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     COLUNA POP-UP

10/06/05


Como melhorar velhas idéias


Por Alberto Cataldi*

"Lá vem esse cara, de novo falando de Coldplay". Ora, e tem mais alguma coisa para falar? É o lançamento do ano. Em qualidade, Talvez. Em magnitude, com certeza. Mas outro lançamento também chegou às lojas brasileiras, igualmente trazido lá do velho continente. Vai ser uma disputa acirrada nas vendas? Claro que não, Chris Martin e sua turma serão imbatíveis nisso. Agora, na hora de discutir as músicas, fica difícil...

Mas calma, uma coisa por vez.

O Coldplay já ensaiava um novo lançamento há tempos. O último cedê deles, "A Rush of Blood to The Head", fez mais sucesso que o esperado (e as expectativas não eram poucas), logo a cobrança era óbvia. Com a faca e o queijo na mão, a banda preferiu fazer as coisas à sua maneira, no tempo certo e seguindo os rumos que preferisse. A gravadora EMI, é claro, concordou. Toda a liberdade só serviu para mais do mesmo. Levando em conta a qualidade do álbum anterior, "X&Y" não leva a pior, apostado na mesma linha, sem abusar da sorte. divulgação

São músicas intimistas para grandes multidões (se isso for possível). Canções para estádios. Ainda é cativante a capacidade de utilizar piano/teclado para uma canção pop sem torná-lo medíocre, e Chris Martin parece estar encontrando sua linha para se expressar. Mas é só isso? Sim, é só isso. Os riffs são os mesmos, as influências também e as mensagens políticas forçadas continuam iguais. Não é um demérito - afinal é melhor permanecer igual e bom do que mudar para pior -, mas a sensação é de pouco esforço. A que abre o álbum, "Square One" é promissora, com clima experimental e etéreo que lembra Pink Floyd e tenta permear todas as outras canções. Infelizmente, a mistura é aguada, e o comum se sobressai pelo resto das faixas. Na música "Talk", por exemplo, a semelhança sonora com as guitarras do The Edge (U2) é tamanha, que quase soa como um extra do último cedê dos irlandeses.

Os caminhos que a banda trilha já foram mapeados. A vista pode continuar tão bela quanto há dez anos atrás, mas já não traz nada de novo e pode ficar sem graça lá pela vigésima viagem. Por isso, esteja certo, não vai demorar muito para os fãs ansiarem por um novo trabalho.

divulgação Ao mesmo tempo, chega às lojas (sites, livrarias, hipermercados...) "Silent Alarm", o comentadíssimo disco de estréia do Bloc Party. Certo que todo o estouro em torno dos rapazes é exagero. Mas passando por cima dos comentários e escutando o álbum, a qualidade fica clara. Logo na primeira faixa, "Like Eating Glass", o grupo mostra a que veio: bateria num ritmo frenético de cadência estranha, vocal com pronúncia cheia de personalidade em descompasso, guitarras urgentes e baixo com ar funkadelic. Uma mistura de resultado arrebatador. Nada ali é novo, assim como no álbum do Coldplay. A diferença está na forma de usar. O vocalista Kele Okereke, por exemplo, abusa da interpretação e sabe o momento exato para cada inflexão. É quase um manual de Como Melhorar Velhas Idéias.

Eles não soam grandes como a banda de Chris Martin, pelo contrário, mesmo nas músicas mais agitadas o clima é de pequena reunião de pessoas, balançando a cabeça e dançando ao som das batidas estranhas. Nesse aspecto, as baladas mais experimentais como "So Here We Are" funcionam muito melhor que a concorrência, e a guitarra aguda, quase chorada, pede licença para entrar no seu ouvido. Claro que existem problemas, como o número de faixas (algumas das 14 faias podem até parecerem iguais) que acaba desgastando o impacto inicial da voz de Kele. Mas até nas faixas políticas o Bloc Party sai do lugar comum, e integra melodia e letra de forma adulta, como em "The Pioneers": "If it can be broke then it can be fixed / If it can be fused then it can be split / It's all under control / If it can be lost then it can be won / If it can be touched then it can be turned / All you need is time" ("Se pode ser quebrado, então pode ser consertado / Se pode ser unido, então pode ser dividido / Tudo está sob controle / Se pode ser perdido, então pode ser ganho / Se pode ser tocado, então pode ser mudado / Tudo o que você precisa é tempo").

Como os dois cedês chegam aqui custando o preço de um rim cada (cerca de R$40), procure pela internet para saber mais antes dar seu veredito. Ambos são bons, não vai haver dinheiro jogado fora, mas a Pop-up já tem um preferido. Like drinking poison, like eating glass...

A coluna desta semana está gorducha, não? E se pensa que por causa disso não vão ter acordes esta semana, enganou-se. Ela vem, e com arrobas no lugar de asteriscos.



Três acordes: Frases da semana
divulgação
@ "Lembra o Kid A", Thom Yorke, do Radiohead, falando sobre as sessões de gravação do novo disco da banda, marcado para lançamento só no ano que vem. Em entrevista ao site NME, o weirdo disse que a banda está passando por um período de mudanças semelhantes ao que antecedeu na feitura do tal álbum que deixou todo mundo de cabelos em pé. Recentemente, ele executou a canção "House Of Cards" - possível faixa do novo álbum - em um evento beneficente, mas era acústica, então nem conta.

divulgação
@ "Eu fui é demitido", Frankie Poullain, ex-baixista do The Darkness, comentando sobre a declaração de Justin Hankin, vocalista, de que teria saído da banda por diferenças artísticas. Na declaração, feita à revista NME, Frankie ainda disse que tudo isso acontece pelo controle de Sue Whitehouse, empresário da banda. E você pensava que esse tipo de coisa só acontecia com o Charlie Brown Jr.


@ "Baixo é o caralho!", espectador na platéia do show do White Stripes em são Paulo, no último Sábado, acentuando a falta de necessidade do instrumento na apresentação. Durou quase 1h40 e contou com quase todo o repertório da banda. Não teve "Feel in Love With a Girl", quase um crime, mas tudo bem. Jack White prometeu voltar em breve. Esperamos ansiosos e já estamos contando as moedas.


Links que você já cansou de ver, mas que não custa nada lembrar.
Bloc Party (músicas de graça)
Coldplay (pedaços de músicas de graça)
Radiohead (estranho...)
The Darkness (vídeos engraçados)
White Stripes (visual massa)


É isso aí. Comentem, mandem e-mails, que isso é tudo por essa semana.





*Alberto Cataldi, 20 anos, é paulista, estudante e estagiário de jornalismo. Aprendeu a gostar de música com o U2, de cinema com De Volta Para o Futuro e de literatura com quadrinhos do Batman. Escreve na Wooz sobre música e cultura pop, e acha isso muito divertido. Não gosta de fazer listas de coisas preferidas, porque sempre esquece alguma importante, e isso o deixa transtornado.