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     ROSELI PEREIRA

Básico
Um guia de comportamento civilizado para quem acha etiqueta um porre


Por Roseli Pereira*

Por incrível que pareça, a etiqueta não veio ao mundo para torturar ninguém. Ela foi criada para tornar a convivência humana mais simples, mais harmônica e muito mais agradável em qualquer situação.

Aí vieram os esnobes e começaram a regulamentar até mesmo a forma correta de empunhar uma touca de banho, para total constrangimento de quem não podia passar anos e anos aprendendo "o jeito certo" de fazer todas as coisas, e nem tinha dinheiro suficiente para contratar um chefe de cerimonial.

Aí vieram os abolicionistas sociais, que não sossegaram enquanto não conseguiram incitar a população e libertar o mundo daqueles milhões de páginas de bons modos, repetindo sem parar que tudo aquilo era frescura.

Aí vieram aqueles que nunca têm a menor noção do que está acontecendo, mas sempre fazem questão absoluta de meter a colher em tudo, e, com uma autoridade que só a mais completa ignorância pode conferir, misturaram as regrinhas esnobes com os mais básicos conceitos de comportamento civilizado e (quase) todo mundo acreditou.

Aí veio uma falta de educação desgraçada.

Aí, para não passar muita raiva ou muita vergonha, alguns empresários inventaram de dar cursos de etiqueta no trabalho, para que (pelo menos) os seus funcionários passassem a agir de uma forma minimamente aceitável. Só que alguém errou na mão e ensinou de mais ou de menos, de modo que continuamos sofrendo, seja pela falta absoluta ou pelo constrangedor excesso de gentileza. Se o meio-termo está difícil, estender os ensinamentos para fora das situações de trabalho, nem pensar. Se bem que, em certos casos, chegue a ser melhor assim.

Mas eu não liguei o computador para escrever sobre história ou sociologia, e nem estou aqui para chorar sobre o bom senso derramado. O fato é que o mundo trata melhor as pessoas que agem de modo civilizado, tenham elas decorado regras ou não. E o motivo é muito simples: pessoas civilizadas incomodam menos e agradam mais em qualquer ocasião, independentemente do seu grau de inteligência, condição social, nível de escolaridade ou poder aquisitivo.

E vou além: ao contrário da inteligência, que já nasce com o indivíduo, um comportamento civilizado é questão de observação e treino, e pode ser adquirido a qualquer tempo. Se você já tem, use. Se ainda não tem, faça como eu: finja. De tanto fingir, talvez um dia nós dois acabemos incorporando.

Não perca, na próxima semana:
"Finja que sabe se vestir civilizadamente I - Lançando luzes sobre o conceito de corpo."




* Roseli Pereira (quarenta e uns) é paulista, redatora publicitária e corinthiana (nesta ordem). Escreve desde sempre, mas só começou a desengavetar seus textos no dia em que descobriu a Internet. Dali em diante, foi ficando cada vez mais cara de pau e ganhou o papel. Atualmente, tem crônicas publicadas em 3 das 4 antologias dos Anjos de Prata e em alguns jornais do interior do Estado de São Paulo.