:: institucional           :: projetos           :: serviços           :: sala de imprensa          :: parcerias          :: loja          :: contato     

CANAIS WOOZ

artigos
agenda cultural
artes visuais
cultura
cinema
dança
entrevistas
fotografia
internet
literatura
música
teatro
terceiro setor


Roseli Pereira
Valmir Junior



clique aqui e faça um cadastro para receber informações Wooz
     CINEMA

BR Press

Meu Tio Matou um Cara

Angelo Ikeda/Especial para BR Press

Meu Tio Matou Um Cara, longa de Jorge Furtado (O Homem que Copiava, Ilha das Flores) é uma bem-vinda aberração dentro da produção nacional recente. Trata-se de uma comédia romântica adolescente que não se passa em uma favela ou no sertão nordestino, que não se parece com um humorístico de TV, e que tampouco toca as mazelas sociais do país.

Assim como na maioria dos similares hollywoodianos, Meu Tio Matou Um Cara também é ambientado em uma escola. Mas, ao deslocar para algum lugar do Brasil as situações e angústias dessa fase complicada que é a adolescência, Furtado o faz com propriedade e cria um universo que, se não parece inédito, ainda fica muito acima da média em termos de originalidade.


Fachada

A fachada de entretenimento simples e descontraído esconde um cuidado milimétrico com os detalhes do roteiro, escrito por Furtado e Guel Arraes. Isso se nota, por exemplo, em uma das passagens mais engraçadas do filme, em que Duca (Darlan Cunha) narra a história de um empreendimento falido de seu tio Éder (Lázaro Ramos). Ou quando o garoto exibe seu vasto conhecimento adquirido em livros ou filmes policiais.

Junto a esses detalhes, o que torna Meu Tio Matou Um Cara uma produção consistente é a trama paralela que dá título ao filme, tão ou mais interessante que a principal. Lázaro Ramos, como sempre, rouba a cena no papel do tio idota Éder, que mata um cara e vai parar na cadeia. Com apenas uma careta e duas sílabas ele consegue arrancar risos da platéia. E é essa trama paralela que fornece o criativo fio condutor da história principal – o amor reprimido de Duca por sua amiga Isa (a estreante Sophia Reis).


Amor platônico

Baseado em um conto do próprio Furtado publicado em 2002, o filme gira em torno de Duca, inicialmente o patinho feio que nutre um amor platônico pela amiga Isa, mas que tem que ver calado a garota se atirar diariamente nos braços do bonitão e desligado Kid (Renan Gioelli). A oportunidade para Duca impressionar Isa surge quando Éder conta para a família que matou um cara. O caso vai parar nos jornais e transforma o adolescente no centro das atenções na escola. As tramas se entrelaçam quando Duca, Isa e Kid começam a investigar o crime, e chegam até a namorada de Éder, a misteriosa Soraia (Deborah Secco).

Apesar de ser um filme sobre a adolescência, Meu Tio Matou Um Cara procura tratar seu público-alvo com respeito, sem infantilizar ou sexualizar demais a ação. Não há aqui, por exemplo, cenas como a da torta de American Pie, ou um final edificante piegas. O desfecho, aliás, é espertamente ambíguo e, mesmo parecendo um tanto apressado, conclui bem um trabalho que – tomara – sinaliza uma nova alternativa para os filmes brasileiros.

Com uma trilha sonora bacana e bons coadjuvantes como Dira Paes e Aílton Graça, a comédia é um ótimo e despretensioso entretenimento, que só perde um pouco nas ainda verdes atuações de Sophia Reis e Renan Gioelli, e no final abrupto.


"Meu Tio Matou um Cara" (2004) - Dir: Jorge Furtado. Elenco: Ailton Graça, Darlan Cunha , Deborah Secco, Dira Paes, Lázaro Ramos, Renan Gioelli, Sophia Reis. Estreou no dia 31/12/04.


Fonte: Yahoo! Notícias