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     CINEMA

Closer - Perto Demais


Valmir Junior*

Um filme por demais interessante. A começar pelo título: "Closer", que quer dizer "mais perto", "mais íntimo", denunciando a proximidade com que presenciaremos os jogos de amor dos quatro e únicos personagens, além de demonstrar a pequena distância que há entre eles.

Somos apresentados a Dan (Jude Law) e Alice (Natalie Portman), que se conhecem na rua, após um acidente de carro. Corta. O filme pula para a sessão de fotos de Dan, para seu livro, inspirado em Alice, sua namorada. Dan é fotografado por Anna (Julia Roberts). Os dois se beijam. Mas ela resiste ao charme de Dan, afinal, ele é comprometido. Alice vem ao apartamento de Anna e diz que ouviu tudo. Alice chora e diz para Anna fotografar o choro. Corta. Outro pulo: agora Larry (Clive Owen) conversa com Dan via Internet. Dan mente e se faz de Anna, combinando um encontro. Larry vai ao local combinado e encontra Anna. Pulo novamente: Larry e Anna namorando, Dan e Alice visitam a exposição de Anna (uma das fotos é a de Alice chorando). E assim a história vai. Eu poderia contar todo o enredo do filme aqui, mas não se preocupe, contei pouco, só o essencial.

O roteiro de Patrick Marber privilegia o teatral, com falas rápidas, proeminentes, carregadas de sentido. É claro, temos que considerar que o filme deriva da peça homônima do mesmo Patrick Marber, mas a transposição da peça para o cinema ficou ritmada e extremamente ágil. Interessante observar também a visão de Mike Nichols (diretor do clássico "Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, com Elizabeth Taylor e Richard Burton) para as personagens: um obituarista (Dan), uma stripper (Alice), um dermatologista (Larry) e uma fotógrafa (Anna), tratados sem superficialidade, sem estereótipo.

Gostoso em "Closer" é ver todas as reviravoltas da trama e ainda presenciar a sinceridade explícita com que as personagens se tratam. Chega a ser surreal, pois ninguém em uma relação consegue ser tão sincero. A sinceridade mina namoros, infelizmente é mais sadio a ambos que nunca sejam tão sinceros como desejariam ser, pois a verdade dói. Mas aqui neste filme, não. O filme não é realista, nesse sentido, pois se fosse jamais as personagens seriam capazes de falar sinceramente e de discernir quando o amor acaba. Como nós todos, aliás. "Closer" revela a interioridade do relacionamento e suas contradições de forma afiada, centrando no jogo que entremeia o amor, retratado como jogo de interesses, ou seja, você tem algo que me interessa e eu gosto disso e você vê algo em mim que me interessa e você gosta disso, o que não deixa de ser uma verdade crua e meio indigesta ao público habituado com comédias românticas da mesma Julia Roberts.

Ainda sim, a extrema sinceridade das personagens não resulta em sabermos exatamente quem elas são e o que sentem. É preciso olhar com atenção, mais de perto, para sentirmos mesmo se o que dizem é para punir, se vingar, provocar ou simplesmente dizer o que vem à cabeça. Complicado. A certa altura do filme, a stripper Alice se exibe para Larry (aliás, Natalie é um colírio para os olhos) e ele lhe pergunta o nome real dela, pois ela lhe tratou por Jane Jones. Ela repete sempre: "Jane Jones". Ele se irrita e diz que é Alice e ela toma o controle da situação sem precisar dizer muito. Engraçado, pois ninguém percebe nesse momento que a sinceridade também pode tomar aspectos diferentes daqueles que achamos. Clamamos a sinceridade como um antídoto, mas ela é só parte do jogo, como a mentira ou a omissão. A platéia vai chegar a essa conclusão no final.

O filme foi acusado de ser pornográfico e entediante. Mas, na verdade, o filme não é pornográfico. É como Dercy Gonçalves, que corrigiu um erro histórico em relação a ela mesma: é pornofônico. E os puritanos que pensem melhor a respeito disso. Como se essas palavras mudassem todo a discussão do filme. Entendiante? Não. É rápido, não é prolixo e o elenco segura bem. Clive Owen e Natalie Portman estão maravilhosos (e foram indicados ao Oscar, como ator e atriz coadjuvantes) e Jude Law e Julia Roberts se saem bem em uma ou duas cenas.

Na verdade mesmo, não é um filme para qualquer público. Arrisco dizer que é para muito poucos. Não é difícil encontrar gente dizendo que odiou, pois é seco, não desce redondo, regurgita nosso instinto e o confronta com nossas vidas. Mostrar cruamente verdades do ser humano e suas relações provoca irritação na platéia. Ela quer "moral da história", quer "romance", quer "mocinho e bandido" e "muita emoção", pois sabe que o que está ali é real, acontece mesmo na realidade de cá e de tragédia já bastam suas próprias vidas.

"Closer - Perto Demais" - "Closer" (2004) - Dir: Mike Nichols.Elenco: Jude Law, Julia Roberts, Clive Owen e Natalie Portman. Roteiro: Patrick Marber Estreou em 21 de Janeiro.



*Valmir Junior
"Paulista, 23 anos, virginiano e doido por chocolate. Esse é Valmir Junior, um ator amador (ou amador ator?), fã de teatro (claro), filmes, exposições e outros assuntos relacionados à Arte (além de ser um bom garfo também). É a primeira vez que resenha para um site e dá medo nele, mas o desafio já foi aceito, então: "Merda!!!" (Não levem a mal! É "Boa Sorte" no Teatro)."