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     Cinema

As Crônicas de Nárnia


Valmir Junior*

Para quem esperava um filmaço só porque iria encontrar um pouco de ação "medieval" estilo O Senhor dos Anéis ou magia à altura da série Harry Potter, esse As Crônicas de Nárnia foi um belo desapontamento. Belo porque o filme é assim mesmo. Não espere mais. Funciona como um filme infantil, selo Disney, o de sempre. E deve ser observado que o estúdio Disney já conseguiu criar peças mais contundentes e maduras, como o aclamado O Rei Leão.

Funciona como um filme infantil porque contém uma moral da história, porque não mostra mais do que "deveria" mostrar e porque conta com uma história despretensiosa, apostando principalmente no quesito magia. Não que um filme infantil deva seguir essa pequena cartilha, pelo contrário. Mas o que o filme proporciona, talvez, possa entreter os pequenos. Talvez.

O grande defeito de As Crônicas de Nárnia reside no fato do filme sequer acreditar no que conta. Ao início, instala-se uma grande curiosidade nos espectadores para saber o que anda acontecendo no reino de Nárnia e o diretor Andrew Adamsom (o mesmo de Shrek e Shrek 2) é eficaz em contar a história da família Pevensie por um terço do filme. No início, Londres está sendo assolada pelos ataques nazistas durante a II Guerra Mundial. Eis que a mãe dos Pevensie envia Peter (William Mosesley), Susan (Anna Popplewell), Edmund (Skandar Keynes) e Lucy (Georgie Henley) para o interior a fim de que eles se safem do ambiente hostil. Ao residirem numa mansão no interior, eles tentam fugir da realidade e encontram um armário misterioso, que, por acaso, é uma porta de entrada para Nárnia. Lucy, a caçula, é quem entra primeiro, descobre o Sr. Tumnus (James McAvoy), um fauno e conta aos irmãos que, obviamente, não acreditam. O filme segue bem até introduzir a Feiticeira Branca (Tilda Swinton). Daí para frente, a cada minuto o filme perde força. Ou seja, uns 40 minutos de projeção são bons.

Swinton faz o que pode para transformar a Feiticeira numa maldosa e implacável vilã, mas o filme naufraga justamente porque introduz um elemento mais forte ainda: o leão Aslam. O filme conta que a chegada dos quatro irmãos a Nárnia faria dar certo uma profecia que restauraria a paz ao reino. E Aslam configura a esperança na Salvação. Salvação com S maiúsculo mesmo. Isso porque C. S. Lewis, o escritor do livro no qual se inspirou o filme, transformou o Novo Testamento na história do reino de Nárnia. Então Aslam é o símbolo de Jesus Cristo. A Feiticeira Branca, obviamente, é o Satanás e os quatro irmãos seriam como que os apóstolos, poderíamos assim dizer.

Infelizmente, não saberíamos dizer qual é o defeito original: o filme ou o livro? Esta resenha se propõe a analisar o filme, então, mãos à obra. A verdade é que esse espelho do Novo Testamento enfraquece o roteiro. Não convence a Feiticeira justamente por sabermos que Aslam é poderoso, sábio, justo e por aí vai. Ponto. Erro um. Depois vem uma seqüência de enganos que não procedem: não convence ver Edmund raptado já que a Feiticeira Branca é fraca; não convence Peter liderando um exército se o filme crê mais em Aslam do que o menino; não convence um reino distante ter o Natal se ele não tem Jesus Cristo e esta gafe se estende mais por duas razões: Natal, em inglês, é Christmas, tem o prefixo Christ, o Cristo, então como há Natal em Nárnia se não houve Jesus? E a segunda razão é: como pode haver Papai Noel em Nárnia se nem mesmo acreditamos no Natal em Nárnia? E ainda o Papai Noel dá armas aos quatro irmãos? Tudo bem, a cena pode até conter um simbolismo forte, mas Papai Noel numa Nárnia com Natal sem Cristo? Não há como conceber.

Por essas e outras (há coisas mais absurdas), o filme não engrena. Nem mesmo a cena de guerra. É reto, não tem clímax, não coloca nada em cheque, apenas se revela uma tábua, que não sucinta reação do público. É apenas belo. Ah, sim, belo, como a Nova Zelândia, a Nárnia do filme. Melhor esperar pelo DVD e assistir algumas cenas aqui e acolá, no conforto de sua casa. Bom, se for para assistir pela paisagem, assista O Senhor dos Anéis: lá tem Nova Zelândia, história, magia, beleza e muito mais.

As Crônicas de Nárnia: o Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa (The Narnia Chronicles: The Lion, The Witch & The Wardrobe). Nova Zelândia/Inglaterra, 2005. Direção: Adam Adamson. Elenco: Georgie Henley, Skandar Keynes, William Moseley, Anna Popplewell, Tilda Swinton, James McAvoy, Jim Broadbent, James Cosmo, Shane Rangi e as vozes de Ray Winstone, Dawn French, Rupert Everett e Liam Neeson. Duração: 2h15min. Estreou em 9 de novembro de 2005.



*Valmir Junior
"Paulista, 23 anos, virginiano e doido por chocolate. Esse é Valmir Junior, um ator amador (ou amador ator?), fã de teatro (claro), filmes, exposições e outros assuntos relacionados à Arte (além de ser um bom garfo também). É a primeira vez que resenha para um site e dá medo nele, mas o desafio já foi aceito, então: "Merda!!!" (Não levem a mal! É "Boa Sorte" no Teatro)."