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Roseli Pereira
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     ROSELI PEREIRA

Beijo no coração

Por
Roseli Pereira*

Tanta coisa boa de beijar, e esse povo escolhe logo aquela bombinha que tem mania de acumular colesterol ruim. Imagina a gordura amarela juntando… argh! E quer apostar que quem inventou essa expressão faz frescura até pra temperar um frango?

Tá certo que coração é importante. Mas daí a ganhar beijo, existe uma longa distância. E mais: será que quem fala uma coisa dessas não está sublimando a vontade inconsciente de serrar suas costelas?

Freud, se fosse vivo, explicaria. Mas morto, ele só consegue mesmo explicar beijos no interior do útero materno. Ou outros, relacionados a hormônios em geral.

E por falar em hormônios, que tal "um beijo na sua tireóide"? Se eu dissesse isso pra você, estaria desejando que você se mantivesse no peso ideal. Não é lindo e muito mais romântico?

Mas se a gente tivesse mesmo que ficar mandando beijos pros miúdos alheios, eu votaria no cérebro. Já pensou? Ou ficou com nojo só porque a massa é cinzenta e vem recheada de neurônios? Isso é preconceito da sua parte, sabia? Afinal, a gente só é o que é porque aquela massa nojenta é o que ela é. Ou não estou falando a verdade?

Tudo bem, eu entendo: as pessoas conscientes e plenas do seu ser continuam preferindo beijar coisas assim… muito mais ensangüentadas. Então, que tal beijar o rim? Ou o rim não é um órgão sério? Quem sabe o fígado, talvez? Aliás, acho que todo mundo ganharia muito mais se tivesse um pouco de respeito pelo fígado do próximo. Pelo menos na hora de se despedir mandando beijo.

Por que não mandar só o beijo e pronto? Você manda assim, em aberto, e a pessoa recebe onde quiser ou estiver precisando. Na coluna vertebral, por exemplo. Ou será que osso e cartilagem não valem?

E por falar em despedida, tá na minha hora. Lembranças pra família e desculpe alguma coisa, heim?




* Roseli Pereira (quarenta e uns) é paulista, redatora publicitária e corinthiana (nesta ordem). Escreve desde sempre, mas só começou a desengavetar seus textos no dia em que descobriu a Internet. Dali em diante, foi ficando cada vez mais cara de pau e ganhou o papel. Atualmente, tem crônicas publicadas em 3 das 4 antologias dos Anjos de Prata e em alguns jornais do interior do Estado de São Paulo.