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     COLUNA POP-UP

24/03/06


Pop-up: O pós-punk quer vingança


Por Alberto Cataldi*

Quando você pensava que ia passar mais uma semana sem mim...

Lembra, lá na pré-histórica primeira edição desta modesta coluna? Eu indicava algumas músicas de bandas novas que pareciam de antigamente. Acontece que elas - Interpol, Killers e Franz Ferdinand - continuam fazendo sucesso, com o som evoluindo e ganhando maturidade. O bom na música não é saber emular, mas juntar o antes com o agora e, assim, criar o amanhã. Ou pelo menos o daqui a pouco.

She Wants Revenge Falando em Interpol, em parecer de antigamente, em amanhã... Enfim, falando em tudo o que já falei, trago uma banda americana - na verdade uma dupla - que lançou seu primeiro cedê este ano. She Wants Revenge traz, na primeira vez, um típico som de pós-punk, e, na segunda... Bem, a mesma coisa. Mas têm suas qualidades justamente nas referências que carregam. Perguntado por duas pessoas "mas, o como é o som deles?", acabei bolando uma descrição: é como se o Ian Curtis , do Joy Division, não tivesse morrido, mas eles tivessem fundado o New Order mesmo assim.

She Wants Revenge Cd As letras são deprê, obscuras, carregadas de cinismo. Mas acompa um som eletrônico bem moderno. É sob-medida para as pistas de dança, com algumas frases muito inspiradas misturadas com batidas eletrônicas e guitarras climáticas. "Red Flags And Long Nights", que abre o disco, já chega assim. De primeira lembra o Interpol, acompanhada de uma repetição eletrônica típica do Depeche Mode, depois entra o vocal que parece Joy Division, mas também recorda a fase dark do David Bowie. Em suma, uma música para clubs escuros estilo londrino.

Mas até agora não trouxe nada de novo, né? Bem, não espere... Não há nada de realmente novo aqui. O que importa é se vale a pena ouvir, e vale por faixas como "I Don't Want To Fall In Love" que grava fácil na cabeça e não tarda tocar nas baladas por aí, assim como "Sister" e "Tear You Apart". She Wants Revenge, ao lado da européia The Editors, pavimenta uma estrada que já estava sendo usada há algum tempo, a que traz de volta o clima dark, solitário e algumas vezes perverso que permeava o fim dos anos 70. Reflexo dos tempos atuais? Margareth Tatcher foi substituída por Tony Blair? A internet só deixou todo o mundo mais distante? Qualquer razão é mais do que o suficiente para o surgimento de bandas inspiradas por esse som, e o resultado até agora é bom.

Como eu sempre digo, tire suas próprias conclusões. Você pode ir no site deles, que não é tão bom, ou dar uma passada no amigão My Space para ouvir e ver um montão de coisas, incluindo o clipe de "Tear You Apart", dirigido pelo oscarizado Joaquin "Johnny Cash" Phoenix.

V for Vendetta Pausa. Momento cinema - E por falar em "revenge", o filme "V for Vendetta" ("V de Vingança"), produzido pelos irmãos "Matrix" Watchowsky, lidera a lista dos mais assistidos nos EUA. Baseado num dos melhores quadrinhos do inglês Alan Moore, a adaptação chega ao Brasil dia 7 de abril, e parece ser incrivelmente fiel ao original. Se for mesmo, só traz méritos. A história se passa em futuro alternativo, com uma Inglaterra dominada pelo totalitarismo. Hugo Weaving - o agente Smith de Matrix - estrela no papel de V, um revolucionário mascarado (ele não mostra o rosto durante toda a projeção) que apóia o terrorismo como forma de enfrentar a perversidade do poder. Traz ainda uma Natalie Portman careca como Evey, uma moça que se junta ao anti-herói após passar por maus bocados, e uma reviravolta moralmente dúbia que é, até hoje, uma das melhores na história das HQs. Lembre-se de assistir.

Vem cá, você compra roupas pela marca? Não tem nada de errado com isso. Não tem nada de errado em confiar em um salgadinho pela marca. Então porque não comprar um cedê confiando na marca? Ou melhor, no selo...


Três acordes: Selos aprovados

@ Matador - O melhor selo americano hoje. Tem na manga bandas como Yo La Tengo, Mogwai, Interpol, Stephen Malkmus, Pavement, Guided By Voices... ufff... Independentes, eles já lançaram tudo o que há de melhor na música em todos os continentes (estou contando as japonesas Cornelius e Pizzicato Five, também). Se tem a bandeirinha da Matador, pode confiar. Mais aqui.

@ Jeepster - Este selo é legal por deixar bem claro o tipo de som que apóia. Começaram lançando o Belle & Sebastian e, desde então, firmaram-se como um dos selos mais coerentes e independentes da música. Traz, também, The Gentle Waves, Salako, Looper e a sensação Snow Patrol. Parece mais uma grande família. No site tem um bocado de coisas para você.

@ Vice - Decidi colocar nos acordes pela atenção que eles têm dado ao cenário atual. É deles os lançamentos de Death From Above 1979, The Streets, The Stills e, é claro, Bloc Party. Ainda não têm muitos artistas no catálogo, mas é dos selos mais antenados com a música e com os fãs. É só conferir.

Desculpa aí se ficou faltando algum selo clássico, como a Apple dos Beatles, mas três acordes são isso, diretos, fáceis e carregados de informação. Os Ramones que o digam!

O email continua o mesmo e a coluna volta depois, semana que vem se der. Senão, deixa recado.





*Alberto Cataldi, 21 anos, é paulista e jornalista. Aprendeu a gostar de música com U2, de cinema com De Volta Para o Futuro e de literatura com quadrinhos do Batman. Escreve na Wooz sobre música e cultura pop, e acha isso muito divertido.