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     CULTURA

MinC investe na preservação da memória do audiovisual brasileiro

Programa de restauração da SAV contempla diversidade da produção nacional

Terra em Transe, uma das obras-primas de Glauber Rocha, está de volta aos cinemas em cópias novinhas em folha. Essa versão é fruto de um exaustivo trabalho de restauração, resultado de parceria entre a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, Paloma Cinematográfica e Grupo Novo de Cinema.

Lançado no último festival de cinema de Brasília, em dezembro, e agora no circuito comercial, o filme Terra em Transe foi recuperado a partir de uma cópia encontrada na Alemanha e não dos negativos originais, que se perderam em incêndio na França, nos anos 70. Três outros clássicos de Glauber Rocha também serão recuperados digitalmente, em projeto igualmente financiado pela Petrobras: A Idade da Terra, O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro e Barravento.

Nunca se restaurou tantos filmes no Brasil. Esse movimento está relacionado com o programa de recuperação de filmes da Secretaria do Audiovisual (SAV), que tem investido como nunca na preservação da memória do audiovisual brasileiro.

Para atender à grande quantidade de obras em estado avançado de deterioração e com risco de perdas irreversíveis, a Cinemateca Brasileira, contando com recursos da SAV e patrocínio da Petrobrás, fez planejamento emergencial de duplicação dos originais afetados, para gerar matrizes de preservação.

Quase todos os títulos, que totalizam mais de 100 mil metros de película (30 longas-metragens e seis curtas – veja lista abaixo), foram tratados e duplicados sem a intenção de confeccionar de imediato a cópia de exibição final. De acordo com Patricia Di Filippi, coordenadora do Laboratório de Restauração da Cinemateca, isso representa 50% do acervo da Cinemateca ameaçado de desaparecimento. Numa segunda etapa, dessas matrizes serão confeccionadas novas cópias.

Um aspecto importante, destacado pelo secretário do Audiovisual Orlando Senna, “é que esse programa vem contemplando a diversidade da produção nacional. Afinal, ele abrange desde a época do cinema mudo brasileiro a títulos do Cinema Novo e Cinema Marginal, sem deixar de lado produções com perfis mais comerciais”.

Vale lembrar que, além do acervo fílmico público, pertencente à Cinemateca Brasileira, a SAV vem realizando uma série de parcerias para recuperar acervos particulares. A obra de Joaquim Pedro de Andrade, outro ícone do Cinema Novo, também está em processo de restauração, em parceria com a Filmes do Serro. O programa contempla 14 títulos, entre curtas e longas, que totalizam 700 minutos. Depois de 16 meses do início desse projeto, dois dos mais importantes longas do cineasta aguardam retorno às telas: Macunaíma, inspirado na obra de Mário de Andrade, e Guerra Conjugal, adaptação de contos de Dalton Trevisan. Sem falar nos curtas: Brasilia, Contradições de uma Cidade Nova, O Poeta do Castelo, Mestre de Apipucos, A Linguagem da Persuasão e Vereda Tropical.

“Esse projeto envolvendo a obra de Joaquim Pedro tem enorme importância científica. É um projeto inovador que reúne profissionais de áreas diferentes”, observa o diretor-executivo da Cinemateca Brasileira, Carlos Magalhães. Por meio de parceria com a União Latina e o Consulado da França, foi possível trazer ao Brasil Henry Dupont, especialista em restauração sonora, para supervisionar o trabalho dos Estúdios Trama. Além do Laboratório de Restauração da Cinemateca (preparando os materiais de som e imagem), o projeto conta ainda com o laboratório Teleimage (responsável pela restauração digital da imagem).

Macunaíma foi transferido de volta à película em maio do ano passado, para atender convite do Festival de Cannes. Naquela ocasião, a distribuidora francesa se mostrou interessada em relançar os filmes do cineasta em cinema e em DVD. Duas emissoras da França também pretendem exibir os filmes restaurados. A cópia recuperada desse clássico do Cinema Novo foi exibida com sucesso no New York Film Festival, em outubro de 2004, e na sala da Cinemateca, no último dia 30.

Outro clássico indiscutível, Limite, único filme do lendário Mário Peixoto, também está sendo integralmente recuperado. O trabalho de restauro conta com acompanhamento de Saulo Pereira de Melo, do Arquivo Mário Peixoto. Limite é considerada a obra mais importante do cinema mudo brasileiro. Além disso, houve a recuperação de 10 filmes silenciosos com suporte em nitrato de prata até então nunca preservados, e de nove títulos produzidos pelo antigo Instituto Nacional de Cinema Educativo, que estavam em precário estado de conservação. Foi mais uma etapa de trabalho desse lote, iniciado em 2001.

