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Roseli Pereira
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     ROSELI PEREIRA

Auto-flagelação 2, a missão

Por
Roseli Pereira*

Mulher é mesmo um bicho esquisito. A maior parte traz, como característica da raça, a necessidade de auto-flagelação. O mundo gira, a lusitana roda, o conhecimento e as tecnologias evoluem, e a mulherada lá, sofrendo. Ou melhor, arrumando um jeito de sofrer.

Antigamente uma mulher feliz era aquela que se casava, tinha filhos e se sacrificava por eles, enquanto sacrificava todo mundo com suas lembranças dioturnas sobre o sofrimento da gravidez, das dores do parto e do sacrifício que é fazer tantos sacrifícios.

Hoje em dia, com o advento do parto sem dor, da babá eletrônica, do berçário altamente especializado, da máquina de lavar e da profissionalização da mulher, o sofrimento acabou. Pelo menos "aquele" sofrimento acabou. Porque apareceram outros como o biquini, o tomara-que-caia e a minissaia.

E aí você me pergunta: mas desde quando biquini, tomara-que-caia e minissaia são sofrimentos? E aí eu te respondo: você seria capaz de desfilar em público de biquini, com toda aquela celulite dando sopa? Ou de tomara-que-caia, com o peito caído? Ou de minissaia, com aqueles vasinhos que andaram aparecendo nas pernas, ultimamente?

Se você é homem, é óbvio que não daria a menor bola. Eu, pelo menos, nunca tive notícia de algum que usasse espartilho pra disfarçar a barriguinha de cerveja. Ou que não tirasse a camisa porque não raspou debaixo do braço.

Mas mulher é diferente. Mulher precisa fazer massagem redutora, esfoliação, lipo, lifting, maquiagem definitiva, cirurgia plástica ou qualquer outra coisa que justifique sacrificar todo mundo com suas lembranças dioturnas sobre o sofrimento que é aquele novo aparelho de ginástica, sobre as dores do pós-operatório e sobre o sacrifício que é fazer tantos sacrifícios.

Bicho estranho, mesmo. Tão estranho que, nestes últimos milhares de anos, ainda nem percebeu que homem nenhum faz questão de nada disso. E que, provavelmente, nem vai perceber.




* Roseli Pereira (quarenta e uns) é paulista, redatora publicitária e corinthiana (nesta ordem). Escreve desde sempre, mas só começou a desengavetar seus textos no dia em que descobriu a Internet. Dali em diante, foi ficando cada vez mais cara de pau e ganhou o papel. Atualmente, tem crônicas publicadas em 3 das 4 antologias dos Anjos de Prata e em alguns jornais do interior do Estado de São Paulo.