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     CINEMA

O Grito


Valmir Junior*

Ainda que muitos tenham dito que "O Grito" é uma cópia mal-feita de "O Chamado", eu vejo que as semelhanças são grandes, sim, mas ainda assim posso atestar que este "O Grito" tem seus méritos. O filme faz parte de uma das novas ondas de Hollywood: depois da volta dos filmes-catástrofe e uma nova safra de filmes de terror a base de muito "Pânico" e infindáveis seqüências, a onda agora é fazer remakes de filmes de terror japoneses. Começou com o já referido "O Chamado", dirigido por Gore Verbinski (mesmo diretor de "Piratas do Caribe"), remake do sucesso japonês "Ringu". Pois bem, esse é a cópia do japonês "Ju-On: The Grudge", dirigido por Takashi Shimizu, que também dirige esse remake norte-americano. E dá-lhes as seqüências desses filmes, pode esperar. "O Chamado 2" está para ser lançado e "O Grito 2" já é dado como certo.

Pra quem assistiu "Ju-On", já dá para ver que "O Grito" é a mesmíssima coisa. Muda uma coisa só: trocaram parte dos atores japoneses por atores americanos. Nada mais. O diretor é o mesmo. A família que assombra a casa é a mesma. A Tóquio é a mesma. Mudaram os protagonistas e o elenco coadjuvante. Nesse "O Grito" (versão mal-traduzida, claro, porque a palavra grudge significa rancor, ressentimento, que remete ao tema do filme), a estudante Karen (Sarah Michelle Gellar) mora em Tóquio, em intercâmbio cultural e substitui a colega Yoko (Yoko Maki), que subitamente desapareceu na casa onde trabalhava. Karen naturalmente ouve os mesmos barulhos que Yoko e resolve investigar e é aí que descobre que a casa é amaldiçoada e que um casal norte-americano já havia morado ali. A maldição decorre de uma crença que diz que, quando alguém morre numa situação de raiva extrema, o espírito permanece no local da morte e ataca com extrema violência e fúria a quem em contato com o local entrar.

A história não se preocupa em matar apenas as personagens que erraram de alguma forma ou quiseram se dar bem, como nos filmes de terror americano. Aqui os inocentes morrem sem saber o porquê. Chega a ser interessante. Pra quem procura sustos, o filme tem vários, de variada intensidade e o espectador fica tenso, apesar de alguns serem clichês do gênero. O interessante do filme é juntar as peças do quebra-cabeça da maldição. Mas é só. A estudante Karen serve apenas como guia da história enquanto descobre o que houve na casa e nada pode fazer a não ser assistir a morte de cada uma das pessoas que entram em contato com a casa. Takashi aqui emprega o mesmo que em "Ju-On" e recorre a vários flashbacks que explicam o que ocorreu com as outras personagens e vai explicando o porquê da maldição, mas o filme não alça vôos maiores. Isso é o que se pode esperar.

Soma-se a isso a garota com cabelos escorridos para a frente do rosto (como em "O Chamado"), a maldição se espalhando via telefone e vídeo (como em "O Chamado") e a atuação batida de Sarah Michelle Gellar (que eu diria aqui que nem é protagonista, pois metade do filme não é com ela), eu diria que o filme é ótimo para quem quer levar sustos e tentar descobrir porque uma família inteira morreu na casa.

Resta saber porque ninguém aqui pensou em transpor o filme inteiramente para o Estados Unidos (como em "O Chamado"), pois fica meio no caminho a proposta de colocar Karen em meio a uma história de terror japonês, mas ainda assim cercada por personagens norte-americanos por toda a parte (o elenco coadjuvante, em sua maioria, é americano). Agora entre "O Chamado" e "O Grito", fico com "O Chamado": Naomi Watts é bem melhor do que Sarah Michelle Gellar.

"O Grito" - "The Grudge" (2004) - Dir: Takashi Shimizu. Elenco: Sarah Michelle Gellar, Jason Behr, William Mapother, Clea DuVall, KaDee Strickland, Grace Zabriskie, Bill Pullman, Rosa Blasi, Ted Raimi, Ryo Ishibashi, Yoko Maki, Yuya Ozeki, Takako Fuji, Hiroshi Matsunaga e Hajime Okayama . Estreou em 7 de Janeiro.



*Valmir Junior
"Paulista, 23 anos, virginiano e doido por chocolate. Esse é Valmir Junior, um ator amador (ou amador ator?), fã de teatro (claro), filmes, exposições e outros assuntos relacionados à Arte (além de ser um bom garfo também). É a primeira vez que resenha para um site e dá medo nele, mas o desafio já foi aceito, então: "Merda!!!" (Não levem a mal! É "Boa Sorte" no Teatro)."