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Roseli Pereira
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     ROSELI PEREIRA

Doenças nervosas

Por
Roseli Pereira*

Aí eu ia passando pela rua quando vi a placa pregada na fachada de um sobrado: Doenças Nervosas.

Doenças nervosas… será que eles vendem, compram ou ajudam a gente a adquirir? Bem, pelo jeitão do sobrado parece que é uma clínica. Nesse caso, eles devem tratar. Mas confesso que a placa assim, com aquelas duas palavrinhas nuas e cruas, levantou uma questão crucial: será que existem também as doenças calmas? Se existe alguma, só pode ser o coma. Afinal, o coma desliga a chave geral do doente e pronto. Mas se o coma não é doença, é estado, aí eu juro que já não sei mais nada.

De qualquer forma, se até a mais insignificante das frieiras consegue me tirar do sério, eu simplesmente não acredito em doenças calmas. E nem em coelhinho da Páscoa.

Bom, pelo menos agora eu sei que naquele sobrado posso me tratar até de recaída de caspa. Pior é o caso da mulher que me disse, outro dia, que estava com pressão. Isso sim é que é grave: pressão é sintoma inequívoco de sistema circulatório. Outro sintoma é um tum, tum, tum bem compassado dentro do peito. Tadinha da mulher… porque sistema circulatório, como você sabe, é incurável. Ou pior: se um dia a gente detiver os sintomas, acaba morrendo. Credincrúiz! Não desejo isso pra ninguém.

E também têm aquelas pessoas que estão com a coluna. É, isso mesmo: com a coluna. Você nunca viu, não? Pois esses pobres sim, é que sofrem. Sofrem fadados a ficar com o tronco indobrável para sempre. Ô dó! Será que existe alguma coisa mais cruel do que jamais conseguir lamber o próprio umbigo? Fico pensando, pensando, mas não adianta. Ou não existe, mesmo, ou eu é que estou sem cabeça. .




* Roseli Pereira (quarenta e uns) é paulista, redatora publicitária e corinthiana (nesta ordem). Escreve desde sempre, mas só começou a desengavetar seus textos no dia em que descobriu a Internet. Dali em diante, foi ficando cada vez mais cara de pau e ganhou o papel. Atualmente, tem crônicas publicadas em 3 das 4 antologias dos Anjos de Prata e em alguns jornais do interior do Estado de São Paulo.