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     ROSELI PEREIRA

Básico
Laranja e panetone: evite com todas as suas forças


Por Roseli Pereira*

É claro que eu não estou falando da fruta ou do doce. Por mim, você pode comer o que bem entender, na quantidade que desejar, desde que mastigue com a boca fechada. Estou falando em duas das principais deformações que um corpo apresenta quando está enfiado dentro da roupa errada.

Para quem ainda está fingindo que não reconheceu os efeitos pelo nome, vou explicar: efeito laranja é aquele punhado de celulite que fica evidente quando você se mete numa calça justa demais, e efeito panetone é todo e qualquer volume que sobra na horizontal, depois que a roupa acaba. Pode ser banha, pele ou osso: não importa. Se alguma coisa estufou acima do cós ou nas lateriais de qualquer elástico, é claro que a roupa não serve. Tente um número maior ou desista de uma vez.

Vira e mexe vejo gorduchas cujos trajes permitem notar que todas as curvas, reentrâncias e fofuras são naturais do corpo dela. Nada mais civilizado. Infelizmente a maioria não é assim, e o que mais a gente encontra pela rua são mulheres com dois culotes em cada perna, quatro seios na frente e dois atrás, duas ou três barrigas e outras barbaridades dignas de estudo sério em laboratório de biologia.

Isso sem falar naquelas calças de cintura baixa que fazem a barriga chegar antes da pessoa. Se esse modelo tem o dom de acrescentar volumes abdominais até em gente esquelética, imagine o que não é capaz de fazer com quem possui uma carnezinha a mais. É pelo menos um palmo pra fora, andando lá na sua frente. Quem usa deveria ser multado por produzir poluição visual.

E também têm aqueles jeans tão justos, mas tão justos, que não permitem que se dê um passo sem que o quadril acompanhe a perna. E a pessoa vai andando: primeiro todo o lado direito para a frente, depois o esquerdo. Que nem soldadinho de chumbo. Se não for masoquista, deveria levar uma surra. Se for, aplicar a tal surra não teria a menor graça.

Num mundo minimamente civilizado, a moda deve ser usada apenas se valorizar o corpo. Vestir roupas que enfeiam só porque estão na moda é assunto para outra conversa. De preferência, com um bom analista.

Não perca, na próxima semana: "Finja que sabe se vestir civilizadamente III - Se não quer valorizar, pelo menos não estrague tudo."




* Roseli Pereira (quarenta e uns) é paulista, redatora publicitária e corinthiana (nesta ordem). Escreve desde sempre, mas só começou a desengavetar seus textos no dia em que descobriu a Internet. Dali em diante, foi ficando cada vez mais cara de pau e ganhou o papel. Atualmente, tem crônicas publicadas em 3 das 4 antologias dos Anjos de Prata e em alguns jornais do interior do Estado de São Paulo.