Com o apoio do Ministério da Cultura, via Lei Rouanet, o Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro (CPCB) objetivou a restauração de três filmes: Tudo Azul, de Moacyr Fenelon; Menino de Engenho, de Walter Lima Júnior e o O País de São Saruê, de Vladimir Carvalho. Realizado entre março de 2003 e setembro de 2004 por Francisco Sérgio Moreira, a restauração de O País de São Saruê foi feita a partir do internegativo 35mm existente, pois o original de 16mm encontra-se desaparecido. O trabalho contou com a supervisão do diretor Vladimir Carvalho e de Myrna Brandão e Carlos Augusto Brandão, do CPCB, que consideram o incentivo do MinC fundamental para o projeto receber o patrocínio da Petrobrás.

A recuperação do longa O Desafio, de Paulo Cezar Saraceni, também foi concluída recentemente. Essa parceria com a Fox/Sky juntou restauração digital (para a banda sonora do filme, gravemente comprometida) e restauração analógica (da imagem).

Graças ao trabalho conjunto com o Centro Técnico do Audiovisual (CTAV), dos Estúdios Mega e do estúdio Álamo, foram resgatados três longas do diretor Sérgio Ricardo (Juliana do Amor Perdido, Esse Mundo é Meu e Noite do Espantalho), além do curta O Menino da Calça Branca.

Por fim, mas não por último, o projeto envolvendo produções da Cinédia foi realizado em duas etapas. A primeira, com o apoio da Petrobras, consistiu na preservação e duplicação de quatro longas: 24 Horas de Sonho, Anjo do Lodo, Romance Proibido e Mulher - já exibidos no Cine Odeon BR, no Rio de Janeiro, e na Sala Cinemateca, em São Paulo.

Na segunda fase, desenvolvida por meio de convênio entre a Secretaria do Audiovisual e o Instituto para a Preservação e Memória do Cinema Brasileiro, o Plano Emergencial do Acervo Cinédia envolveu nove filmes cujos negativos originais haviam sido destruídos há um bom tempo – entre eles, o clássico Lábios Sem Beijos, de Humberto Mauro.

Ação de duplicação emergencial da Cinemateca Brasileira:

- O Longo Caminho da Morte, de Júlio Calasso
- Alameda da Saudade, de Carlos Ortiz
- O Rei do Barulho (som), de Júlio Bressane
- Crepúsculo de Ódio, de Carlos Coimbra
- Meu Japão Brasileiro (som), de Glauco Mirko Laurelli
- Deu a Louca nas Mulheres (som), de Roberto Machado
- Cais do Vício (som), de Francisco José Ferreira
- Faustão (som), de Eduardo Coutinho
- Soninha Toda Pura (som), de Aurélio Teixeira
- Um Certo Capitão Rodrigo (som), de Anselmo Duarte
- Finis Hominis (som), de José Mojica Marins
- Montanha dos Sete Ecos, de Armando de Miranda
- Vida e Glória de um Canalha, de Alberto Salvá
- Testemunhas Não Condenam (som), de Zélia Costa
- Bebel, Garota Propaganda (som), de Maurice Copovilla
- Proezas de Satanás na Vila do Leva e Traz (som e trechos de imagem), de Paulo Gil Soares
- A Morte por 500 Milhões, de Antônio Orelana
- Opinião Pública, de Arnaldo Jabor
- Virou Bagunça (incompleto), de Watson Macedo
- Chumbo Quente, de Clery Cunha
- Os Imorais, de Geraldo Vietri
- Society em Baby-Doll (som), de Luiz Carlos Maciel e Waldemar Lima
- Mulheres e Milhões, de Jorge Ileli
- Maria 38, de Watson Macedo
- Juventude Sem Amanhã (som), de Elzevir Pereira da Silva e João Cézar Galvão
- Eu Sou o Tal, de Eurídes Ramos
- Absolutamente Certo, de Anselmo Duarte
- Cinema, Que Confusão (som), de Sérgio Sckera
- O Bandido da Luz Vermelha (som), de Rogério Sganzerla
- Copacabana, Mon Amour (som), de Rogério Sganzerla
- O Último Cangaceiro, de Carlos Mergulhão
- A Linguagem da Persuasão, de Joaquim Pedro de Andrade
- O Mestre de Apipucos e o Poeta do Castelo, de Joaquim Pedro de Andrade


(Déa Brabosa / Sérgio Bazi)
(Secretaria do Audiovisual)