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     Cinema

Harry Potter e o Cálice de Fogo


Valmir Junior*

Visivelmente é o Harry Potter de mais crueldade e de maior maturidade. Maturidade da personagem, diga-se melhor. À medida que cresce o protagonista, a escritora J. K. Rowling teve o cuidado de fazê-lo passar pelas agruras da adolescência antes de encaminhá-lo ao gran finale a que a série de livros se propõe.

E o ritual de passagem da infância para a adolescência não podia ser pior: o Cálice de Fogo do título escolhe três alunos para participar do Torneio Tribruxo, onde os competidores podem até mesmo morrer. Mas somente é permitido a jovens maiores de 17 anos a se inscrever antes do cálice dizer quem irá participar. Porém, como podemos prever, o nome de Harry pula para fora do cálice e, assim, ele vai ter de participar. Alguém quer a cabeça de Harry... Este é o mote de Harry Potter e o Cálice de Fogo, o quarto livro e quarto filme da série. Como todos os outros livros e, por conseqüência, os filmes, há um mistério envolvido com o nome de Potter e muita aventura.

Dirigido desta vez por Mike Newell, é deixado de lado o tom mais psicológico da narrativa de Alfonso Cuarón e seu Prisioneiro de Azkaban e, de vez, fica para trás a atmosfera infantil de Chris Columbus e seus dois primeiros filmes (A Pedra Filosofal e A Câmara Secreta). Newell aqui teve que transformar um calhamaço num filme de 2 horas e 30 minutos: um feito e tanto. Cortou grande parte da verborragia de Rowling, foi direto ao ponto e conseguiu fazer ainda com que a platéia desconhecida da série inaugurasse sua história com a trama sem perder o fio da meada. Um grande feito mesmo.

Em contrapartida, apesar do atalho criado na história, perdeu-se muito do desenvolvimento das personagens. Sim, elas estavam sendo desenvolvidas havia três filmes. Mas aqui se trata de um desenvolvimento mais profundo no que tange a entrada para a adolescência. A história é rápida. Passa voando, numa sucessão de acontecimentos, e Newell acabou optando por mostrar o dilema adolescente com o Baile de Inverno que acontece na Escola de Magia de Hogwarts, além de alguns outros momentos como a discussão de Harry Potter (Daniel Radcliffe) e Ron Weasley (Rupert Grint) e os olhares de Viktor Krum (Stanislav Ianevski) em direção a Hermione (Emma Watson). Digamos que são uns dos melhores momentos da projeção. Exatamente esses que se aproximam de nossa realidade, muito mais do que o mundo mágico. Mesmo assim, Newell conseguiu dar relevância a esse aspecto de desenvolvimento da maturidade nos pupilos de Hogwarts, mas o diretor podia ter desviado um pouco o foco de Harry Potter. Todos querem mais de Ron, Hermione e companhia.

Entretanto, Krum, Cedric Diggory (Robert Pattinson) e Fleur Delacour (Clémence Poésy), os outros competidores do Torneio, tiveram pouco tempo de tela, a não ser alguns pequenos momentos de Fleur (que, geralmente, a descreditam, o que pode ser uma visão sexista do diretor ou da própria autora, mas isso é uma outra história...) e, lamentavelmente, Cedric, um dos personagens com os quais Newell devia ter tido cuidado extra, a fim de fazer a platéia temer pelo destino do personagem, o que não acontece.

Afora essa passagem-tufão sobre as personagens, restam as seqüências de ação de tirar o corpo da cadeira, como a cena do dragão, e a história de suspense que, aqui, adquire um tom menos importante na narrativa. O mais importante, parece, é construir o Torneio Tribruxo com muita aventura e levar a cena adiante para a apoteose: a finalmente assustadora aparição de Voldemort (Ralph Fiennes). Há que se dizer que Fiennes faz jus ao tão malévolo inimigo dos magos, com ares teatrais e soberba acentuada. Demoraram quatro filmes, mas vale a pena.

Apesar desses pequenos deslizes de Newell, o filme se sai muito bem e se revela um dos melhores da série. Faltou um pouco de estofo, mas não há mais como escapar: todos aqueles já são os rostos da série. Já nos acostumamos com eles, queremos vê-los mais e mais. Enquanto Grint e Watson vão amadurecendo em seus papéis, Radcliffe estaciona com Harry, mas é muito difícil ver outro em seu lugar. E até mesmo Michael Gambon e seu Dumbledore parecem mais apropriados do que o do finado Richard Harris - Dumbledore deixa de ser totalmente seguro e adquire complexidade. Ademais, temos as brilhantes interpretações de Miranda Richardson como Rita Skeeter, Brendan Gleeson como o professor Alastor Moody e as já carimbadas atuações de Alan Rickman como Severus Snape e Maggie Smith como Minerva McGonagall. Soma-se o grato aumento da participação dos gêmeos Fred (James Phelps) e George Weasley (Oliver Phelps), o zelador Filch (David Bradley) e, obviamente, para quem acompanha a série toda, a bem-vinda história de Neville Longbottom (Matthew Lewis). Bem melhor tê-los como escada para humor do que sempre ancorar essa tarefa ao personagem de Grint. Isso já condecora o filme e, agora, a série.

E que David Yates dirija a A Ordem da Fênix, o próximo, com a mesma astúcia de Newell. E que ele traga a sensibilidade de Cuarón. Enquanto isso, fica aquele conhecido gostinho de "quero mais". Esperemos equilíbrio entre ação e personagens no próximo longa da série. Cuarón, até agora, foi o único que conseguiu. Newell ficou atrás. Yates, bem, tem uma tarefa árdua, já que a história agora se complica mais. Vamos ver...


Harry Potter e o Cálice de Fogo (Harry Potter and the Goblet of Fire). Inglaterra, 2005. Direção: Mike Newell. Elenco: Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson, Michael Gambon, Timothy Spall, David Tennant, Maggie Smith, Alan Rickman, Robbie Coltrane, Brendan Gleeson, Miranda Richardson, Robert Pattinson, Jason Isaacs, Matthew Lewis, Warwick Davis, Frances de la Tour, Gary Oldman, Ralph Fiennes. Duração: 2h37min. Estreou em: 25 de novembro de 2005.



*Valmir Junior
"Paulista, 23 anos, virginiano e doido por chocolate. Esse é Valmir Junior, um ator amador (ou amador ator?), fã de teatro (claro), filmes, exposições e outros assuntos relacionados à Arte (além de ser um bom garfo também). É a primeira vez que resenha para um site e dá medo nele, mas o desafio já foi aceito, então: "Merda!!!" (Não levem a mal! É "Boa Sorte" no Teatro)."