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     Cinema

A Marcha dos Pingüins


Valmir Junior*

Luc Jacquet foi esperto o suficiente para incluir em seu documentário um viés humanizado, de forma a trazer o público para perto. E conseguiu. Em A Marcha dos Pingüins, vemos a trajetória dos pingüins-imperador a fim de acasalar e continuar a perpetuação de sua espécie e por aí afora vem conseguindo grande público.

Dispensando o caráter documental do filme, o que é um pecado, em se tratando de filme do gênero, o diretor compensa a perda de informação com o aspecto emoção, criando um híbrido interessante entre documentário e ficção. O comportamento dos pingüins, aparentemente monogâmico, tem sido elogiado nos EUA, alçando o posto de "exemplo" para a sociedade. E é claro que a antropomorfização dos pingüins, ou seja, a humanização destes animais, contribuiu para isso.

Polêmicas à parte, Jacquet trouxe dois fatores importantes: a construção da jornada dos pingüins até o local de acasalamento e todos os problemas que eles enfrentam para sobreviver foram acentuados, ajudados pela trilha sonora pop e pela belíssima fotografia, construindo uma tensão dramática que inexistiria num documentário. Além disso, e muito importante, as vozes de três narradores trazem os pontos de vista do pingüim-pai, da pingüim-mãe e do pingüim-filho (Antônio Fagundes, Patrícia Pillar e Matheus Perissé na versão brasileira). Esses pontos de vista muitas vezes servem para detalhar o que o animal poderia estar sentindo se realmente sentisse de verdade, o que serve como ponte para a decolagem do filme.

As situações a que se submetem os pingüins são muito interessantes e criam na platéia identificação suficiente para que ela torça pelos destinos dos animais. Adiciona-se aí o humor decorrente do andar desengonçado e algumas características do animal, além da constatação de alguns fatos interessantes, como, por exemplo, saber que quem choca o ovo, na maior parte do tempo, é o pai, enquanto a mãe vai buscar comida.

Logicamente, sabemos que são seres destituídos de emoção e racionalidade, porém, o filme acaba introduzindo uma pequena pergunta: será que estamos tão certos disso? Claramente não. E Jacquet foi suficientemente esperto ao deixar a questão no ar.

Até pode-se ter o filme como exemplo, mas inquestionável é que qualquer animal neste planeta luta pela sobrevivência, inclusive nós, e se fossemos tão sábios quanto eles, talvez nossa convivência fosse semelhante a um trecho interessante do filme: para se protegerem do frio, os pingüins se protegem mutuamente, uns pertos dos outros, transferindo calor, num círculo de sobrevivência.


A Marcha dos Pingüins. La Marche de l`Empereur, 2005. Direção: Luc Jacquet. Narração original: Charles Berling, Romane Bohringer e Jules Sitruk. Narração em inglês: Morgan Freeman. Narração em português: Antônio Fagundes, Patrícia Pillar e Matheus Perissé. Duração: 1h25min. Estreou em 13 de janeiro de 2006.



*Valmir Junior
"Paulista, 23 anos, virginiano e doido por chocolate. Esse é Valmir Junior, um ator amador (ou amador ator?), fã de teatro (claro), filmes, exposições e outros assuntos relacionados à Arte (além de ser um bom garfo também). É a primeira vez que resenha para um site e dá medo nele, mas o desafio já foi aceito, então: "Merda!!!" (Não levem a mal! É "Boa Sorte" no Teatro)."