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     CULTURA

A ÁGUIA E O FALCÃO
Paulo Coelho ao cubo


Cláudia Rodrigues (*)

A assessoria de imprensa do escritor Paulo Coelho, que acaba de lançar mais um livro – O Zahir – está de parabéns. As três maiores revistas semanais brasileiras escolheram o lançamento do livro do escritor para dá-lo na capa. Veja, Época e IstoÉ não titubearam diante do apelo e saíram no rabo do foguete, agarradinhas ao autor nacional campeão de vendas. Se falassem, ao traduzir o pensamento de seus editores, as capas diriam "Não fomos furadas", rebolando-se para conseguir mais leitores na banca. Pobres leitorezinhos abatidos, tendo que escolher entre Paulo Coelho, livro de Paulo Coelho e sucesso de Paulo Coelho, o maior escritor brasileiro, o nosso fenômeno literário, mais um de nossos fenômenos.

Dizem que tem uma geração aí de escritores novos: João Paulo Cuenca, Amilcar Bettega Barbosa, Miguel Sanches Neto... Mas ninguém ouve falar, parece até que repórteres e editores não freqüentam mais livrarias. Também, para quê? Já temos um escritor que vende horrores aqui e lá fora, a assessoria de imprensa do homem sabe o que faz e faz bem-feito, tudo prontinho, mastigado. Para que procurar as novidades se o cara é uma unanimidade, partindo-se do princípio de que números altos são sempre unanimidade? Que coisa antiga, né, gente, essa história de tirar um tempinho das redações para dar uma olhada no que está sendo produzido nos porões da literatura...?

Nãnãninãnão. Literatura é Paulo Coelho, mais os grandes nomes do passado, uma outra colaboração de um ou outro autor que tenha tido a sorte de ser escolhido para adaptação de minissérie e tá bom, já está até ficando complicado inovar mais do que isso.


Palavrinha mágica

Música também já temos o suficiente, ano passado teve até Maria Rita, uma surpresa que ninguém no mundo da música esperava. Tem as mais tocadas, os mais vendidos, já está confuso para entrar na parte folclórica, raízes, essas coisas. Nem pensar, tem pouca gente interessada, só se virasse uma febre.

Artistas plásticos, então, nem se animem. Tá cheio de gente fazendo rabiscos e achando que é artista. Já temos um time enorme, o pessoal reclama que não ganha suficiente, não vamos mexer nisso.

Cinema? Ai, não, agora que estão entrando os maridos das atrizes, os irmãos, os sobrinhos... já temos gente demais atrás das câmeras. E depois, tirando o Waltinho, né, pessoal, a família Barreto e os novos maridos, não dá mais para deixar esse pessoalzinho todo com câmeras na mão achando que vai fazer filme. O povo é o povo, se deixar todo mundo vir para o palco quem vai pagar para assistir?

Entenderam? Não ousem, de jeito algum, ousar é estender a mão ao Demo, é perder a sua parte e a sua parte é fazer o jogo do jeito que o jogo está sendo feito há anos. E não esqueçam, por favor, da palavrinha mágica que tudo move: mercado.


(*) Jornalista em Florianópolis


Fonte: www.observatoriodaimprensa.com.br