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     CULTURA
Secretária de Cultura diz em artigo que pretende transformar São Paulo em um Estado de leitores

Por Claudia Costin *

É freqüente ouvirmos alguém afirmar, levianamente, que se os jovens de hoje não lêem e pouco se interessam pelo rico mundo da literatura, a culpa seria do excesso de informações absorvidas via TV, Internet e outras tantas mídias que disputam o interesse dos nossos filhos desde a mais tenra infância.

Os resultados do PISA 2000 (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), um programa internacional de avaliação de qualidade da educação, em que se testaram jovens de 15 anos de vários países, não confirmam essa hipótese. Tiramos o desafortunado penúltimo lugar entre os 41 participantes e nos saímos particularmente mal em leitura e interpretação de textos.

Opinião unânime dos especialistas é que esse desempenho se explica pelo fato de nossa juventude não ter o hábito de ler por prazer. Observe-se que boa parte dos demais países tem um acesso maior que o nosso à Internet e à televisão. Além disso, aceitar essa tese seria, na prática, admitir que ler é uma atividade monótona e insossa, que perde de longe quando confrontada com o universo multicolorido e acelerado que caracteriza o mundo digital em que vivemos.

Não é verdade que muitas de nossas crianças não lêem por culpa dos videogames, do dinamismo da televisão ou da superoferta de efeitos especiais, que ofuscaria as pobres e sisudas páginas da literatura universal. Uma parte do problema reside certamente no preço e na disponibilidade do livro, o que o torna inacessível para boa parte dos pais e educadores, principais agentes na formação de uma geração de leitores.

Segundo pesquisa recente divulgada pela Confederação Nacional de Trabalhadores em Educação, apenas 60% dos professores têm o hábito da leitura, ou seja, quem tem o dever de encantar nossos jovens com os livros não lê.

Além disso, nós pais, mesmo os de classe média alta, em geral, não lemos o bastante para servirmos de exemplo a essas mentes em formação. Se optamos pela televisão ou pela Internet como principal forma de lazer, não é razoável esperar que eles escolham algo diferente. Por outro lado, observamos que sempre que viabilizamos a oferta de livros aos jovens, especialmente para os que vivem nas condições mais críticas das nossas periferias, a leitura é bem-vinda e a demanda só faz aumentar. Estão aí as salas de leitura e bibliotecas implantadas ou ampliadas pela Secretaria em todo o Estado de São Paulo, que não nos deixam mentir.

Cada vez que surge um novo espaço dedicado às letras, os jovens da região beneficiada se mobilizam-se, envolvem-se e demandam mais, especialmente sugerindo autores e títulos que mais dizem respeito à realidade em que vivem. Todo esse movimento se completa com a participação espontânea da população paulista que, mensalmente doa cerca de cinco mil livros nos diversos pontos de coleta espalhados na capital, mostrando, na prática, que o acesso à literatura é muito mais que uma política pública, é também uma ação comunitária geral.

O cidadão anônimo, que dá sua contribuição na forma de um livro, contribui de forma inequívoca para a disseminação da literatura. Dizer, hoje, que São Paulo poderá ser um Estado de leitores não é apenas um mote publicitário - é o início de uma realidade que se mostra cada vez mais possível. Basta prover os meios de acesso a quem nunca os teve.

Até junho deste ano, graças à colaboração entusiasmada de todos os nossos parceiros da iniciativa privada e prefeituras, não haverá mais nenhum município paulista sem biblioteca. Isso quer dizer que as 83 cidades que hoje ainda não contam com um espaço de leitura passarão a dispor desse importante meio de acesso à cultura universal. Seremos, com muito orgulho, 37 milhões de paulistas, em 645 municípios, com direito total ao que hoje é visto como um privilégio de pouco mais de 500 mil eleitos.

O acervo de cada uma dessas bibliotecas, vale ressaltar, não é aleatório. Não caímos na tentação fácil de pensar a solução quantitativamente, repassando um monte de obras velhas ou encalhadas, descartadas pelas editoras ou por seus doadores. A lista mínima de títulos foi cuidadosamente estudada por especialistas para reunir o mais amplo painel do que não pode faltar em termos de literatura nacional e internacional. Quem se beneficia das leis de incentivo fiscal do Estado faz parte desse time de doadores que ajuda a formar os paulistas de amanhã.

As revistas e os jornais também são bem-vindos, já que nem só de livros se forma a informação escrita. Ao atrairmos leitores para as notícias do dia-a-dia, estamos, na prática, atraindo-os para o mundo mágico das palavras, da liberdade de pensamento e, porque não dizer, da construção da cidadania. Nesse processo de ampliar cada vez mais o acesso aos livros, até a Internet será envolvida. Em fevereiro, estaremos lançando o www.leialivro.sp.gov.br , o primeiro portal público de apoio à leitura, especialmente orientado para o público jovem.

* Claudia Costin é secretária de Cultura do Estado de São Paulo


Fonte:www.setor3.com.br