu a Internet. Dali em diante, foi ficando cada vez mais cara de pau e ganhou o papel. Atualmente, tem crônicas publicadas em 3 das 4 antologias dos Anjos de Prata e em alguns jornais do interior do Estado de São Paulo.