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Roseli Pereira
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     ROSELI PEREIRA

Na caloria do assunto

Por
Roseli Pereira*

Depois dos 40 anos a gente fica mais esperta. Acho que é pra compensar a celulite. Aliás, eis aí um assunto polêmico, no qual eu me posiciono junto a uma facção conservadora que acredita que, se você não der bola pra ela, ninguém mais vai ter peito pra dar.

Em primeiro lugar, porque a Lei da Gravidade é totalmente democrática e faz questão de atingir todo e qualquer ser humano, sem discriminação de raça, credo ou padrão sócio-econômico. E em segundo lugar porque você é uma pessoa inteligente, e nunca vai permitir que a sua celulite ultrapasse os limites estabelecidos pelo bom senso e pela boa educação.

Confesso que não gosto muito da minha. Mas não é por isso que vou permitir que alguém a trate mal. A minha celulite só recebe o que há de melhor. Massagens, cremes, carinho e quilos de centella asiática.

Mas, voltando à vaca fria, depois dos 40 a gente fica muito mais esperta, mesmo. Principalmente na hora de driblar a dieta e arrumar bons motivos científicos, psicológicos e até mesmo políticos para justificar aquele inexplicável ataque à lasanha do domingo. E à churrascada do sábado. E à bacalhoada da sexta. E à macarronada da quinta. E à feijoada da quarta. E à dobradinha da terça. Mas nunca ao virado paulista da segunda, porque ele vai à mesa exatamente na hora em que a gente está começando a dieta.

Bem, mas já que depois de terça-feira a gente se sente tão frágil e emocionalmente abalada, fazer o quê a respeito do pudim de leite e daquela meia garrafa de vinho a mais?

Pois é. Já que depois de terça-feira o inevitável acontece, a única coisa que me consola é que os resultados físicos sempre se transformam em sabedoria a mais.

Um velho amigo me disse, uma vez, que na verdade não sou gordinha: sou uma mulher clássica. Adoro ter amigos assim. E adoro, especialmente, encontrá-los toda semana em alguma mesa agradável da cidade. Pra alimentar a alma e as boas relações sociais. Pra crescer interiormente na caloria do assunto. E é só até aí que eu confesso.




* Roseli Pereira (quarenta e uns) é paulista, redatora publicitária e corinthiana (nesta ordem). Escreve desde sempre, mas só começou a desengavetar seus textos no dia em que descobriu a Internet. Dali em diante, foi ficando cada vez mais cara de pau e ganhou o papel. Atualmente, tem crônicas publicadas em 3 das 4 antologias dos Anjos de Prata e em alguns jornais do interior do Estado de São Paulo.