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     CINEMA

Meu Tio Matou Um Cara


Valmir Junior*

Acabei me lembrando dos tempos de infância em que eu passava horas no videogame. No começo de "Meu Tio Matou Um Cara", um jogo de computador com seus gráficos simulando a realidade me fez voltar ao meu passado de vista cansada por ficar demais em frente à televisão jogando videogame. Aqui, logicamente, o jogo é transposto para a tela como se fosse a cena do crime, já dando uma noção do que está por vir.

Pois bem, Jorge Furtado está de volta com seus diálogos, ritmo (o mesmo que Guel Arraes na televisão. Aliás, Guel Arraes assina o roteiro, juntamente com Jorge Furtado), história e personagens de sempre. Todos ótimos. Com a mesma força com que dirigiu "O Homem Que Copiava", Furtado traz logo no início o tio do título, Éder (Lázaro Ramos), já entrando na sala do apartamento do irmão (Aílton Graça), dizendo: "Matei um cara". A partir daí, o esperto Duca (Darlan Cunha), sobrinho de Eder, começa a usar o aguçado faro instintivo de detetive, obviamente lapidado pelos jogos de computador, e tenta entender o caso para ajudar o tio. Esse parece ser o fio condutor, que trança na verdade a dança de Duca em volta de seu objeto de paixão: Isa (Sophia Reis), colega de infância e de escola. Apaixonadíssimo por Isa, Duca tenta conquistá-la e trazê-la ao seu mundo de crimes de videogame e de verdade, tentando afastá-la de Kid (Renan Gioelli), amigo dos dois.

Dentro do crime de Éder, a trama é fácil de entender. Nem se importe com isso. Gostoso mesmo é ver as peripécias de Duca, Isa e Kid às voltas com os dilemas da adolescência, quem vai ficar com quem, quem gosta de quem, quem tecla com quem, quem namora com quem, transformando à volta tudo em caricaturas de acordo com o que os adolescentes vêem: pais legais, mães preocupadas, tios sem cérebro, ninfetas, amores mais-do-que-desejados e perigos iminentes. E todo esse caricaturismo ainda ganha contornos de internet, os já citados videogames, a linguagem estilizada (vc, kct, oieeeee...) e outras influências/referências pós-modernas.

Enfim, Jorge Furtado aqui se livra das artes gráficas que estavam mais para "Ilha das Flores" e "O Homem Que Copiava" e cria de vez uma "interface mais limpa" de assistir com todo esse ar "interneteiro", juntando aqueles conhecidos flashbacks, misturados a suposições de situações e outras gags visuais. E mesmo assim, atualizando seu modo de filmar, ainda sobra espaço para as já velhas repetições de situações, como se fossem um jogo dos 7 erros dentro do filme, que é de onde vem o humor simples e bacana do filme.

Darlan Cunha, no começo, precisava de mais naturalidade, mas à medida que o filme passou, ele conseguiu achar o Duca. Aílton Graça, Lázaro Ramos e Dira Paes dão suas habituais aparições eficazes. Renan Gioelli estréia bem, mas Sophia Reis dá o ar da graça e mostra a que veio (assim como Sílvia Lourenço em "Contra Todos"). Ponto baixo do filme: o que pode ser um atrativo para a platéia masculina de plantão, mas não deixa de ser um engodo, é Deborah Secco e seu ar de ninfeta-lolita-te-quero, que aparece para completar a história como Soraya, a namorada de Éder, por quem ele matou o cara. Deborah Secco se limita a fazer o de sempre, não que saiba fazer mais, e é a parte "corporal" do filme, se é que me entendem...

Pra terminar, o filme dá a sensação de "ué, mas já terminou?". É, já terminou. Jorge Furtado é assim. Ele dá o melhor de si durante o filme e entende que o final é pra você pensar. Amarra as pontas que deixou livres e termina o filme. Gosto disso. Afinal, pra quê se delongar em mostrar o desenrolamento do final? Se mostrou o que tinha que mostrar, pode subir os créditos. Nesse caso, é plausível: missão cumprida.

"Meu Tio Matou Um Cara" (2004) - Dir: Jorge Furtado. Elenco: Darlan Cunha, Sophia Reis, Renan Gioelli, Lázaro Ramos, Dira Paes, Aílton Graça e Deborah Secco. Estreou em 31 de Dezembro.



*Valmir Junior
"Paulista, 23 anos, virginiano e doido por chocolate. Esse é Valmir Junior, um ator amador (ou amador ator?), fã de teatro (claro), filmes, exposições e outros assuntos relacionados à Arte (além de ser um bom garfo também). É a primeira vez que resenha para um site e dá medo nele, mas o desafio já foi aceito, então: "Merda!!!" (Não levem a mal! É "Boa Sorte" no Teatro)."