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     CULTURA

Por Luiz Trigo

Uma análise econômica e cultural sobre o entretenimento apresentada com rigor metodológico baseado em pesquisa bem documentada é o que o professor Luiz Gonzaga Godoi Trigo oferece na sua tese de livre docência pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, que foi transformada em livro pela Editora Senac São Paulo. "Entretenimento, uma crítica aberta" trata de um universo que vai das literaturas de banca de jornal como Sabrina e Júlia à sofisticação das telenovelas, dos gladiadores da Roma Antiga aos mega-complexos temáticos como a Disney.

A obra faz uma análise econômica e cultural sobre essa indústria que só nos Estados Unidos movimenta cerca de US$ 500 bilhões por ano, mostrando como o grande capital está associado a entretenimento, esporte, cultura, mídia e novas tecnologias de comunicação ao mesmo tempo em que disseca a ideologia subjacente. Numa discussão clara e surpreendente sobre a importância do chamado fator E - de entretenimento - para a sociedade, o autor aborda a necessidade do ser humano de fugir da realidade e compensar seus sofrimentos diários com atividades de lazer, num ritual que se repete desde os tempos mais remotos.

"O entretenimento sempre garantirá uma migalha virtual do sonho ou uma satisfação simulada do desejo, ou então os momentos de ócio tornarão menos pesado o fardo monótono e algumas vezes dolorido do cotidiano", afirma o professor. Do significado original da palavra latina intertenere, ou seja, aquilo que se tem no intervalo de ocupações mais sérias, o entretenimento se tornou quase que um fator obrigatório a ser agregado em serviços e produtos, podendo determinar o sucesso ou fracasso dos mesmos. Não é à toa que se vêem hoje laboratórios de análises clínicas com música ao vivo, restaurantes com massagistas, festivais de música patrocinados por cervejarias, e até mesmo Aulas-espetáculo, como as praticadas nos cursos pré-vestibulares.

Segundo Trigo, a diversão deixou de ser separada do mundo do trabalho para se tornar uma parte significativa da existência, sob a forma de esporte, cultura, turismo ou educação. O entretenimento passou a ser um componente importante para atrair o consumo e oportunidades de negócios. "É preciso informar e divertir, criar estilos de vida, gerar novas experiências para o consumidor".

Numa sociedade pós-industrial, onde o prazer deixou de ser pecado ou vergonha e a preguiça não é mais uma mazela a ser execrada, o ócio e o lazer foram liberados pelos intelectuais e passaram a ser amplamente gozados, sem culpa, pela massa trabalhadora. Surge aí espaço para as revistas de ricos e famosos, novelas sobre a vida das celebridades e reality shows que, assim como as batalhas travadas no Coliseu romano, dão ao público a dose certa de lazer que se espera de sua própria realidade. "... os pobres pensam que são classe média; a classe média pensa que é rica; os ricos pensam que são deuses imortais, e um dia todos se frustram com a realidade que os cerca...".

O livro ainda é recheado de números, fatos e histórias. Entre os tópicos, ele aborda as origens literárias da ficção científica, do terror e da fantasia, os nomes e os valores envolvidos nos negócios exclusivos dos chefões da mídia e da diversão global. Segundo o professor, o trabalho traz informações inéditas sobre um campo ainda desconhecido no Brasil e em boa parte do mundo. "O entretenimento é desfrutado cotidianamente por milhões de pessoas, mas é pouco criticado, analisado e conhecido", afirma ele, argumentando que justamente por cobrir essas lacunas o livro oferece aos estudantes e profissionais de comunicações, ciências humanas, letras, administração, turismo e economia uma fonte de referências e informações que podem ajudar a entender melhor esse fenômeno tão característico do final do século 20 e início do século 21.



Sobre o autor
Livre docente pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, doutor em educação pela Universidade Estadual de Campinas e mestre em filosofia social pela PUC-Campinas, Luiz Gonzaga Godoi Trigo é professor da PUC-Campinas e do mestrado em Turismo e Hotelaria da Universidade do Vale do Itajaí (SC).

Assessor educacional do Senac-SP, Trigo já possui 10 livros publicados, sendo nove deste voltados ao segmento de turismo. Com grande experiência no setor de entretenimento, o autor representou o Senac na elaboração do acordo educacional com a Walt Disney World, nos anos de 1999 e 2000.

Entre as obras publicadas estão: "Cronologia do turismo no Brasil", 1991; "Turismo e qualidade - tendências contemporâneas", 1993; "Turismo básico", 1995; "A sociedade pós-industrial e o profissional em turismo", 1998; "Viagem na Memória", 2000; "Turismo e civilização", 2001; "Turismo: como aprender, como ensinar", 2001; "América e outras viagens", 2002; "Reflexões sobre um novo turismo: política, ciência e sociedade", 2003.


Autor: fonte: JBCC - Jornal Brasileiro de Ciências da Comunicação - Ano 6, N. 237
Data: 07.11.03

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