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     CULTURA
Projeto quer garantir nova geração de fãs do circo

Por Alessandra Bastos
Repórter da Agência Brasil

Ministério da Cultura aproveita data comemorativa para homenagear o "maior espetáculo da Terra" com plano para revitalizar atividade no país

O público não tem mais o hábito de freqüentar circos

O filme “Abril Despedaçado” (2001), do cineasta brasileiro Walter Salles, mostra, do ponto de vista de um menino do interior da Bahia no início do século XX, o auge de uma atividade cultural que encantava as crianças muito antes do cinema e a TV, o circo. A passagem de dois mambembes pelo povoado local leva um garoto a vislumbrar a possibilidade de escapar ao duro cotidiano sertanejo.

Hoje, vai longe o tempo em que se sonhava fugir da casa dos pais para viver aventuras com os artistas circenses. Há anos, o público vem abandonando as arquibancadas de madeira sob lonas coloridas. Esta semana, o ministério aproveita o Dia do Circo, comemorado em 27 de março, para lançar o projeto “Circo Vivo - Conhecendo e Identificando a Cultura Popular Brasileira”.

Artistas do circo Le Cirque

Na avaliação do Ministério da Cultura, isso acontece por falta de uma “política pública que lhe permita concorrer com várias opções culturais presentes nos grandes centros”. Se não há público, não há bilheteria. A escassez dos recursos leva à perda das condições para a manutenção das atividades, o que dificulta a criação de espetáculos com qualidade e gera desemprego de artistas. Assim, num processo contínuo, o circo vem desaparecendo das cidades.

O ministério quer agora recuperar essa tradição que remete a espetáculos da Grécia e do Egito antigos. O objetivo não é dar ajuda a companhias de circo que estão sem dinheiro, mas sim garantir uma nova geração de apreciadores desses espetáculos, com atividades de formação de público.

Geraldo Vitor, assistente de gabinete da Secretaria de Apoio à Preservação da Identidade Cultural do Ministério da Cultura O projeto “Circo Vivo” vai, bem ao modo dessatradição, excursionar por todas as regiões brasileiras (Norte, Nordeste, Sul, Sudeste e Centro-Oeste). “Será uma caravana, um grande circo que comporta além dos espetáculos, várias atividades como música, teatro”, afirma o assistente de gabinete da Secretaria de Apoio à Preservação da Identidade Cultural do Ministério da Cultura Geraldo Vitor.

Serão seis etapas. A primeira começará em maio e irá passar por cinco cidades, uma em cada região do país. O roteiro ainda não foi definido, mas deverá contemplar municípios mais pobres. O circo ficará um mês em cada lugar, tendo a turnê cinco meses de duração. Essa fase será um piloto. As outras irão passar, cada uma, por uma das regiões brasileiras, ficando também um mês em cada uma das cinco cidades.

A lona deve abrigar, além de espetáculos de circo, artes cênicas, visuais, literatura e música. Teatro, dança, filmes, bibliotecas temáticas e folclore irão entrar no picadeiro. “Pretendemos criar uma política duradoura, que trate não apenas da difusão de espetáculos, mas da diversidade do espaço do circo. Queremos mostrar que o circo pode envolver outras atividades. Como, na maior parte do tempo, ele fica ocioso, poderia abrigar oficinas e filmes”, afirma Geraldo Vitor.

O projeto vai unir os espetáculos circenses às artes cênicas, visuais, literárias e musicais

O “Circo Vivo” irá levar às cidades por onde passar oficinas de iniciação de circo e cenotécnica para o público, cursos técnicos de Administração e “Marketing Circense” - destinado a empresários, produtores e administradores de circo, e de “Formação Técnica Circense”, para artistas.

Outras atividades paralelas também fazem parte da investida, como oficinas sobre organização de cooperativas em artesanato. Além disso, o “Baú das Artes” deverá colocar à disposição do público obras da literatura brasileira, a “Roda Literária” irá promover encontros com poetas, escritores e contadores de estórias. E o “Cine-Vídeo” irá exibir filmes e documentários nacionais. Todas as atividades serão gratuitas para o público.

Para cada módulo, serão contratadas diferentes companhias e artistas, por meio de editais de concursos públicos. Serão cinco grupos de teatro, cinco de dança, cinco conjuntos musicais e uma companhia de circo, que realizará espetáculos durante o dia para as crianças de escolas públicas e à noite para o público em geral.


Fonte: www.radiobras.gov.br