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     COLUNA POP-UP

15/08/05


Qualquer idioma


Por Alberto Cataldi* divulgação

A Pop-up de sexta na segunda? Está adiantada? Não, nada disso. Está atrasada e enxutinha. Peço perdão, mas chego com novidades musicais. Acalme esse mouse e leia na paz.

A melhor maneira para apreciar uma música na primeira audição é utilizar-se do que eu chamo de "ouvido infantil". É escutar sem preconceitos e sem referências, dando espaço para que a primeira audição guie suas interpretações por cada acorde. Porque escrevo isso? Ora, porque está chegando o novo cedê da banda islandesa Sigur Rós e, já que a parcela de pessoas que sabem islandês é muito baixa, porque escutar? Simples. Porque é música, porque é boa e porque, lá atrás quando você era mais novo e não entendia inglês ou espanhol, nada lhe impedia de ouvir bandas nesses idiomas e apreciá-las. Desfaça seus preconceitos, abra seus ouvidos. Essa vale a pena.

Antes, um rápido histórico da suntuosa Islândia. A ilha é um enorme berço musical. Os mais famosos de lá são, é claro, Björk e a banda em que cantou, Sugar Cubes. Mas a cultura de lá é muito vasta, tanto que, é sabido, praticamente todo cidadão deste pequeno país de 239.291 habitantes e pouco mais de 103 quilômetros quadrados tem uma banda. Shows ao ar livre e de graça são comuns, assim como cantar nos mais diversos dialetos e idiomas e a participar de shows de outras bandas. Foi justamente num disco de tributo ao Sugar Cubes que o mundo passou a conhecer melhor o Sigur Rós.

Por mais que na primeira ouvida pareça coisa de Radiohead, vai além. Eles são responsáveis pela criação de um rock etéreo, que soa como uma sinfonia elétrica. Guitarras, contrabaixo, bateria... tudo em perfeita harmonia e buscando, invariavelmente, um estado de espírito. E isso é levado muito à sério, basta notar que Jón þor Birgisson (ou Jónsi), vocalista e guitarrista, toca seu instrumento com um arco, daqueles de violino, para retirar essa sonoridade tão peculiar e emocionante.

divulgação As letras são, em sua maioria, em islandês, mas também misturam-se com um idioma infantilizado que o vocalista inventou, repleto de sinais específicos que representam um determinado sentimento ou significado. Neste caso, só mesmo ouvindo muito para deduzir.

O disco de maior sucesso deles foi Ágætis Byrjun, de 1999, que rendeu algumas músicas para a trilha sonora do filme Vanilla Sky. Depois desse, lançaram um álbum conceitual em 2002, quase sem letras e com a intenção de vasculhar mais a fundo esses sentimentos causados por suas músicas. Intitulado simplesmente "( )", as músicas sequer têm títulos.

O trabalho novo deles começa a invadir o mundo musical hoje. Eles publicam em seu site o primeiro single do novo disco "Takk..." ("obrigado", em islandês). "Glósóli" é a música, que deixa clara a maturidade dos garotos a cada nova inspeção do que há de mais harmônico e ambiental no rock. Alguns acham melancólico, outros acham esperançoso, alguns até dizem ser assustador, agoniante... Aí está o grande barato de escutar uma banda como Sigur Rós. A resposta não está no idioma pouco conhecido, nem nos acordes estranhos, muito menos na melodia incomum... não há respostas. É como voltar a escutar música pela primeira vez. Goste ou não goste, é uma experiência irreplicável. Ah, Sigur Rós significa "Rosa da Vitória". E você vê mais sobre eles neste site, ou neste outro.

Hoje eu fico devendo os três acordes por problemas logísticos. Mas a gente se vê na sexta-feira. Desta vez, em ponto!





*Alberto Cataldi, 20 anos, é paulista, estudante e estagiário de jornalismo. Aprendeu a gostar de música com o U2, de cinema com De Volta Para o Futuro e de literatura com quadrinhos do Batman. Escreve na Wooz sobre música e cultura pop, e acha isso muito divertido. Não gosta de fazer listas de coisas preferidas, porque sempre esquece alguma importante, e isso o deixa transtornado.